14 janeiro 2017

Como ultrapassar...


Mudando de faixa...


Mas, o que é isto de mudar de faixa num campo de futebol? Antes de responder a esta questão, convém contextualizar o tema. O Benfica recebe esta tarde, na Luz, o Boavista para a última jornada da 1ª volta do campeonato nacional. E, segundo as palavras do técnico Miguel Leal, o mais provável é os axadrezados colocarem o "autocarro" à frente da sua baliza, ou em linguagem mais técnica jogar com um processo defensivo mais baixo. Esta estratégia tem por base retirar espaço ao jogo ofensivo do Benfica, facilitando as ações defensivas dos boavisteiros. Daí que a pergunta inicial se imponha. Para a responder, devemos usar a imagem automobilística que temos de um autocarro. Em estrada, tenta-se ultrapassar um autocarro através da mudança de faixa e aceleração. Ora é precisamente isso que o Benfica precisará para "ultrapassar" a defesa do Boavista. Mais até do que a velha resposta de "passar por cima", que em linguagem futebolística poderia representar o chamado "chuveirinho" para dentro da grande área.

Assim sendo, por mudança de faixa podemos entender duas coisas: (1) variação de centro de jogo, i.e., estando a bola sobre a direita, fazê-la passar para a esquerda ou para o centro (e vice-versa), de forma a que o adversário tenha que bascular em sintonia, levando ao seu desgaste; e (2) ocupar todos os corredores do terreno de jogo, ou seja, ter jogadores que ocupem os 6 corredores de jogo. Mas, espera aí? Não eram apenas 3 corredores de jogo? O direito, o esquerdo e o central? Não, na realidade são mais, porque um jogador no máximo consegue cobrir com eficiência e eficácia até 2 a 2,5 metros à sua volta. Tendo em conta que os campos do futebol profissional têm usualmente 90 metros de largura e que as defesas são compostas por 4 ou 5 jogadores, estamos a falar em cerca de 18 metros entre jogadores na melhor das hipóteses. O que as defesas fazem é permanecerem compactas reduzindo localmente (e aqui entenda-se o local como referente a onde está a bola) os espaços vazios. Ora ao fazer isso, eles estão na prática a criar ainda mais corredores localmente. Por esse motivo, é importante que a equipa que esteja a atacar saiba fazer o mesmo, não apenas colocando mais jogadores no local onde está a bola, mas promovendo o aparecimento de jogadores no local para onde a bola vai ser endereçada. Por esse motivo a melhor forma de isso acontecer é obedecendo ao ponto (2) descrito acima.

Voltando para o jogo desta tarde e com base nesta teoria, penso que seria um excelente encontro para o Benfica jogar na prática com 3 defesas, muito embora que no papel inicial pudéssemos dizer que jogaria com 4. Isso até poderia ser benéfico para a gestão de esforço do Nélson Semedo (que é o jogador mais utilizado esta temporada com mais de 2400 minutos de jogo) e que foi titular nos últimos dois exigentes jogos frente ao Boavista. Por outro lado, ao derivar o André Almeida para a sua posição, abriria uma vaga para a lateral esquerda, que com a ausência de Grimaldo e Eliseu por lesão, poderia servir de teste para utilizar o Cervi. Este seria um falso lateral e funcionaria como um ala (ou carriello como se diz na Argentina), próprio de sistemas com 3 defesas. Esta disposição defensiva acabaria por beneficiar até os posicionamentos de Luisão e Lindelöf. O girafa acabaria por ocupar uma posição mais central do terreno, deixando o lado direito da defesa para o André Almeida e o esquerdo para o Lindelöf, o que beneficiaria todos. Inclusive, sem podermos contar com Fejsa lesionado, mas com o Samaris no meio-campo, que é um jogador que gosta de estar mais no meio-campo, esta solução poderia funcionar melhor para o grego e para o resto da equipa. Rafa, seria outro dos beneficiários, pois teria liberdade para ir para zonas centrais, uma vez que Cervi apareceria para dar profundidade ao flanco esquerdo. Do lado contrário, o Salvio habituado a jogar mais colado à linha viria as suas costas protegidas por um André Almeida que a atacar iria sempre ocupar espaços interiores e não coincidir no mesmo corredor que o argentino, dando-lhe assim a liberdade e espaço para criar jogadas de perigo. Fica a faltar para completar o onze titular que escolheria para esta tarde, mencionar os três do costume, ou seja, o guarda-redes Ederson, e a dupla de avançados Jonas e Mitroglou.


A ideia do 3-4-3 encarnado frente aos axadrezados,
como solução para ocupação de todos os corredores.

Ah! Tudo isto não faz sentido sem velocidade e aceleração, tal como na estrada! 😉

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