18 setembro 2016

Nervoso...


A influência do modelo desportivo encarnado no resultado final do encontro frente ao Besiktas, para a Liga dos Campeões 2016/17.



O Benfica que defrontou o Besiktas foi a equipa mais jovem nesta primeira jornada da fase de grupos da Champions 2016/17, com a média de 23,09 anos. Já agora, por curiosidade a equipa turca jogou com um 11 que tem uma média de idades de 29,36. Pode parecer insignificante, mas faz toda a diferença, sobretudo em alta competição. Não é à toa que o Benfica não soube capitalizar com maior eficácia as suas oportunidades, como também não soube dominar por completo os ritmos de jogo a partir de certa altura do jogo.

O problema deste modelo desportivo do Benfica é exactamente este. Os miúdos precisam de errar para evoluir e vão fazê-lo. Faço aqui um parêntesis porque os erros não têm que ser directos. Por exemplo, um erro individual defensivo, ou ofensivo. Os maiores erros são os indirectos, fruto de uma má gestão da energia dos próprios jogadores. Frente ao Besiktas isso foi por demais evidente, por exemplo, com o Cervis, que até foi o autor do tento encarnado no empate a uma bola na Luz. O argentino jogando na maior parte do tempo no corredor central usou e abusou da jogada individual, quando poderia ter combinado mais com os seus atletas de sector. E, isto no que respeita aos jogadores do ataque. Lá atrás, Lindelöf não conseguiu contrariar a tendência natural de ir recuando a linha de defesa quando os turcos adoptaram um sistema de 2 avançados declarados, com a entrada de Talisca no ataque deles. Isto contribuiu para que as distâncias de sectores aumentasse, pois a defesa não subia o suficiente e o ataque perdia a bola tão facilmente como desperdiçava energia.

O sector que ainda conseguiu ser mais nivelado foi o meio-campo. Mas, com o ataque cada vez mais avançado e a defesa cada vez mais atrasada, André Horta e o seu parceiro sentiam-se cada vez mais isolados como uma ilha. Mesmo assim, ainda iam conseguindo resolver os problemas. Pelo menos, enquanto houve Fejsa. A entrada de Samaris contribuiu para que se mantivesse a ligação, mas a entrada de Celis acaba por espelhar bem o desafio da juventude nestes contextos. O segredo estará na análise de riscos e nos mecanismos de contrabalançar os erros dos jogadores.

É verdade que com o plantel todo disponível, muito provavelmente o onze titular frente aos turcos seria diferente. Em particular, na linha ofensiva. No entanto, num onze com Lisandro, Fejsa, Salvio e Pizzi, esperava mais. Sobretudo dos dois extremos, que quanto a mim não contribuíram em nada para uma maior gestão da energia e dos ritmos de jogo da equipa. Se o internacional português estava algo complicado nas decisões com a bola nos pés, no capitão Salvio isto não acontecia porque pura e simplesmente não passava a bola a ninguém. E, aqui entra outro factor que poderá ter contribuído negativamente para o encontro: prémios de jogo e a exigência para que Pizzi e Salvio assumissem mais o jogo. Penso que eles acabaram por não entender o que lhes estavam a pedir. Provavelmente, o Rui Vitória queria que estes dois ajudassem mais os miúdos Cervi e Guedes nas suas funções. O que aconteceu foi que Pizzi e Salvio reduziram-se ao nível dos outros dois e tentaram atingir os objectivos dos prémios de jogo (então o Salvio... passa a bola Toto!!!). E isto não pode acontecer. Que sirva de lição.


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