14 fevereiro 2017

Es wird nicht so sein Dortmund


Mas, obrigada por darem o vosso onze titular. 😏



Não será bem esse o onze que vamos utilizar, mas também não quero estragar a surpresa para já. Aliás, sinceramente nem sei bem o onze que o Rui Vitória vai escolher. Tenho sim uma ideia do que eu poderia apresentar no lugar dele. Mas, vou deixar isso para mais tarde. O que eu sei é que desta forma os alemães deixaram a equipa deles. E, isso até é muito importante tendo em conta que nas últimas semanas o Tüchel raramente apresentou o mesmo onze em dois jogos consecutivos.

Será este o 4-2-3-1 que o Dortmund deverá apresentar
na Luz esta noite. Destaque para a importância de
Weigl, já descrita aqui, mas também para os alas
Schmelzer e Pulisic e, no quarteto formado pelo
Guerreiro, Dembélé, Reus e Aubameyang
na criação de espaços.
Pessoalmente, pensava que iria apresentar um 4-3-3 com Castro e Guerreiro à frente de Weigl no meio-campo e atrás de um tridente ofensivo formado pelo Dembelé, Abaumeyang e Reus. O quarteto defensivo esse já eu tinha noção que seria este. Jogando com o Pulisic como extremo direito, parece-me claro que o Dortmund quer emular um pouco as ideias de jogo do Nápoles e que tantas dores de cabeça nos deram no primeiro semestre. Reparem como a colocação do Pulisic na direita é idêntica à de Callejón na equipa napolitana. O intuito é o mesmo. Com jogadores criativos como Reus e Dembelé no corredor esquerdo e no meio-espaço esquerdo, mas também com a mobilidade de Aubameyang, a turma de Tüchel, pretende em contra-ataque activar o corredor direito, com um passe em diagonal para a frente do norte-americano. Por isso, muita atenção às costas defensivas Benfica! Sobretudo, Eliseu e Lindelöf, ok?! Já agora, para combater isso, espero que comprimas o espaço de jogo Luisão. Quando a bola for para o Reus e Dembelé, em vez de fazer contenção, façam ainda maior pressão, para roubar o espaço ao veloz gabonense. Por isso, também será muito importante a marcação e a agressividade de Semedo ao jogador que lhe aparecer à sua frente, assim como a missão de Fejsa e do extremo direito que jogar mais logo.

Com os mesmos onze jogadores, o Tüchel poderá
mudar o sistema de jogo em qualquer momento do jogo.
Esta é uma das vantagens do treino por princípios.
O jovem francês será um dos melhores jogadores do mundo e a sua versatilidade tem sido um enorme trunfo neste Dortmund. É um jogador que pode fazer todas as posições do ataque e do meio-campo ofensivo. Pode jogar como falso extremo/avançado interior, segundo avançado, trequartista, extremo puro e até mesmo médio-interior ofensivo. Como ele, praticamente todos os jogadores escolhidos também possuem polivalências posicionais idênticas. Por exemplo, o Pulisic pode descer no terreno e funcionar como um ala direito. Por sua vez, o veterano polaco Piszczek, que habitualmente era um lateral direito muito ofensivo, tem sido adaptado a defesa central esta temporada. De forma contrária, o lateral esquerdo alemão Schmelzer, que esteve presente na conferência de imprensa na Luz que antecedeu este encontro, tem sido utilizado como ala esquerdo, uma vez que é um jogador que embora não tão explosivo como o Raphäel Guerreiro, é um jogador que cruza muito bem, sobretudo da zona dos 3/4 do terreno, explorando assim as diagonais de Abaumeyang nas costas da defesa adversária, e deixando para o português as missões de transporte de bola no meio-campo.

Ora esta polivalência faz com que num ápice o Tüchel possa colocá-los a jogar num 4-2-3-1, conforme o esquema táctico apresentado no twitter deles, mas também num 4-3-3, num 3-4-3, num 3-4-1-2, num 3-5-2 e se for necessário num 5-2-3, ou até mesmo num 5-3-2. Face a isto, penso que temos de nos apresentar muito personalizados.




P.S.: Ainda sobre o talentoso médio alemão, o Julian Weigl, gostava que dessem uma olhadela para o seu "radar de passe". Neste diagrama podemos verificar não apenas os maiores destinatários de passe do jovem jogador, mas também as respectivas direcções. Por aqui percebe-se perfeitamente o perigo dos passes diagonais para o ataque (45 graus), cuja maioria vai para o Dembélé (6 passes) e para o Göetze (outros 6 passes) que neste encontro na Luz será substituído pelo Raphäel Guerreiro, ou Reus, ou até Pulisic, naquela zona do terreno. Em termos defensivos, o que se pretende é que o Benfica evite esse número de passes e que no final da partida o "radar de passes" do Weigl seja representado por setas para o lado e para baixo. Estou certo que se o conseguirmos, o Benfica terá feito uma excelente exibição. Para tal, muito trabalho de cobertura defensiva o Jonas e seus colegas terão de fazer.

"Radar de passe" do Weigl frente ao Hoffenheim.

16 comentários:

  1. Anónimo14/02/17, 11:27

    Atenção que esta é apenas uma brincadeira que o Dortmund faz frequentemente. Mas daí não resulta o verdadeiro onze para hoje. É frequente eles meterem uma equipa no twitter na véspera e depois não ser esse o onze escolhido.

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    1. As alternativas também deverão ser ou o Pulisic ou o Castro. Se meterem 3 centrais, teremos ainda mais possibilidades de vencer o encontro.

      ;)

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  2. É uma equipaça. O Benfica, terá que ter a defesa muito, muito bem organizada para evitar os passes de ruptura porque praticamente qualquer jogador, da defesa ou ataque, tem capacidade e visão para desferir um bom último passe.

    Teste de fogo para Luisão. Que não seja assim, mas hoje Vitória vai pagar por não ter dado continuidade a Lisandro e Jardel. Poderá apanhar pela frente jogadores de uma velocidade estonteante como Reus, Dembele, Guerreiro, Pulisic, Aboumeyang...tudo o que cair ali, vai ser um ai meu Deus.

    Começar a rezar, amigos.

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    1. Começar a rezar? Porquê? Eles têm uma frente muito boa. Mas, para serem efectivos, precisam de ter bola e mais do que isso, precisam que a bola lá chegue. É aqui que precisamos ser iguais a nós próprios.

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    2. O único que me parece colocar um desafio em velocidade é Aubameyang. Os outros normalmente aparecem de frente com a bola nos pés. Guerreiro e Reus são dores de cabeça, o alemão mais descaído para o lado do Lindelöf, pelas combinações que fazem sem que a defesa se "consiga" movimentar do que pela velocidade que obrigam a ter.

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    3. Olha que o Reus e o Dembélé, também gostam de explorar a velocidade... O Reus a jogar neste onze estará mais sobre o lado direito, mas os três estão o jogo todo a circular pelas três posições, não só para irem descansando um pouco, como também para confundir marcações.

      ;)

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    4. O Reus é muito "raumdeuter". Vai vasculhar muito para dentro, com ou sem bola.

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    5. Dembelé é dar-lhe a linha de fundo que fica "resolvido" o problema. O Reus é rápido, mas um tipo de rápido diferente do Aubameyang que usa mais a rapidez de raciocínio e de pequenos gestos técnicos do que a rapidez de deslocação.

      Do ponto de vista da preocupação do jorgen acima, só a velocidade do Aubameyang é que coloca um perigo ao Luisão, acho.

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    6. @jorgen80: se fosse apenas o Reus, ainda vá que não vá, mas é ele, o próprio Aubameyang, o Dembélé... enfim, até o Guerreiro podemos ver nessa perspectiva.

      @RB: a velocidade do gabonês é resolvida de forma bem simples com o fora-de-jogo. Se o Luisão vai no engodo de marcar homem a homem, não há hipóteses. A questão defensiva não pode ficar definida em duelos individuais. Temos de ter coordenação total naquela linha defensiva. Só assim conseguiremos anulá-los.

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    7. «A questão defensiva não pode ficar definida em duelos individuais. Temos de ter coordenação total naquela linha defensiva.» Totalmente de acordo! Dentro do que é o descalabro do BVB em termos de Bundesliga há uma coisa que não se altera e isso é os mecanismos colectivos que eles têm. Sem uma resposta colectiva não os páras. Aliás, eles querem mesmo que tu "venhas ao homem"!

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  3. Ia dizer o mesmo do anónimo. Contra o Hoffenheim até titulares apontaram que nem no banco calçaram. A equipa de comunicação do BVB é genial e tem estas brincadeiras para manter a malta agarrada. Normalmente apresentam os "nomes mais sonantes" para os adeptos e que estão fora do boletim clínico.

    Eu pessoalmente desconfio de um 11 que conta com Pulisic e Dembelé ao mesmo tempo. Normalmente um substitui o outro (e o meu preferido é o Capitão América, não o Feiticeiro de Ous).

    O Pisczek não tem sido utilizado como central. Fecha mais por dentro quando a equipa não tem a bola, e o "extremo" recua para se apresentar como falso lateral. Na saída normalmente abre ou fecha consoante a bola esteja no seu corredor ou não.

    O que se passa no BVB neste momento é que o Tüchel deu a Bundesliga por perdida (realismo) e está a preparar a próxima época.

    Tem muito que fazer ao nível dos comportamentos defensivos e sabe disso, mas quer fazer boa figura na Champions. Por isso eu apostaria mais em Castro, que não sendo brilhante dá equilíbrio à equipa no centro e tem menos impetuosidade que os "tenrinhos" Dembele/Pulisic/Mor (acho dificil nesta primeira mão veres este trio em campo mais de 5 minutos).

    Resumindo: tirando Weigl e Guerreiro dos jogos, o Benfica tem uma hipótese real de passar. Sem isso fica muito difícil.

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    1. No lugar do Tüchel meteria também o Castro, isto porque gosto de ter controlo da posse de bola. Mas, ele com este onze pode criar à mesma muitas dificuldades ao nosso jogo.

      Em primeiro lugar, poderá apostar no passe longo em diagonal para as costas da nossa defesa (algo que fez muitas vezes com o Sporting). Ele fará isso para tentar alongar as nossas linhas e assim desvanecer a possível vantagem numérica que o Benfica pode ter a meio-campo, perante apenas Weigl e Guerreiro.

      Sinceramente, não estou minimamente preocupado com o onze que o Tüchel vai colocar em campo. Acho que o Benfica deve ser igual a si próprio. À sua identidade e fazê-los correr atrás da bola.

      O Dortmund não é tão forte no processo defensivo quanto isso. Até porque raramente joga à defesa na Bundesliga. Logo aí sentirão desconfortáveis.

      O maior perigo deles será:

      1) O Weigl como lançador do ataque e contra-ataques
      2) Velocidade e exploração do espaço nas costas da defesa do Benfica
      3) As segundas bolas dos duelos provenientes do ponto anterior.

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    2. São 3 "perigos" que o Benfica poderá ter dificuldades em anular.
      Haverá N momentos em que o Benfica poderá ter dificuldades em perceber o que fazer com Weigl. Jonas e Mitro, se o alemão avança demasiado no terreno, darão pouco ou nenhum pressing. Depois haverá o dilema de marcar o homem, ou deixa-lo controlar o meio-campo. O Benfica, quando fica demasiado tempo sem bola, ressente-se emocionalmente e deixa-se asfixiar, procurando lançar contra-ataques desmedidos e sem nexo. Foi assim contra o Porto, Napoles e Sporting.
      Com Jimenez e Pizzi-pode muito bem com o Weigl, já que fisicamente são similares-, a coisa mudaria por completo de figurino, mas o Benfica perderia no posicionamento ofensivo-Equilíbrio será chave.

      Em relação ao espaço das costas, o Benfica jogará com uma defesa média-alta. O risco estará sempre lá. Basta uma subida do Semedo e do Eliseu, perda de bola, lançamento longo de um Weigl ou Bartra para o Reus ou Abouymeang, que se posicionam no espaço e está o contra-ataque feito. Mas isto, lá está. São jogos Champions. Erros serão cometidos; Quem os souber aproveitar melhor, triunfará. Eu em casa, jogaria pela solidão defensiva em detrimento de golos. Sair com 0-0, deixa tudo em aberto. Pode ser surpreendente, mas assusta-me mais um 2-1 a favor que um empate sem golos.
      Veremos.

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    3. «O Dortmund não é tão forte no processo defensivo quanto isso. Até porque raramente joga à defesa na Bundesliga. Logo aí sentirão desconfortáveis.» Tenho dito isso desde sempre. A pecha de Tüchel é todo o processo defensivo. Todas as equipas que têm sucesso frente ao BVB têm um contra-ataque rápido e fecham-se bem. Se RV conseguir meter isso em campo...

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    4. @jorgen80: a ideia é utilizar o Jonas e o Mitroglou para condicionarem a saída de bola, através de uma contenção que bloqueie a linha de passe de Weigl, obrigando-o a lateralizar ou a jogar para trás. Não há necessidade de uma marcação individual ou até dele estar constantemente a ser pressionado. Agora, ambos têm é de tentar ficar atrás da linha da bola no momento de saída de ataque do Dortmund.

      E apostaria numa defesa bem avançada no terreno. Temos Lindelöf, Eliseu e Semedo que são bastante velozes, mas o Ederson a varrer lá atrás também o é. Quanto mais compactado o meio-campo deles estiver pior para eles.

      A mim, não me assusta resultado nenhum. O Dortmund está longe de ter uma defesa sólida. O mais certo é sofrerem golos. Mas, o ataque deles também marca muitos. E eles estão a apostar as fichas todas na Champions, por isso, podemos fazer gracinha.


      @RB: todos os caminhos vão dar a Roma. Não temos necessariamente que jogar em contra-ataque para ganharmos ao Dortmund. Neste momento, faz mais sentido olharmos para o que temos feito e termos confiança no trabalho desenvolvido nos últimos meses. Ou seja, jogar de forma dominadora. Nem os alemães estarão propriamente à espera disso.

      Lá, em Dortmund, podemos mudar um pouco, sobretudo, com um resultado mais positivo.

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    5. Não temos, é verdade, mas temos de ter uma capacidade defensiva muito grande, uma reacção à posse/transição D-A rápida e acima de tudo critério no que se faz. E capacidade de sofrimento. Não seria inédito o BVB sofrer de problemas de concentração nos últimos 10/15 minutos de jogo. O TT tem uma abordagem muito exigente e desgasta a equipa física e mentalmente, e isso é algo que o RV pode explorar, se conseguirmos aguentar o resto.

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