14 dezembro 2016

Sabem o que une o Rául ao Semedo...


A perceção!


Perceção Externa
Já algum tempo que tenho reparado no fato do avançado internacional mexicano, ser um pouco vítima da perceção externa que se tem dele. Seja ela por parte dos adeptos encarnados, como de adversários e até mesmo de suposta opinião especializada generalista. É uma perceção motivada pela cultura futebolística nacional das pessoas e pela norma que muitos têm sobre o que deve ser um avançado ponta-de-lança do Benfica. O mais engraçado, é que por momento algum questionam se poderá haver outras visões. Para este grupo, a visão delas é a que está certa. No entanto, é uma visão muito limitada e circunscrita a um contexto que pode já não ser o mesmo. E, é exactamente isso que acontece. O contexto atual no mundo do futebol, já não requer um pinheiro dentro de campo. Requer sim um avançado completo, sobretudo, nestes jogos mais renhidos. Por isso, as pessoas não dão importância e até desvalorizam o trabalho do Raúl na frente de ataque. Dizem que «corre muito» ou é muito «esforçado», quando deveria era «fixar-se entre os centrais adversários». Não percebem que se não saísse da sua posição, o primeiro golo de contra-ataque do Benfica jamais existiria, pois a sua descida para meio-campo, atraindo dois ou três jogadores leoninos, foi o que libertou Gonçalo Guedes para poder desenhar esse contra-ataque, culminando na assistência em trivela do Rafa para a finalização do Toto. Depois, a maioria também diz que o mexicano «nunca está na pequena-área». Então o que dizer do lance do segundo golo encarnado? Onde estava o Raúl? Uma coisa é estar lá sempre. Outra é aparecer sempre que necessário. O futebol atual requer este segundo comportamento, porque hoje em dia o desequilíbrio é feito mais pelo trabalho de equipa que propriamente pelo individualismo.


Perceção Interna
Se no caso do Raúl o problema é da perceção externa, no caso do Nelsinho a problemática já é interna. Se analisarmos bem o lance do golo do Sporting, reparamos que ele nasce de uma situação de 1 para 3 do Joel Campbell contra o Cervi, o Fejsa e o lateral direito encarnado. Os dois primeiros, fazem a pressão inicial, encaminhado o costa-riquenho para a linha de fundo, tampando assim qualquer possibilidade deste poder atacar o corredor central, mas também montando a armadilha perfeita para o Nélson Semedo poder facilmente recuperar a bola. Contudo, o internacional português, não teve a perceção correcta do que os colegas estavam a fazer, tendo reagido muito tarde ao lance e até ter adoptado um posicionamento incorrecto nesse lance. Esta perceção interna incorrecta pode ser motivada por diversos factores. No caso do camisola 50 encarnado, tenho reparado que pela noção exacta das suas capacidades físicas serem superiores à maioria dos adversários, ele tende a sobrevalorizar-las. Por outras palavras, perante um adversário de dimensão física idêntica, leia-se potência e velocidade, ele tende a subestimar estes. Isto é algo que acontece quase inconscientemente. E, é exactamente por isso, que o jogador deve tomar consciência, para evitar este tipo de situações. Outros factores que podem motivar esta perceção interna é o cansaço físico. O Nélson é o jogador encarnado com mais minutos esta temporada e na última semana, sente-se claramente uma quebra de rendimento no seu jogo a partir da hora de jogo. Isso contribui para quando sem bola não ser mais exigente com o seu posicionamento, para poder gerir o esforço dizendo inconscientemente para ele próprio o seguinte: «em caso de necessidade eu sei que sou mais potente e veloz que a maioria dos jogadores, portanto, poderei ir buscá-los». O problema é que isso quase nunca acontece. Fica aqui o aviso e uma outra perspectiva. Mas, agora, fiquem aqui com os golos relatados do dérbi, para confirmarem com os vossos olhos um pouco do que foi escrito aqui.



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