26 dezembro 2012

A segunda linha: Parte I


O jogo de quarta-feira passada, frente ao Olhanense, para a taça da liga, merece um olhar mais crítico sobre a exibição encarnada, nomeadamente àquilo que é a sua "segunda linha" e o trabalho que têm ainda de ser desenvolvido com eles.

Os titulares e os substitutos
Onze titular para Jesus.
Jorge Jesus diz que o Benfica não tem titulares fixos, o que se olharmos para a rotatividade da equipa até podemos considerar que é verdade. Contudo, também é indesmentível que o técnico encarnado tem os seus favoritos, aqueles que sente mais confiança e aqueles que, de uma maneira geral, o modelo de jogo encarnado é construido. Como tal, é natural que em situações normais o onze que o Jesus acabe por apostar seja algo de semelhante com o da figura ao lado.

Este onze titular encarnado, é constituído por um misto de apostas pessoais do técnico (como são Melgarejo, Matic e Enzo Pérez), mas também de fortes investimentos da SAD encarnada (como são o Garay, o Salvio, o Ola e até mesmo o Lima), passando pelas já referências do clube encarnado (como são Artur, Maxi, Luisão e Cardozo).

É um onze baseado num 4-4-2, com capacidade para se transformar num 4-2-4, pois tanto Salvio como Ola John têm escola na linha avançada. Notar que dada a subida dos laterais no terreno, assim como as movimentações da dupla de meio-campo, com o recuo e subida de Matic e Enzo, respectivamente, o 4-4-2 transforma-se num 2-3-3-2.

Luisão, Enzo e Lima são talvez os menos consensuais neste momento nesta equipa titular, daí que mereçam um asterisco ao lado dos seus nomes. 
O capitão encarnado, fruto do castigo que cumpriu no início da temporada, não tem sido titular nesta primeira parte da temporada. Com isso, o brasileiro Jardel soube aproveitar a oportunidade e até fez esquecer o camisola 4 com belíssimas exibições. Contudo, o jogo frente ao Barcelona deu para ver que Jesus prefere o Luisão na defesa titular.

No meio-campo, após a saída do belga Witsel e com as lesões de Carlos Martins, que estava a agarrar a titularidade com uma pré-época muito promissora, e de Pablo Aimar, a escolha recaiu sobre o argentino Enzo Pérez. Tem sido um autêntico motor do meio-campo e uma adaptação feliz por parte do técnico encarnado. Muito sinceramente, e do que conheço do Enzo na Argentina, penso mesmo que descobriu neste Benfica a sua verdadeira posição, posição essa que poderá abrir-lhe portas à sua selecção... Com mais treino, mais jogos e mais rotinas, a tendência é melhorar. No entanto, quando Carlos Martins recuperar, será que o Jesus irá continuar a apostar no argentino como titular?

Lima chegou, viu e venceu! Começou no banco, pois o titular no início da época era o hispano-brasileiro Rodrigo. Pouco a pouco, com boas exibições e golos ganhou o seu espaço na equipa titular. Para mais, o entrosamento que desde cedo demonstrou ter com o goleador-mor Cardozo, demonstrou aos mais cépticos que ambos poderiam coabitar no mesmo onze, apesar de na época passada terem lutado pelo título de melhor marcador da 1ª liga. Como tal, hoje é um titular indiscutível na equipa encarnada.

Onze substituto para Jesus.
Por estes motivos, no onze da figura ao lado, podemos igualmente ver um asterisco sobre os nomes de Jardel, Carlos Martins e Rodrigo.

O onze reservista do Benfica é basicamente o onze que iniciou o jogo com o Olhanense, com a excepção de Enzo que vinha de lesão e , como tal, precisava de ganhar ritmo competitivo. O esquema táctico desse onze é igualmente o 4-4-2 que se transforma num 4-2-4, conforme podemos verificar pela figura.

Contudo, as dinâmicas de uma e de outra equipa são diferentes. Se na equipa titular, os extremos procuram movimentos verticais, na segunda equipa, tanto Nolito como Bruno César, procuram movimentos interiores. Por outro lado, Nico Gaitán, mais do que jogar como um segundo-avançado, como Lima, tem tendência para recuar no terreno, transformando o 4-2-4. numa espécie de 4-2-3-1.

Analisando a segunda linha por sectores, verificamos que na baliza, Paulo Lopes transmite confiança caso haja necessidade para substituir o Artur. Aliás, a bem da verdade, houve um momento em que este até estava em melhor forma que o camisola 1 encarnada. No entanto, o brasileiro recuperou e neste momento merece ser o titular.

No centro da defesa, se Jardel já deu para perceber que poderá ser o substituto de Luisão assim que o Jesus o desejar, já o Sidnei parece-me muitos furos abaixo do que se pede para substituir o argentino Garay. Potencial tem o brasileiro, mas demora muito em transformar isso em realidade. Na lateral esquerda, Luisinho quanto a mim não fica nada a dever ao Melgarejo. Aliás, na minha opinião até prefiro o português. Já na lateral direita, André Almeida desenrasca, mas não tem a mesma dinâmica que o uruguaio Maxi Pereira. Recordar que o português é um médio-centro de formação e que está ainda a adaptar-se à posição e que mesmo assim, no Benfica, também tem jogado a médio-defensivo, quando assim é necessário. É pois um polivalente ainda jovem em busca da sua posição em campo.

Por falar em adaptações, o mesmo acontece com André Gomes no meio-campo. Este jovem jogador, frente ao Olhanense, foi o substituto de Matic. Noutros encontros, foi o substituto de Enzo, uma vez que o argentino, mas também o Carlos Martins e Pablo Aimar estavam lesionados. Atendendo que André Almeida é o preferido para ocupar a posição de lateral direito, o substituto natural de Matic deverá ser mesmo o André Gomes. Até porque Jesus já disse que o jovem português pode fazer todas as posições no centro do meio-campo (médio-defensivo, médio-centro, médio-interior e médio-ofensivo). Ainda no meio-campo, Carlos Martins é a opção para a posição "8", se não for mesmo o titular, conforme já foi escrito acima.

Nas alas desta segunda equipa, estão os habituais titulares da época passada: Nolito e Bruno César. O espanhol joga descaído sobre a esquerda, enquanto o brasileiro sobre a direita. São dois jogadores diferentes dos habituais titulares Salvio e Ola John.

O mesmo se passa com a dupla atacante formada por Rodrigo e Nico Gaitán. Nem o hispano-brasileiro joga de forma idêntica à do Cardozo, nem o argentino tem o mesmo tipo de movimentações de Lima na frente de ataque.


Outras opções
Recordar que na baliza há um jovem na equipa B que está a dar nas vistas e tem legítimas pretensões de espreitar uma oportunidade. Escrevo do jovem guardião Mika.

Miguel Vítor é uma opção defensiva
a ter em conta.
Na defesa, aparentemente, Miguel Vítor parece não ser opção para a equipa técnica que tem preferido apostar no brasileiro Sidnei. Ainda não deu para entender se tal opção tem haver com as recentes lesões do central português, se é por Jesus não ver no jovem capitão encarnado um central com perfil para o "seu" Benfica. E, depois, ainda há aquilo que antevejo ser mais uma novela: a renovação ou não do camisola 27.

João Cancelo, é outro jovem que anda a dar nas vistas na equipa B. Inclusive tem trabalhado com Jorge Jesus e o plantel principal. Penso que ainda não jogou na equipa A, porque demonstra ainda alguma inexperiência na equipa B, apesar das boas prestações. Com um André Almeida a demonstrar polivalência e serviços mínimos na lateral direita, Jesus deverá pensar que mais vale o jovem Cancelo adquirir mais calo e trabalho táctico para futuramente merecer uma oportunidade. Não obstante, dado a vocação ofensiva do jovem encarnado, seria a opção natural a Maxi Pereira.

Ganas não parecem faltar ao jovem
capitão da equipa B, Miguel Rosa.
Na equipa B, residem mais duas alternativas de nível para a equipa A se Jorge Jesus assim o considerar: Leandro Pimenta e Miguel Rosa. O camisola 45 é um médio-centro canhoto que poderá ser uma excelente opção para médio-defensivo, com as características técnicas que se pretende num clube como o Benfica. Em termos físicos, Leandro pode não ter a altura de Matic, André Almeida e de André Gomes, mas tem robustez física para apimentar os duelos com os médios e avançados adversários. Já o camisola 77 e capitão da equipa B, é um autêntico polivalente do meio-campo para a frente. Tanto à esquerda, como à direita, passando pelo centro é um jogador que cumpre com qualidade técnica e garra. Um verdadeiro jogador à Benfica.

Quanto tempo mais vamos ficar sem
o mago da bola?
Já com os problemas nos gémeos recuperado, o argentino Pablo Aimar, é talvez das principais opções para o meio-campo ofensivo e para 2º avançado, que Jesus terá. Resta-nos saber se conseguirá recuperar a titularidade e em caso afirmativo, quem sairá?

Para ponta-de-lança, Jesus pode ainda contar com o Alan Kardec, muito embora encontrará um jogador pouco confiante e sem ritmo de jogo, uma vez que já não marca há vários jogos e para além disso, nem sequer tem jogado de forma regular nos últimos meses. Por outro lado, fala-se da sua saída neste defeso de inverno... Contudo, "AK" é o jogador mais próximo que temos no banco com o Cardozo em termos de jogo de cabeça.


Os problemas da segunda-linha
Um dos maiores problemas da segunda equipa do Benfica vai muito além da natural falta de ritmo competitivo de alguns dos seus atletas. De facto, e conforme já foi mencionado no artigo sobre o sub-rendimento de Nolito, Bruno César e Nico Gaitán, o maior problema prende-se com o afunilamento de jogo ofensivo por parte dos nossos médios-ala e atacantes.

Por outro lado, André Almeida não dá a mesma profundidade e verticalidade que Maxi dá à lateral direita, pelo que agrava ainda mais a tendência para centralizar o jogo atacante encarnado.

Como resolver estes dois problemas?
É sobre isto que escreverei numa próxima.

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