15 novembro 2012

Saber gerir um plantel


O último jogo do campeonato, fez mais uma série de vítimas, muito por causa do desgastante jogo a meio da semana para a Liga dos Campeões, mas também em parte a uma estratégia e táctica de jogo que promove esse mesmo desgaste. Saber lidar com isto é essencial! E ter cabeça, também!

Se o Enzo não estava no seu melhor
em termos físicos, porque é que se
forçou a sua utilização agravando a
sua condição física?
Frente ao Rio Ave, o departamento médico da Luz ganhou novos pacientes, para além dos já residentes Maxi Pereira, Carlos Martins e Pablo Aimar. Falo de Salvio (entorse da tibiotársica esquerda), de Garay (mialgia na face posterior da coxa esquerda) e de Enzo Pérez (mialgia na face posterior da perna direita e da perna esquerda). Estes dois últimos foram inclusive dispensados dos trabalhos das suas selecções. No final da partida, o técnico encarnado também incluía na lista de queixosos o paraguaio Melgarejo e o português André Almeida.

André Almeida foi o maratonista em
campo no jogo frente ao Spartak. Por
isso, não é de admirar o menor
fôlego frente ao Rio Ave.
Quanto a mim não é de admirar! Se olharmos para os registos dos últimos jogos, não só a nível de utilização, mas também em termos de desgaste, verificamos que é algo natural que o Melgarejo (recém recuperado de uma lesão) e André Almeida (com poucos minutos de jogo nas pernas) se sintam cansados depois destes jogos de grande intensidade. Por outro lado, Salvio tem sido titularíssimo neste Benfica de Jesus e atendendo ao seu estilo de jogo, considero normal que ele mais tarde ou mais cedo tivesse uma recaída. Da mesma forma, interpreto as mialgias de esforço do Enzo e do Garay, dois dos "apaga-fogos" de serviço na estratégia de Jesus.

Nico Gaitán poderia perfeitamente ter
o titular em vez do Salvio, para este
encontro ao invés de só ter entrado
após a lesão do 18 encarnado.
Olhando um pouco para trás, nomeadamente para o após jogo de quarta-feira, em que já era notório o desgaste físico de Melgarejo e de Salvio, não os teria utilizado em campo no jogo do passado Domingo. Ainda para mais, quando Luisinho tem sido uma excelente alternativa ao paraguaio e Nico Gaitán já está apto para jogar e ainda temos Nolito pronto a entrar. Relativamente ao Enzo e ao André Almeida, poderia ter-se feito uma gestão de utilização parcial, dado a necessidade de jogadores para as suas posições devido a lesões (Maxi, Martins e Aimar) e castigos (André Gomes). Aliás, foi isso que defendi ao eleger o meu onze.

Sabendo dos condicionantes do
André Almeida, do Enzo, do João
Cancelo, Jorge Jesus poderia ter
preparado melhor a utilização de
Miguel Vítor como lateral direito.
Poderei até compreender que o Jesus não tenha tido tempo para preparar como deve de ser o jogo frente ao Rio Ave, pois na quarta-feira jogou frente ao Spartak. Daí que entenda a utilização do onze mais parecido que defrontou com sucesso os russos - praticamente as únicas alterações foram a inclusão de Matic a meio-campo e a substituição do lesionado Maxi pelo André Almeida. Contudo, os sinais de fadiga eram demasiado evidentes e com tanta qualidade no plantel, penso que não havia a necessidade de arriscar tanto, sobretudo, nas alas.

Não entendo porque é que Jesus
preferiu utilizar o Melgarejo com
sinais de fadiga claras, e não ter
apostado no Luisinho que tem
estado em excelente plano.
O tempo em que havia um onze titular e outros tantos reservas já lá vai. Acredito que essa até possa ser a realidade de muitos clubes, mas não de um clube de topo. Basta olharmos para os maiores clubes das maiores ligas europeias e vermos a elevada rotatividade de jogadores no onze titular. É óbvio que tal poderá causar vários dissabores, mas também é por aí que se mede a qualidade de um treinador de futebol, pois se o sistema que ele impôs ao plantel for o melhor, os seus jogadores não terão dificuldades nenhumas em entender e identificarem-se com esse modelo de jogo.

Jorge Jesus tem de reflectir bem nos
sinais que a sua equipa começa a dar,
pois é neles que encerram os erros
estratégicos e tácticos do Benfica.
No entanto, penso que este problema de lesões deste Benfica do Jesus, não é apenas maior rotatividade no plantel. Penso mesmo que muitas das ideias de jogo não são plausíveis e levam mais rapidamente a uma situação de exaustão física dos seus atletas. Já repararam que o Benfica raramente consegue controlar o ritmo de jogo, ou seja, o Benfica até consegue acelerar, mas e abrandar para a equipa respirar e ganhar novo fôlego? Não! O que acontece é invariavelmente muitas perdas de bola ou saídas em bola longa para a corrida desgastante de um ou outro jogador... não é assim que se controla um jogo e a energia que cada atleta despende num jogo. Por isso mesmo, não admiro de ver tantas lesões no plantel encarnado.

Penso que esta temática merece uma reflexão mais cuidada pela equipa técnica encarnada, para que por exemplo, não aconteça novamente em Fevereiro/Março as conhecidas quebras físicas...

2 comentários:

  1. Vai rebentar petardos pa.

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    1. Caro Anónimo,

      Não acha que com maior acerto na rotação da equipa e com maior trabalho na correcção da estratégia e estilo de jogo encarnado, que não teríamos tantas e tantas lesões e fadigas musculares?

      Sabe por acaso quanto demora a cura de uma simples mialgia, no cidadão comum? 2 a 4 semanas...

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