27 maio 2016

O Bestial


Depois de ter passado a semana toda a escrever sobre bestas, finalmente apresento um bestial.

Rui Vitória é o vencedor da temporada
Quer se goste ou não do estilo do actual técnico encarnado, foi um dos maiores responsáveis pelo tricampeonato do Benfica. Foi uma temporada sempre em crescendo, batendo recordes de pontos e de golos, uma campanha europeia muito boa, uma saída da taça de Portugal em casa de um adversário forte e após prolongamento, e uma taça da Liga. Obviamente, haverá muito para melhorar, como por exemplo, conquistar a Supertaça, que esta temporada perdeu para o Sporting, ou os resultados nos clássicos. No entanto, para quem chegou à pouco tempo, teve que lidar com a desconfiança de tudo e de todos, a pressão exagerada e permanente do ex-treinador encarnado (e agora treinador de um dos rivais do Benfica), as pressões externas dos bastidores, as lesões prolongadas, a indefinição inicial do plantel, os erros de arbitragem,... o Rui Vitória sempre soube manter a calma, controlar a situação e elevar o nível. E, este é talvez um dos primeiros ensinamentos que podemos retirar do Vitória: é possível estar no futebol com uma postura correcta e integra, sem estar de bicos de pés.



Desengane-se o leitor que esta temporada deveu-se apenas aos jogadores... como o Rui Vitória disse, isto não iria lá apenas com um simples «juntar as mãos» e pronto. Há ali muito trabalho da sua equipa técnica. Não é para todos os treinadores, apresentar níveis de competitividade idênticos nas mais variadas competições. Só para o leitor ter uma real noção, praticamente o onze que defrontou o Bayern Munique, foi o mesmo que tinha defrontado meses antes o Oriental para a fase de grupos da taça da Liga. Como isso é possível? Com uma excelente qualidade do trabalho diário. A nível táctico, também o Rui deu cartas esta temporada. Quem não se lembra do encontro frente em Madrid frente à equipa de Simeone? Ou da luta que deu frente ao poderoso Bayern Munique de Guardiola? Verdade, que a equipa demorou algum tempo a encarreirar, mas quando o conseguiu, mesmo que os jogadores fossem substituídos, quem entrava mantinha o nível. Isto não acontece noutros clubes. Talvez porque neles se treinam sistemas e não os princípios. Por isso mesmo, o comportamento no banco é bem diferente com o Rui. Tudo isto expressa um outro ensinamento de Vitória nesta temporada: para além da gestão de recursos, ele introduz a mudança de paradigma da metodologia de treino via princípios de jogo.

E, por fim, o Rui Vitória foi talvez o treinador de um grande clube em Portugal a entender perfeitamente o que é o paradigma da formação em contexto de alta competição. O trabalho que ele desenvolveu com Nélson Semedo, Victor Lindelöf, Renato Sanches, Gonçalo Guedes - só para enumerar só alguns made in Seixal - foi excelente. E, o que dizer da forma como desenvolveu Pizzi e Lisandro López, por exemplo? Isto revela muita sensibilidade e muito know how sobre como integrar jovens jogadores e recuperar outros mais experientes. Até aqui toda a gente dizia que não era possível ganhar com os jovens. Este é mais um dos ensinamentos que o professor Rui Vitória deixa esta temporada: é possível sim mudar para um paradigma onde a formação desempenha um papel muito importante na renovação da equipa e continuar a vencer e convencer.






P.S.: Por falar de pessoas bestiais, em particular daqueles que passam de bestas a bestiais, o que dizer de José Mourinho? O treinador Português actualmente mais galardoado a nível internacional assinou hoje contrato com o Manchester United. Será que o "Special One" estará de regresso ao estrelado depois de um período conturbado no início da temporada à frente do Chelsea que inclusive ditou o seu despedimento? Era bom para ele e para Portugal que o Mourinho regressasse em força e renovado. No United tem tudo para poder deixar um legado de conquistas e sobretudo uma marca em termos de futebol jogado. E só de saber que no rival de Manchester vai estar um tal de Guardiola...


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