14 dezembro 2012

100 jogos + 1 com Jesus

 
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Nos dias que correm, são poucos os treinadores que se podem dar ao luxo de atingir uma marca tão redonda à frente da mesma equipa, sobretudo, em equipas de topo, onde a dependência de resultados é muito forte. Jorge Jesus é pois um privilegiado no futebol nacional por ter atingido essa gorda marca de 101 jogos para o campeonato com o Benfica. É pois tempo de fazer uma breve análise da sua prestação.


101 jogos no Benfica não é para todos!
Frente ao Sporting, na passada segunda-feira, Jorge Jesus completou 101 jogos no Benfica para o campeonato nacional. Contam-se pelos dedos de uma mão os restantes treinadores que disputaram tantos ou mais jogos na primeira divisão pelos encarnados. São eles: o brasileiro Otto Glória, o sueco Sven-Goran Eriksson, o português Toni, o húngaro Janos Biri e o inglês John Mortimore. Curiosidade é que todos estes treinadores trabalharam durante 5 anos na Luz e foram todos campeões em mais do que uma ocasião. Estando neste momento na sua quarta tempora


Os números de Jesus...
Jorge Jesus consegue ser o treinador português do Benfica com melhor média de pontos por jogo desde os primórdios do campeonato nacional (temporada de 1934/1935). Tendo conseguido 74 vitórias, 15 empates e  12 derrotas, tem neste momento uma média de 2.35 pontos por desafio. Média essa que está ligeiramente acima de Fernando Cabrita, que também conquistou um campeonato pelo Benfica, apesar de não ter terminado a época, já que em 1967/68 foi Otto Glória quem encerrou uma temporada bastante conturbada na Luz, que tinha sido iniciada por Fernando Riera. Jesus também tem melhor média que a do "velho capitão" Mário Wilson - com uma média de 2.26 pontos por jogo, sem contabilizar os jogos em que foi treinador interino. Por este motivo não se contabilizou as prestações de José Augusto, Shéu Han e Fernando Chalana. Notar que a média de Mário Wilson é idêntica a de outro treinador português ao serviço do Benfica: Cândido Tavares. Este orientou as águias na longínqua época de 1951/52, assumindo o cargo à 12ª jornada, após a saída do britânico Ted Smith, alcançando 34 pontos em 15 jogos na principal prova em Portugal. O antecessor de Jesus como técnico português campeão pelo Benfica (e o único a consegui-lo por duas vezes), Toni, tem uma média de 2,06 pontos por jogo, enqunato José Mourinho, O Especial, que teve uma passagem curta pela Luz, fica neste registo bem longe de Jesus, pois tem apenas uma média de 1,89 pontos por jogo.


Das 12 derrotas para o campeonato, 8 delas foram contra: o Porto (4), o Sporting de Braga (2) e o Vitória de Guimarães (2). As restante 4 derrotas foram com: a Académica (1), o Sporting (1), o Nacional (1) e a Naval (1). Destas 12 derrotas, 3 delas foram em casa: duas com o Porto e uma com a Académica.

Claramente que os clássicos com o Porto são os jogos mais difíceis que o Jesus tem de enfrentar para o campeonato. Dos 6 jogos já efectuados com os azuis-e-brancos, averbou 4 derrotas, um empate e apenas uma vitória na Luz. Inclusive, o técnico encarnado tem frente ao Porto no Dragão a sua maior derrota com os 5-0 na temporada de 2010-2011. Já agora, se há estádio onde o Jesus nunca ganhou como técnico encarnado, foi no Dragão. Aqui o máximo que conseguiu foi um empate na época passada a dois golos. Em 18 pontos, apenas conseguimos 4 frente ao Porto, i.e., 22% de êxito.

O cada vez mais "novo clássico" nacional, o Benfica - Braga, é outro dos jogos em que o Jesus tem muitas dificuldades. Em Braga, o técnico encarnado também nunca ganhou como treinador do Benfica, detendo duas derrotas e um empate. O Sporting de Braga acaba por ter um parcial interessante com o Benfica, pois dos 7 jogos realizados, tem 2 derrotas, dois empates e três vitórias caseiras, ou seja, o mesmo número de pontos. Em 21 pontos, conseguimos fazer 8, i.e., 38% de êxito.

Nas últimas duas temporadas, o estádio D. Afonso Henriques, em Guimarães, tem sido outro dos campos em que Jorge Jesus e a sua equipa não têm conseguido extrair qualquer ponto. Em 7 jogos, temos 5 vitórias (4 delas na Luz) e duas derrotas frente ao Vitória de Guimarães. Isto perfaz 15 pontos em 21 possíveis, ou seja, 71% de êxito.

Dos 15 empates para o campeonato, 4 deles foram caseiros: Marítimo (1), Portimonense (1), Leiria (1) e o já referido Sporting de Braga (1). Os restantes 11 empates fora de casa foram contra: Olhanense (3), Académica (2), o Rio Ave (1), o Vitória de Setúbal (1), o Gil Vicente (1), o Sporting (1) e os já referidos Porto (1) e Sporting de Braga (1).

Notar que Jesus passa as "passas do Algarve" sempre que defronta o "seu" Olhanense fora. Em 3 deslocações a Olhão, o Benfica nunca conseguiu vencer com Jesus ao comando dos encarnados. Em 7 jogos, o Benfica averba 4 vitórias e 3 empates, o que perfaz 15 pontos em 21 possíveis, i.e., 71% de êxito.

Outro campo que recentemente tem-se tornado bastante problemático tem sido em Coimbra. Nas últimas duas temporadas, o Benfica não consegue passar com distinção o exame de Coimbra. Em 7 jogos já realizados, o Benfica averbou 4 vitórias (2 na Luz e 2 na cidade dos estudantes), dois empates (em Coimbra) e uma derrota (em Lisboa), totalizando em 14 pontos em 21 possíveis, ou seja, 67% de êxito.

Já agora, é curioso como desses 15 empates, 4 deles foram todos na primeira jornada, nos últimos 4 anos... Há pois, muito espaço para o Jesus melhorar, não só às equipas mais pequenas, mas sobretudo frente às maiores.

Já agora, em termos de dérbis lisboetas, o Benfica de Jesus leva claramente a melhor sobre os leões de Alvalade. Em 7 encontros para o campeonato, o técnico encarnado conseguiu vencer 5 (todos os disputados na Luz e 2 em Alvalade), empatou um e perdeu outro (ambos em Alvalade). Em 21 pontos possíveis fez 16 pontos, o que perfaz uma percentagem de êxito a rondar os 76%.

Ao todo, Jorge Jesus acaba por ter 73% de vitórias, 15% de empates e 12% de derrotas nos 101 jogos já disputados. Em termos de estatística da equipa, o Benfica de Jesus é uma equipa que marca em média 2 golos e sofre 1 tento por encontro (respectivamente, 2.31 golos marcados por jogo e 0.84 golos sofridos por jogo). É uma estatística deveras positiva que se confirmasse em todos os jogos permitiria-nos ganharmos todos os encontros. No entanto, não é isso que se passa. Como já foi acima abordado, a maior derrota de Jesus no Benfica para o campeonato foi os 5-0 frente ao Porto. Por oposição, a maior vitória encarnada para o campeonato foi a dos 8-1 frente ao Vitória de Setúbal, logo na sua época de estreia pelo Benfica. Aliás, nos últimos anos, esta foi a vitória mais expressiva em todos os jogos da 1ª Liga.

Em termos de disciplina, para o campeonato, a equipa de Jesus apresenta cerca de 3 cartões amarelos por encontro (mais concretamente 2.66 amarelos/jogo) e em cada 10 jogos temos um jogador expulso por acumulação de amarelos e em cada 13 temos um que é expulso com vermelho directo. Penso que em termos de amarelos podemos fazer mais e melhor, mas considero que reflecte um pouco o estilo de jogo encarnado, que jogando com apenas dois médios-centro e com muitas alterações no onze titular de época para época, é incapaz de desenvolver rotinas de entrosamento com o grau de exigência que o estilo de jogo do Benfica de Jesus pretende.


O futuro de Jesus...
É verdade que o "Jota-Jota" tem valorizado imensos jogadores ao longo destas três épocas à frente do Benfica. Contudo, também não é menos verdade que tem sido o treinador com mais recursos colocados à sua disposição para vencer e um dos treinadores mais bem pagos. Porém, em três temporadas de águia ao peito, só venceu apenas um campeonato.
 
Se é verdade que um clube que aposte na continuidade acaba por colher frutos a médio e longo prazo, pois tudo leva o seu tempo para construir, também não é menos verdade que um clube glorioso como o Benfica não pode passar tanto tempo sem vencer títulos importantes, como é o caso do título nacional. Por esse motivo, penso que é importante sentir no Jesus um espírito de querer mais e melhor para a sua equipa e mais do que palavras ver acções. Nessa óptica, o presente campeonato acaba por ser uma espécie de "prova dos noves" da continuidade do técnico português no Benfica.
 
Para que a sua permanência comece desde já a ser cimentada, que amanhã consiga vencer o Marítimo e melhore desde já a sua performance frente à equipa insular, que foi a primeira equipa a roubar-lhe pontos, logo na primeira jornada da sua época de estreia...


Algumas mudanças...
É notório a alteração do discurso de Jorge Jesus, sobretudo, da temporada passada para a actual. O discurso após o jogo frente ao Sporting é um claro exemplo dessa evolução. Nele vimos um treinador mais pragmático, com os pés assentes no chão, e a fazer uma leitura equidistante dos factos reportados no jogo. Hoje, e em jeito de previsão do jogo frente ao Marítimo sai-se com um «Mais importante é acabar a época desportiva em primeiro e não o ano civil». Com isto pretendeu, e bem, não sobrecarregar a pressão da liderança à sua equipa. Na época passada a reacção teria sido outra...




PS: Em que condições vocês acham que o Jesus deveria renovar pelo Benfica?

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