07 agosto 2018

Começa hoje...


... do que se espera de 4 jogos rumo à fase final da Champions.


Começa esta noite a caminhada dos milhões. Uma caminhada no qual o Benfica defrontará a experiente equipa do Fenerbahçe e que se passar à próxima fase, irá disputar o play-off de acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões com o vencedor do confronto da outra partida da 3ª pré-eliminatória (league path) entre os gregos do PAOK e os russos do Spartak Moskva. Portanto, para termos acesso aos 43M€ em jogo, teremos que suar muito e, ao contrário, do que aparentemente pouco se tem falado, estes jogos, não são de todo favas contadas. Mas, vamos por partes...


Em primeiro lugar, a equipa turca é uma das 4 grandes equipas de Istambul (Galatasaray, Fenerbahçe, Besiktas e Basaksehir). Tem já uma enorme experiência internacional fruto das recentes campanhas europeias. É comandada por um treinador holandês que fez carreira em Barcelona, o Phillip Cocu, que por sua vez lidera uma equipa recheada de veteranas estrelas do futebol profissional de elite. Logo na baliza, temos um dos símbolos da selecção turca, o Volkan (36 anos), que tem como concorrência, o camaronês Carlos Kameni (34 anos). Depois na defesa, Maurício Isla (30 anos) e internacional chileno que para muitos adeptos encarnados era capaz de ser uma melhor opção do que o nosso André Almeida, não é verdade? E para seu suplente, se bem que este jogue melhor mais à frente do lateral, está o experiente marroquino (32 anos) Nabil Dirar. Como esteio defensivo temos o eslovaco Skrtel (33 anos) que terá como companheiro de sector o russo Roman Neustadter (30 anos), conhecido da Bundesliga quando actuava no Schalke 04. Como lateral esquerdo, têm o internacional turco Ali Kaldirim (28 anos). Mais à frente, mais um experiente internacional A turco, o Mehmet Topal (32 anos), que é uma espécie de Fejsa daquela equipa. Ao seu lado, mas com funções mais ofensivas, Cocu tem apostado no também internacional turco Potuk (27 anos) e no criativo brasileiro Giuliano (28 anos) que tenderá a combinar muito com o polémico francês Valbuena (33 anos). No ataque, a referência é o espanhol Soldado (33 anos), mas o técnico holandês tem agora uma nova solução recém contratada à EPL: o ganês André Ayew (28 anos). Isto para não falar no miúdo coqueluche turco Baris Alici (21 anos).


Claramente é uma equipa experiente e isso pode ser mau ou bom para nós. Depende da forma como nos preparámos. Mau, porque se formos muito ingénuos na abordagem táctica, os experientes jogadores turcos poderão retirar muito proveito da sua ratice. Será muito perigoso deixarmos eles marcarem primeiro. Não só porque conta como golo fora para eles, como será muito difícil jogar com jogadores muito organizados e experientes. Bom, porque nesta fase da temporada os jogadores mais veteranos têm enormes dificuldades em entrar no ritmo competitivo adequado. Se formos intensos, forçando o erro por parte dos turcos, depois aplicar uma boa circulação da posse de bola, poderemos fazer moça em termos físicos sobre o adversário, o que permitirá a abertura de espaços e consequente aproveitamento para finalizar. Temos de ter atenção é para não deixarmos-los contra-atacar. Aqui a jogada ensaiada será bola dada de Giuliano para Valbuena e este aplicar a variação do flanco de jogo da esquerda para a direita, onde a seta Dirar deverá aparecer para cruzar para a finalização de Soldado.








Do ponto de vista do Benfica, provavelmente o Rui Vitória vai utilizar (e mal) o mesmo onze que entrou frente ao Lyon. Pessoalmente, o Rúben Dias não está em condições físicas ideais. Depois o Gedson não é, neste momento, o jogador certo para aquela função no meio-campo. Apostaria então em Conti para acompanhar o Jardel no centro da defesa e colocaria o Alfa Semedo no meio-campo ao lado de Pizzi e estes dois um pouco mais à frente de Fejsa. Tacticamente, jogaria com a linha defensiva bem subida no terreno, pois não acho que em 30 ou 40 metros o Valbuena, o Saldado e o Dirar sejam muito mais velozes que os nossos defesas. Agora, em 10 ou 15 metros, podem ter a tal vantagem devido à aceleração e mudança de velocidade no curto espaço. Por outro lado, uma defesa mais subida, permite uma reacção à perda mais rápida e mais energética. Jogando com Cervi e Salvio encostados na ala na primeira e segunda fase de construção de jogo, o quarteto turco ficaria um pouco exposto, uma vez que não é muito rápido. Os espaços entre jogadores nessa linha defensiva poderiam ser aproveitados quer pelas subidas dos nossos interiores (sobretudo do Alfa), como dos nossos laterais (Almeida e Grimaldo). Lá na frente, a minha aposta seria no Castillo, pois quero que ele encoste nos centrais e os arraste para a sua grande área. Penso que temos muita qualidade e jogadores que naquela fase em que as pernas começam a fraquejar, têm mais força de vontade para jogar do que o adversário e isso pode ser decisivo. 


Por fim, uma nota final. É nestas equipas turcas que se vê o quanto o futebol português perdeu nos últimos anos. Antes as nossas melhores equipas conseguiam captar estes craques mais veteranos em catadupa. Hoje isso já não acontece, graças a um regime fiscal muito mais benéfico para que se pratique melhores vencimentos para atrair estes atletas. Por um lado isso é bom, pois faz com que os nossos clubes tenham-se que virar para a formação e exportação de talento nacional. Por outro lado é mau, pois estes jogadores trazem experiência necessária para que os nossos clubes possam manter-se na elite dos melhores e não ficarem cada vez mais na periferia do futebol europeu. A meu ver um equilíbrio será necessário no médio prazo, algo que os clubes nacionais profissionais deveriam desde já estudar e procurar diálogos até mesmo com o Estado (regime fiscal próprio).


O meu onze titular frente ao Fenerbahçe, para logo à noite.

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