22 julho 2016

Críticas injustas


Porque não consigo ficar indiferente às críticas que tenho lido e ouvido sobre a selecção campeã da Europa: Portugal...


... escrevo este artigo, um pouco revoltado e descontente com o saber ser português. A sensação que tenho após estas já quase duas semanas, depois de sagrarmos campeões europeus, é que o pior inimigo de um português é um português. Podemos criticar, mas sempre de forma construtiva e isso raramente o português sabe fazer para o português. Dei por mim a pensar no que senti na noite em que o Éder foi herói e a selecção trouxe a taça para Portugal. O quão belo foi ver toda a gente na rua até altas horas da noite. O quão emocionante foi ver as pessoas eufóricas. O quão unido parecíamos estar quando nos abraçávamos. Senti que Portugal estava-se a cumprir, como profetizava em desejo o Fernando Pessoa. Parecia que realmente o futebol fazia finalmente o seu papel de coesão nacional e até mesmo social. Mas, tudo isso foi sol de pouca dura. As críticas quase horripilantes à nossa selecção não se fizeram de esperar, seguidas das críticas ao seu capitão. Mas, porque carga de água os portugueses em vez de usarem estes momentos para nos unirmos e procurar ajudarmos-nos uns aos outros, preferimos armar-nos todos em snobes, espertalhões e gabarolas, como se "se fosse comigo seríamos campeões, mas de uma maneira muito mais elegante, eficiente e eficaz". Porquê, e desculpem-me os mais sensíveis, tanta inveja? Essa inveja, que Luís de Camões finalizava a sua mais importante obra Os Lusíadas, é essa mesma que não nos permite crescer enquanto nação. É ela que faz muitas vezes sermos caranguejos num balde. Mas, por mais que haja uma fracção de invejosos, diria mesmo de sangue ruim, a verdade é que está-nos no sangue as grandes conquistas. E, esta foi mais uma... e contra tudo e contra todos, mas com a maioria dos portugueses ao nosso lado. Por tudo isto, tenho de fazer a defesa a Fernando Santos e a Ronaldo.

Fernando Santos está de parabéns por ser o timoneiro desta enorme conquista nacional.
A celebração na final com todos os jogadores a elevá-lo é bem notória da capacidade de
liderança do seleccionador nacional. E, já agora, foi uma excelente notícia a sua renovação.

O seleccionador nacional, na primeira entrevista que concedeu à televisão após ser campeão da Europa, esteve muito bem a contra-argumentar algumas críticas que foi alvo. Uma primeira é que Portugal jogou mal. É verdade que todos nós gostaríamos que Portugal tivesse jogado maravilhas, mas é preciso ver aqui umas coisas. Primeiro, quantas selecções é que vocês conhecem que tenham ganho o quer que seja à primeira vez no futebol, e que tenham feito exibições de encher o olho? Assim de repente, na Europa, não me recordo de nenhuma. A Alemanha foi campeã do mundo contra a Holanda a jogar muito menos que a laranja mecânica. A própria Itália já ganhou imensos campeonatos da Europa e do mundo a jogar feio. E sabem porque isso acontece? Porque é normal que na primeira vez que se chega a uma final o erro de falhar é muito maior que o risco de acertar. Mas, não é apenas esse factor emocional que no caso português está em jogo. Ao contrário de outras selecções, nomeadamente as melhores, Portugal entrou em competição com um meio-campo e meia defesa renovada, relativamente à caminhada de qualificação que foi feita. E - agora vejam o mais engraçado - com um meio-campo formado com jogadores com pouquíssima experiência internacional, como é o caso do miúdo-maravilha Renato Sanches, mas também o Adrien, o João Mário e o William Carvalho que ainda possuem poucas internacionalizações. E, já estou a deixar de fora, jogadores como Raphäel Guerreiro, Cédric e José Fonte. Assim de repente, são 6 em 11 jogadores novos e com o pouco tempo de preparação que se tem para estas competições. Comparem com os jogadores das principais selecções e daquelas que melhor jogaram no torneio. Por tudo isso, acho piada a maioria dos comentadores da televisão que acham que uma equipa monta-se como os legos, ou seja, se há uma peça que não está bem, coloca-se outra ali e começa logo a funcionar. Que haja noção! E, sobretudo, porque muitos que estão lá à frente às câmaras sejam menos invejosos e mais altruístas - que em vez de criticarem para se auto promoverem - sejam íntegros e honestos e falem o que devem falar. Ou seja, que falem sobre as dificuldades de construir uma equipa que jogue bem rapidamente e com tanta adversidade.

Como se pode chamar atenção a um jogador por estar tão excitado com o último momento
de uma final que estávamos prestes a conquistar? Não entendo! E, nem é para entender.

Quanto ao Cristiano Ronaldo, fiquei muito triste com o António Simões esta semana. Era evitável. Podemos não gostar da personalidade e de algumas atitudes do Cristiano, mas o Simões pura e simplesmente criticou de forma vil o capitão da selecção nacional. Ainda para mais quando o comportamento do Ronaldo foi tão transparente e puro durante o torneio e em particular na final. Muitos leitores também não gostaram do tom e das palavras do António Simões. Para vos ser franco, penso que o próprio Eusébio lá no alto não deve ter gostado muito. É verdade que todos nós somos livres de emitir as nossas opiniões. Mas, também não é menos verdade que estas opiniões nestes momentos, podem levar a que outras pessoas tecem igualmente opiniões sobre elas. E, assim devido a um problema de ego, tenta-se transformar um momento de união em um de divisão. Confesso que o Ronaldo quanto a mim não esteve muito bem no caso do microfone, mas também todos nós sabemos a "trollândia" que aquele media consegue ser. Depois, a forma como o Simões falou dessa situação e da situação da final, acho que foi demasiado ríspido. Aquilo não foi apenas uma opinião casual. Aquilo foi mais do que isso. Senti ali alguma azia, algum recalcamento, alguma inveja e mágoa por terem sido eles e não a geração do Simões a ter conseguido a taça. Foi quase um caso como um daqueles pais que não suporta ver o sucesso de um filho. Foi isso que senti. E o quão errado está um pai que sente isso do seu filho. Por outro lado, qual o pai que quando o filho comete um erro, vai discipliná-lo mandando a baixo a sua confiança? Ou será que a melhor forma é a de ter uma atitude mais construtiva, fazendo ver o filho que há forma de ultrapassar o erro? Pois bem, o respeito que tenho - e que a maioria tem - pelo António Simões no futebol, é o mesmo que se tem pelos nossos avós. A partir daí, o tipo de conselhos que estamos à espera que ele promova sejam construtivos e nunca de "bota abaixo". Por isso mesmo, o ex-capitão do Benfica e da selecção nacional deveria retratar-se um pouco.




P.S. 1: A melhor forma de responder a estas críticas invejosas e maldosas é apenas assim...

Obrigado Fernando Santos!
P.S. 2: Para a próxima coloca o Rafa a jogar, pode ser?

17 comentários:

  1. Um abraço caro PP. Top, inclusive as notas ;)

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    1. Obrigado BENFIQUISTA de Braga! ;)

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  2. Caro PP,

    Acho que o que de mais Português houve nas situações que descreveu foi o «Ganhou-se, não foi? Então está tudo bem!». Isso sim, foi Português, não a crítica. Há agora a ideia de que a crítica deve ser sempre "construtiva" - como se pode construir sobre o que está podre, como a atitude do Ronaldo? Primeiro "destroi-se" e depois sim, pode construir-se já com o que estava a decadente fora do caminho.

    São públicas as minhas críticas à postura do Ronaldo. Se bem se recorda, até coloquei a questão de ter no cabeçalho de um blog afecto ao Benfica, um jogador que (perdoe-me a expressão vulgar) "mandou os Benfiquistas para o caralho". O PP é que sabe, claro - e pelo que disse na altura já lhe perdoou o excesso da juventude, com certeza sendo da opinião que agora mudou e cresceu. É a sua opinião, respeitável como tal.

    Penso que o Simões, assim ou assado, criticou adequadamente quem sempre quis (inclusive na final e não só na selecção) estar acima das equipas onde participa. Lá está, primeiro "destroi-se" o que não serve, para depois então, sim, "construir".

    O «rico e guapo» é um extraordinário atleta e futebolista, individualmente, mas uma personalidade pueril, insegura e altiva. Eu sei, porque observo à minha volta, que este é um exemplo de bom capitão de quem o Português cada vez mais gosta, mas não é seguramente o meu - e pelo visto, também não o é do Simões.

    Cumprimentos,
    Isaías

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    1. Caro Isaías,

      Não concordo. As pessoas ficaram eufóricas com a alegria de sermos campeões da Europa. Isso é bem diferente de dizer-se que "está tudo bem!" e que não é necessário mexer nada.

      O que aconteceu foi crítica por querer ter protagonismo, por ter azia de não ter sido com esses que criticaram que a conquista tivesse acontecido,... numa palavra, por: inveja.

      É muito triste, chegar a esta conclusão, mas há, como sempre houve, pessoas que são invejosas. Essas jamais irão-se retratar.

      Um discurso de liderança, de uma pessoa com visão e que sabe que embora tenha havido conquista, que ela camuflou muitas coisas que estão mal e que devem ser resolvidas, não vem para a praça pública falar mal. Vem para a praça pública dizer o seguinte: agora que venha o mundial!... e para o atingir devemos afincar-nos ainda mais nisto, naquilo e naqueloutro.

      Falar mal do Ronaldo por um comportamento emocional que teve no estádio da Luz com 18 ou 19 anos é diminuirmos à infantilidade dele nessa altura. O Simões não tinha nada de criticar da forma como fez. E, até vou mais longe, foi tudo menos inteligente nesta sua atitude. Ele é actualmente a referência mais experiente do futebol português, referência que deveria procurar o consenso, a harmonia, a responsabilidade e o desafio para todo o nosso futebol. O que ele fez? Foi mais rapazola do que se calhar o Ronaldo com a sua atitude do microfone.

      É errado pensar que para se construir é preciso destruir o que existe. Sabes quem tem esse tipo de pensamento? Os tiranos! Olha bem para a história deles. Aqueles que verdadeiramente colocam o interesse comum à frente dos próprios, são aqueles que mais procuram ajuda e ajudar os outros. São aqueles que procuram o consenso. O milagre das conquistas nasce exactamente aí. E, vou mais longe, só os grandes líderes, aqueles amados pela maioria é que conseguem esse tipo de sinergias e colocar toda a gente unida. É tão mais fácil desunir do que unir. Diz lá se não é uma chatice procurar consensos quando todas as partes puxam para o seu lado.

      Isaías, peço-te para releres o teu texto e reparares na "inveja" camuflada (perdoa-me se te estou a ofender chamando-te de invejoso, embora penso que estás a ter é uma opinião invejosa, o que não faz de ti um invejoso puro) do teu último parágrafo. Repara como te referes ao Ronaldo como «rico e guapo». Essa tentativa de satirização, mais não é que o camuflar dessa inveja do rapaz. Se não a tivesses, facilmente perceberias o porquê dele ter dito isso, quando o jornalista lhe perguntou se ele sabia o porquê de muita gente o criticar.

      Gostava muito que não ficasses triste com as palavras que utilizei sobre o teu texto. Respeito a tua opinião. Mas, gostava mesmo que tentasses olhar para este tema de outra perspectiva, do lado do Ronaldo. Enfia-te nas chuteiras dele e imagina-te na pele dele. Acho que é isso que faz muita falta a muita gente.

      ;)

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    2. Caro PP,

      Respondendo aos pontos que penso merecerem resposta:

      «O que aconteceu foi crítica por querer ter protagonismo, por ter azia de não ter sido com esses que criticaram que a conquista tivesse acontecido,... numa palavra, por: inveja.»

      - Essa é a sua leitura do que foi dito, não necessariamente a Verdade. Não que a tenha eu, ou o Simões, ou seja quem for, por absoluto.

      «Um discurso de liderança, de uma pessoa com visão e que sabe que embora tenha havido conquista, que ela camuflou muitas coisas que estão mal e que devem ser resolvidas, não vem para a praça pública falar mal. Vem para a praça pública dizer o seguinte: agora que venha o mundial!... e para o atingir devemos afincar-nos ainda mais nisto, naquilo e naqueloutro.»

      - Então em público apenas se deve falar de coisas bonitas e motivadoras e nunca deixar transparecer a verdade, mesmo que seja feia?

      «Falar mal do Ronaldo por um comportamento emocional que teve no estádio da Luz com 18 ou 19 anos é diminuirmos à infantilidade dele nessa altura. O Simões não tinha nada de criticar da forma como fez. E, até vou mais longe, foi tudo menos inteligente nesta sua atitude. Ele é actualmente a referência mais experiente do futebol português, referência que deveria procurar o consenso, a harmonia, a responsabilidade e o desafio para todo o nosso futebol. O que ele fez? Foi mais rapazola do que se calhar o Ronaldo com a sua atitude do microfone.»

      - O que o PP talvez não tenha percebido da minha opinião é que, vejo eu, o Ronaldo do dedinho em 2005 é precisamente o mesmo do microfone em 2016. Aí é que está a questão. O PP pensa que se trata de intolerância de quem assiste, mas é mesmo falta de evolução na personalidade PÚBLICA do Ronaldo, capitão da selecção e, portanto, representante do Portugueses pelo mundo fora.

      «É errado pensar que para se construir é preciso destruir o que existe. Sabes quem tem esse tipo de pensamento? Os tiranos! Olha bem para a história deles. Aqueles que verdadeiramente colocam o interesse comum à frente dos próprios, são aqueles que mais procuram ajuda e ajudar os outros. São aqueles que procuram o consenso. O milagre das conquistas nasce exactamente aí. E, vou mais longe, só os grandes líderes, aqueles amados pela maioria é que conseguem esse tipo de sinergias e colocar toda a gente unida. É tão mais fácil desunir do que unir. Diz lá se não é uma chatice procurar consensos quando todas as partes puxam para o seu lado.»

      - Isso é incorrecto ou uma distorção da realidade: o que os tiranos fazem é destruir o que é bom do anterior, para que o novo que ele impõe seja melhor por comparação. Isso sim, é tirano. Agora destruir o que está mal ou podre para depois sim colocar algo melhor, é que foi o que eu propus e é que é o que um verdadeiro líder procura fazer.

      (1/2)

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    3. (2/2)

      «Isaías, peço-te para releres o teu texto e reparares na "inveja" camuflada (perdoa-me se te estou a ofender chamando-te de invejoso, embora penso que estás a ter é uma opinião invejosa, o que não faz de ti um invejoso puro) do teu último parágrafo. Repara como te referes ao Ronaldo como «rico e guapo». Essa tentativa de satirização, mais não é que o camuflar dessa inveja do rapaz. Se não a tivesses, facilmente perceberias o porquê dele ter dito isso, quando o jornalista lhe perguntou se ele sabia o porquê de muita gente o criticar.»

      - Qual inveja camuflada? Perceber o contexto? Já referi noutras ocasiões que o Ronaldo sofre da comunicação social aquilo que ele próprio se ofereceu para sofrer. Dou o exemplo do Renato Sanches, que foi injustiamente pressionado pela comunicação social e que respondeu, aos 18 anos, com uma maturidade superior à do Ronaldo com 30. Ele não pode dizer que os jornalistas o atacam por ser «guapo e rico» (ridículo), quando ele a cada oportunidade abre as portas DELE E DA FAMÍLIA DELE à foto e à fofoca. Conheces a mãe, a irmã ou o filho do Messi? Ou do Bale? Nenhum destes direi que são modelos comportamentais, mas não sofrem o que o Ronaldo sofre, porque separam a sua vida pessoal e familiar da sua vida pública. O que o Ronaldo pensa é que PODE FAZER O QUE QUISER que as regras se adaptam a ele. Quando a realidade lhe bate na cara, atira microfones ao lago e faz-se de vítima da pressão, beneficiando das pessoas que, tal como o seu exemplo, caro PP, toleram este comportamento de alguém que está a moldar o comportamento da futuras gerações.

      «Gostava muito que não ficasses triste com as palavras que utilizei sobre o teu texto. Respeito a tua opinião. Mas, gostava mesmo que tentasses olhar para este tema de outra perspectiva, do lado do Ronaldo. Enfia-te nas chuteiras dele e imagina-te na pele dele. Acho que é isso que faz muita falta a muita gente.»

      - Não há qualquer motivo para ficar triste. Ainda assim, como mostrei acima, isso não significa que não me tenha colocado na posição dele, bem pelo contrário: coloquei e percebi que continua o mesmo puto e akguém que eu não gostaria que fosse modelo para as gerações vindouras (excepto sob o ponto de vista puramente atlético e técnico, claro, aí é um futebolista individualmente exemplar).

      Cumprimentos,
      Isaías

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    4. Isaías,

      Não vou, nem quero alimentar mais este debate. Apenas peço-te para partilhares estes textos com pessoas próximas a ti, e pergunta-lhes se estão de acordo ou não. Procura a visão de pessoas com várias maturidades. E, elas talvez te poderão pessoalmente explicar-te o porquê de eu dizer que há muitos sintomas de "inveja camuflada" nesse teu discurso.

      Reparaste, por exemplo, como trouxeste para o debate o Messi, o Bale e até mesmo o Renato Sanches? Sem sequer equacionares a diferença de contexto de pressão mediática que cada um deles tem?

      Mas, pronto, não vou alongar muito esta conversa. Tenta verdadeiramente ver o ponto de vista do Ronaldo e do Fernando Santos (que também foi duramente criticado). Pensa em como terias feito de melhor e se havia possibilidade de fazer melhor.

      É muito fácil dizer-se que o Ronaldo não deveria ter jogado o microfone para o lago. Mas, ainda não vi ninguém criticar o comportamento pressionante e maldoso dos media, quando a equipa não estava a ter os melhores resultados (empates).

      Achas que isso ajuda ao jogador estar sereno? Se sim, então acho que deveria ver outra vez a entrevista do Éder e perceber o impacto emocional que as críticas têm sobre os jogadores. Estamos a falar do comportamento da imprensa portuguesa numa fase final do europeu. Ali era importante a colaboração e união em prol de Portugal e não o contrário.

      Repara que eu próprio durante o europeu tinha ideias próprias sobre qual o onze que Portugal deveria jogar. E, ninguém me tira da ideia que com o Rafa na esquerda teríamos ganho com um futebol espectáculo... Eh! Eh! Eh!

      Mas, estou a bater no Fernando Santos? Não! Até porque compreendo as decisões dele. Na realidade sei, que há muitas formas de chegar ao sucesso e à vitória de um jogo. O Santos foi por um caminho e deu certo. Eu se calhar iria por outro e quero convencer-me que também traria o caneco para Portugal. Mas, e daí?! Foi estar aqui a massacrar com críticas destrutivas?

      Muito sinceramente, só faz isso quem pouco fez ou quem pouco viveu e como tal sabe pouco da vida e das suas dificuldades. Sabe pouco também das pessoas e das suas personalidades.

      Como leio os teus comentários e vejo alguém com algo mais para dar, estou a pedir-te para tentares ver as coisas de outra forma. Isso só te irá enriquecer-te.

      ;)

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  3. Caro PP,

    Entendo que há mais que fazer na vida do que vir para o computador debater o Ronaldo, por isso, perfeitamente de acordo quanto dar-se por terminado o debate.

    O que de facto é curioso é que chegamos ao ponto de revelares alguma sobranceria e condescendência para com os comentários de alguém "que tem mais para dar", como se fosse o caro PP o dono do tal barómetro da qualidade das opiniões (e o amigo ainda falou dos tiranos, que partilham essa característica visão sobranceira e condescendente para com os seus governados). Não fico ofendido, mas registo que ache que me falta clareza ou até maturidade, sem o caro PP me conhecer nem à minha experiência de vida, para eu ter uma opinião diferente ou por me faltar ver a minha própria inveja. Vou ver se pergunto a alguém mais velho e sábio, para ver se "cresço e apareço" (já agora, na minha terra, é esta a expressão que quis utilizar - não eram necessários tantos rodeios). A ver se vivo mais também e se passo por dificuldades, que, aparentemente, nunca tive, para poder "enriquecer" as minhas opiniões. Ah e se conheço mais profundamente como funcionam as pessoas, também :-)

    (Desculpe usar ironia neste ponto, mas, se me conhecesse como a minha família e íntimos amigos me conhecem, acharia piada também - como, seguramente, eles acharão quando lhes mostrar suas palavras.)

    Quanto ao Fernando Santos, viu-me a criticá-lo "destrutivamente"? Acho que fez o que podia com o que tinha à mão, beneficiando da sorte dos campeões. Mostrou-se sempre tranquilo, mesmo perante a pressão, o que ajuda num líder. O Fernando Santos foi sempre digno e convicto.

    Quanto ao "impacto que as críticas têm nos jogadores", parabéns ao Éder por ter marcado aquele golo Histórico e por ter superado as suas dificuldades. Ainda assim, passou a ser um jogador melhor que o que era antes só porque fez o golo mais importante? Não, as críticas ao JOGADOR Éder (não à sua personalidade) que tenho lido por aí (não escrevi nenhuma, penso, que me lembre), mesmo de outros anos, têm batido certo com o que vejo do jogador. Só que foi, de facto o tipo de atleta certo, colocado no jogo certo, para vencer - mais mérito do Fernando Santos aí, até. No entanto, parabéns ao Éder por desbloquear a História do futebol Português.

    Cumprimentos amistosos,
    Isaías

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    1. E assim te revelaste. O texto foi mesmo dirigido aos invejosos, mas a vida encarreirá de vos educar.

      Quanto a cumprimentos amistosos, lamento, mas cinismo é algo que não fomento. Da mesma forma, lamento se magoei o seu ego.

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    2. «Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
      Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!
      E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
      Génio? Neste momento
      Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu,
      E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
      Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
      Não, não creio em mim.
      Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
      Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?»
      - Álvaro de Campos, excerto de A Tabacaria

      ¯\_(ツ)_/¯

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    3. Cada comentário que fazes, mais me dás razão ao que escrevi.

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  4. Masterpiece23/07/16, 17:11

    Presunção e água benta cada qual toma a que quer!

    Biba o Cristiano Rónaldo caté vai ter o apeadeiro de Santa Cruz com o seu nome.
    Olha que não é inveja, porque já em 1970 lá passei a minha lua de mel :-)

    O que eu me vou rir quando mostrar ao "Rato Mickey" o teu post ...

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    1. Se não é inveja então é mesmo maldade não?

      É que ires correndo a contar ao "Rato Mickey", ele ainda fica sentido por não ter sequer uma estação de metro com o nome dele.

      Haja paciência...

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    2. Masterpiece23/07/16, 23:36

      Para quem viu jogar ao vivo, Eusébio, Coluna, Águas, Simões, Germano, Cavem, José Augusto, Pelé, Júnior, Falcão, Sócrates,Tostão,Rivelino,Pepe,Zito, Mauro, Gilmar, Altafini, e tantos outros astros do futebol mundial, e esteve presente por motivos profissionais nos Mundiais de 74,78,82,86, a bajulação da maioria dos tugas pelo Cristiano Ronaldo diz-me ZERO !

      Quanto à inveja, e porque o tempo urge, gostaria de recordar aqui um apaixonante filósofo do século XIX
      Arthur Shopenhauer :

      " Ninguém é realmente digno de inveja, e tantos são dignos de lástima "


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    3. O teu problema é a bajulação ao Ronaldo... e já agora, a falta de um espelho.

      No fundo foi mais um caso de projecção: «Ninguém é realmente digno de inveja, e tantos são dignos de lástima.»

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  5. Argumentas bem a favor do Ronaldo. No entanto, o que Simões referiu é que não é por andar aos saltos ao lado treinador que se ve do que é feito um capitão.
    Ronaldo no mais importante, nos 90 minutos em que enverga a braçadeira, é um péssimo companheiro e capitão. E isso é o que interessa.
    Andar aos saltos ao lado do treinador, foi apenas um impulso de alguém que vibrou como adepto e português. Aí não vejo mal nenhum. Agora capitão exemplar, tenham respeito pelos enormes líderes que já passaram pelo futebol.

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    1. Mas, que argumento a favor do Ronaldo, jorgen80!?

      O Simões sabe lá se o Ronaldo é um péssimo colega ou não? Ele joga com o Ronaldo? Então porque fala tanto dele? Simplesmente, não vejo nada de positivo que possa acontecer daquilo que disse o Simões.

      Aquilo foi um destilar de ódios e azia. Eu até posso compreender o Simões. Quer dizer, olhando para esta geração que venceu o campeonato da Europa e a geração dele, o talento no tempo dele se calhar era maior, é o que ele deve pensar. Mas, é aí que está errado.

      Ele se refugia nas críticas ao Ronaldo e à sua forma de liderar, mas a verdade é que apesar do descontentamento patente na cara do Ronaldo cada vez que a Hungria se colocava em vantagem, foi dos pés e cabeça dele que Portugal conseguiu empatar... coisa pouca portanto.

      E, onde é que eu já ouvi que um líder é aquele que lidera o caminho?

      O António Simões, se realmente fosse um capitão exemplar, faria como o King e o Monstro, ou seja, chegavam perto do Ronaldo e davam-lhe a dica. Não viriam para a comunicação social mandar recados.

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