01 novembro 2014

9ª Jornada: Benfica - Rio Ave


Em noite de dia das bruxas, só deu Talisca!

O jogo
Sucintamente, podemos descrever o jogo da seguinte forma: Benfica a atacar e o Rio Ave a espreitar o contra-ataque. O Benfica com dificuldades na construção de jogo e na troca de bola no último terço do terreno e o Rio Ave com dificuldades nas saídas para o ataque-rápido e nas mudanças de ritmo de jogo. Jogo decidido por um remate cheio de efeito bruxedo! (O que para uns é bruxedo, para outros é magia...)

Na noite das bruxas o terror das balizas foi mesmo o brasileiro Talisca!

Os males que vêm por bem
Após a derrota em Braga e os pontos negativos que essa exibição demonstrou no colectivo encarnado, estava muito curioso para ver como Jorge Jesus iria montar a sua equipa para este encontro. Tenho quase a certeza que devido à lesão de última hora do internacional português Eliseu, mas também da lesão de Gaitán, que a estratégia montada durante a semana não foi totalmente aplicada... pelo menos no onze titular!

No entanto, as surpresas no onze surtiram o devido efeito. O guardião brasileiro Júlio César esteve muito seguro e marcou presença sempre que foi chamado a intervir. Um excelente regresso face a uma segunda volta da fase de grupos da Liga dos Campeões que se exige de altíssimo nível para as aspirações encarnadas nessa prova. Com o lesionado Eliseu de fora, Jesus colocou o polivalente André Almeida, que apesar de um ou outro erro, teve uma actuação francamente positiva. E, para o lugar do lesionado Gaitán, reposicionou o Talisca à esquerda e fez entrar Jonas para a posição de falso 9.

Com um lateral esquerdo destro e um Talisca com tendência para o espaço interior, é com naturalidade que o sistema encarnado apresentasse uma grande assimetria na forma de atacar e defender. Ou seja, o Benfica atacou muito mais pelo flanco direito do que pelo flanco esquerdo. E, com jogadores como Maxi e Salvio na direita, até foi positivo, pois o equilíbrio defensivo estava quase sempre lá. Com estas mudanças do elenco e devido à forma de jogar dos substitutos, Jorge Jesus quase que "achou" a fórmula de sucesso. Pelo menos no que se refere aos equilíbrios defensivos. Por exemplo, os erros posicionais de Samaris e de Lisandro Lopez foram compensados quase sempre pelo homem extra lá atrás e a meio-campo - André Almeida e Talisca, respectivamente.

Quanto aos equilíbrios ofensivos, ainda há muito que trabalhar. Mas, penso que onde reside o maior problema é na falta de ligação de Salvio e Lima com o resto da equipa. Eu gostei imenso da dinâmica de Talisca e Jonas na primeira parte. Foi uma pena que quando a bola chegava a Salvio, este tinha tendência para retê-la muito tempo nos seus pés. Aliás, já repararam que o argentino quase nunca joga de primeira para os colegas? Continuo a pensar que o Jesus deveria exigir mais dele! Já sobre o Lima, vejo ele a movimentar-se, a dar profundidade e largura sempre que a equipa precisa. Tem tido também algum azar à frente da baliza, pois ontem foi por pouco que não marcou nas suas duas oportunidades. No entanto, com Jonas, mais o Talisca e ainda mais o Salvio a derivar para zonas frontais, torna-se muita gente a querer fazer as funções do Lima. Das três uma, ou o luso-brasileiro começa a marcar e o resto da equipa começa a sentir a sua importância, ou o Jesus exige que a equipa jogue mais para o seu avançado referência, ou então o Lima irá sair do onze titular, mais tarde, ou mais cedo...

Análise táctica: 4-1-3-2 assimétrico e com sistema de pares.

O que o Talisca tem?
Perguntava assim em jeito musical o comentador da Benfica TV, Hélder Conduto, após o portentoso golo de Talisca. Tem golo, tem! Mas, tem muito mais. Ao contrário de muitos críticos, eu considero bem positiva a exibição de Talisca na esquerda do meio-campo. As críticas prendem-se com o facto de as pessoas pretenderem um extremo esquerdo que finte o lateral e vá à linha cruzar. Talisca é mais pensador. Ele na esquerda, com um lateral esquerdo de raiz e ofensivo, é bem capaz de deslumbrar. Mais, assim o Benfica ganha o tal terceiro médio que ajude o aflito Samaris a encontrar mais linhas de passe na primeira fase de construção. Para além disso, Talisca mais descaído na esquerda poderá receber a bola praticamente de perfil e de frente para a baliza adversária, ao invés de receber de costas como tem feito jogando a "9,5". Poderá também fazer cruzamentos ou passes venenosos para as entras diagonais de Jonas, Lima, Salvio e até mesmo de Gaitán.




P.S.: Fui só eu a ver algo de Yaya Touré no golo de Talisca ontem à noite na Luz?

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