26 novembro 2012

10 jornadas... 10 reflexões



À décima jornada, o primeiro terço de campeonato está concluído, logo é tempo de fazer uma primeira avaliação do nosso percurso na primeira liga nacional.


Onze encarnado que defrontou o Sporting de Braga na
1ª jornada da 1ª Liga Portuguesa.
2 empates e 8 vitórias, sendo que estamos numa corrente de 6 vitórias seguidas...
Muitos poderão dizer que estamos no bom caminho e de facto em termos de resultados é verdade. Agora, em termos de exibições, estas não nos têm deslumbrado. Algumas estatísticas, que acabam por reflectir o estado da equipa, deveriam estar muito melhor, até pela diferença de valores dos nossos jogadores com os restantes da primeira liga.

1.
É preciso contrariar a estatística de golos sofridos.
Temos 6 golos sofridos em 10 jornadas. Isto dá uma média de 0.6 golos sofridos por jogo (que arredondado às unidades dá 1 golo sofrido por jogo...) E, isto numa defesa em que temos muito provavelmente o melhor guarda-redes do campeonato e dois dos melhores centrais a actuar no país. Aliás, o nosso quarteto defensivo titular é todo ele internacional A pelos seus países. Se os nossos mais directos adversários têm iguais ou piores estatísticas, pouco nos interessa. Devemos ter sempre uma meta para cumprir e a meu ver essa meta deveria estar abaixo dos 0.5 golos sofridos por jogo. Inclusive, vou mais longe e colocaria a fasquia nos 0.2 golos sofridos por jogo, ou seja, apenas um golo sofrido em cada série de 5 jogos.

2.
O imbatível Artur e a aposta segura de Paulo Lopes.
Espero que a corrente de 446 minutos sem sofrer golos para o campeonato do Artur, possa continuar por muitos mais jogos. É um claro sinal de que estamos a melhorar em termos defensivos. Mas, atenção! A comunicação social já começou a realçar este facto, atiçando a equipa encarnada para quebrar o recorde europeu que está a 78 minutos de distância (por outro lado, é poderá estar atiçar o ataque leonino, pois o próximo encontro do Benfica será frente ao Sporting, no "derbie" lisboeta disputado em Alvalade).
Paulo Lopes, foi uma das grandes contratações do Benfica esta temporada. Quanto a mim poderia muito bem ser o titular do Benfica, pois teve exibições excelentes sempre que foi chamado à equipa. A meu ver até joga melhor com os pés do que o brasileiro. Contratado a custo zero e sendo um produto da formação do Benfica, foi com bons olhos que o vi a envergar como titular o manto sagrado aos 34 anos e fazer uma exibição imaculada. Segurança deverá ser seu apelido.

3.
A revelação Jardel, o regresso do Luisão e a elegância de Garay.
Um dos principais responsáveis pela melhoria da nossa defesa é o brasileiro Jardel. Até ao regresso, após castigo, do capitão Luisão, era com ele que o Benfica conseguia não sofrer golos. Quando joga ao lado do argentino Garay, formam quanto a mim a melhor dupla de centrais do Benfica, e quiçá do campeonato. Agora, com o regresso do capitão Luisão, penso que Jorge Jesus só terá boas dores de cabeça para saber qual a dupla de centrais a entrar em campo. Já agora, será pedir muito a Jesus para dar uma oportunidade ao Miguel Vítor? É que o miúdo até tem talento...

4.
Falta-nos saber gerir os ritmos de jogo.
As nossas linhas intermédia e avançada, sempre que apanham a bola nos seus pés, só tem uma coisa na cabeça: "ir para cima da defensiva adversária". Ora, nem sempre isso é possível, pois o adversário também é organizado. Nessas situações, um pouco de paciência e saber jogar atrás ajuda e de que maneira. Mas, não só! É preciso mais movimentações, criando linhas de passe para colegas, mas também espaço para outros companheiros aparecerem.
Outro defeito que aponto, é que muitas vezes tanto os nossos médios como os nossos avançados agarram-se demasiado à bola, quando poderiam com um ou dois toques aumentar o ritmo de jogo e com isso criar os espaços de ruptura por onde poderão atacar.


5.
Da aposta Matic e da invenção Enzo até à importância da equipa B e da adaptação de Bruno César, na renovação do meio-campo.
Realçar que o Benfica vendeu Javi Garcia e Witsel já a liga tinha começado. Se a opção Matic era natural, com as lesões de Aimar e de Carlos Martins, a posição "8" necessitava de uma solução e Jesus "inventou-la", ou melhor, descobriu a verdadeira posição de Enzo Pérez no Benfica. De facto, após um período de adaptação, que também ajuda a explicar os nossos problemas defensivos iniciais, Enzo tem assumido como um dos principais "motores" da equipa encarnada. Já o sérvio, tem sido dois jogadores num só, naquele meio-campo. Está ali um grande activo para a SAD encarnada num próximo defeso.
No entanto, a equipa precisava de ter alguém no banco para suprimir uma possível necessidade no sector intermediário. Qual a solução? Simples: recorrer à equipa B e adaptar Bruno César à posição "8".
A equipa de Norton de Matos cedeu os seus dois Andrés do meio-campo: o André Almeida e o André Gomes. Se o primeiro já conhecíamos da época passada, já o benjamim Gomes, nem por isso. Mas, a sua estreia transformaram-no na nova «coqueluche» da Luz. Penso que teremos jogador... Voltando ao André Almeida, depois de meia-época pouco convincente a lateral direito, esta temporada tanto nessa posição como na de médio-defensivo tem estado bem e a cumprir.
O internacional brasileiro, Bruno César, depois de uma temporada como falso médio-ala/extremo direito a bom nível, começou a ser utilizado no lado esquerdo, onde acaba por não conseguir atingir o mesmo nível. Ultimamente, Jesus tem-no colocado a fazer a posição do Enzo... e após uns jogos de adaptação, até que o rapaz tem conseguido mostrar algo. A rever, portanto! Embora, continue a pensar que o lugar dele possa ser de "10" ou de segundo avançado, para aproveitar a sua capacidade rematadora e finalizadora.

6.
É necessário melhorar a nossa taxa de concretização.
É verdade que a nossa média de golos marcados por jogo é das mais elevadas da primeira liga, com 2.5 golos marcados/jogo (que arredondado às unidades dá 3 golos marcados por jogo). Contudo, não somos muito melhores que os nossos rivais. Aliás, com a vitória do Porto ontem, estes acabam por ter esta estatística melhor que a nossa, ao fim destas primeiras 10 jornadas. Reparem, que devemos ser competitivos a este ponto, pois à primeira oportunidade estes parâmetros serão ressaltados pelos media, conforme já vamos verificando. E isso é uma forma de criar pressões e de fazer "mind games". Não é à toa que eles fazem muita publicidade e campanha para que os seus jogadores sejam botas de prata, os reis das assistências, a defesa menos batida, etc.
No jogo frente ao Olhanense, até tivemos várias oportunidades de concretizar. No entanto, continuamos a falhar golos atrás de golos, o que poderá sair-nos caro!
Penso também que temos de melhorar os movimentos dos nossos avançados. Muitas vezes ficam muito próximos um do outro, ou então tendem a desmarcarem-se para a mesma posição de finalização. Invariavelmente o primeiro poste fica sempre sem nenhum dos nossos avançados. Isto só se corrige com treino e alertas aos nossos avançados.
Outro ponto a melhorar tem de ser no entrosamento e nas combinações entre ambos. Gosto da dinâmica entre Lima e Cardozo, mas já não gosto qualquer um deles com Rodrigo. Há pois trabalho para ser feito aqui.

7.
Do candidato a bola de prata Cardozo até ao incompreendido Rodrigo, passando pelo fantástico Lima.
Face ao nosso caudal ofensivo, Cardozo tem de ter melhores números. Actualmente tem 0.88 golos marcados por jogo (GMJ), pois actuou em 8 encontros na primeira liga e facturou 7 golos. Se considerarmos que dos 7 que marcou 4 foram de penalti  essa estatística baixa para 0.38 golos por jogo, o que é insatisfatório. Sobretudo se compararmos com os seus directos adversários, como são o Éder (0.75 GMJ), James Rodríguez (0.70 GMJ), João Tomás (0.78 GMJ), Meyong (0.90 GMJ incluindo penaltis e   0.5 GMJ excluindo penaltis), Jackson Martínez (0.90 GMJ incluindo penaltis e 0.80 GMJ sem contabilizar penaltis) e o colega de equipa Lima (0.67 GMJ). Daí, a minha crítica inicial para com o paraguaio. Nota: só o faço porque vejo nele potencial para mais, muito mais. Pode bater recordes de forma inequívoca a nível nacional e no clube. Só precisa de mudar de atitude. Jogar cada encontro como se fosse uma final da Liga dos Campeões. Ontem, ao ver o jogo entre o Levante e o Barcelona, a contar para a liga espanhola, o que mais realçou foi a "fome" de golos que o Messi tinha e demonstrou durante os 90 minutos. É isso que gostaria de ver no Tacuára! Por isso mesmo fica aqui o desafio, caso ele queira aceitar: se o João Tomás e o Meyong conseguem fazer "hat-tricks", quando é que fazes um, Cardozo?
Por falar de Cardozo, apenas uma nota muito positiva para Lima que tem vindo a ser cada vez mais fundamental na manobra ofensiva do Benfica. Quantos de vós é que não estão surpreendidos pela adaptação do brasileiro?
Por outro lado, Rodrigo tem demonstrado uma desaprendizagem notória às suas tarefas e funções dentro de campo. Tem de parar de jogar para ele e começar a entrosar com os restantes colegas. Que o Jesus tenha atenção com o rapaz, para que este não perca ainda mais a sua confiança.

8.
Temos de melhorar na qualidade das assistências para golo.
Sabendo que o Benfica de Jesus joga quase sempre com dois avançados declarados, penso que a qualidade do trabalho efectuada no último terço do terreno é por isso crucial. Aliás, no início desta temporada temos visto que um mau trabalho na fase de construção, normalmente resulta numa transição defensiva da nossa equipa, que durante algum tempo teve sérios efeitos negativos, conforme já foi mencionado nos pontos 1 e 2 deste artigo. Jogando com dois avançados, é normal que se carrile o jogo pelas faixas, à procura de um cruzamento para o interior da área. Como tal, saber cruzar no momento certo e para a zona correcta é muito importante.

9.
Cruzamentos é com Luisinho e Ola John.

A qualidade dos nossos cruzamentos para a área adversária continua a não ser a melhor. Vejo na maioria dos jogadores, tanto nos laterais Maxi e Melgarejo, como em Salvio, ou Nico, ou Nolito, ou até Bruno César, terem a tendência para quando numa posição privilegiada de executar um cruzamento de primeira, pararem, olharem e cruzarem. Acontece que ao executarem, o adversário já teve tempo para recuperar e cortar esse cruzamento, perdendo-se o lance. Mas, vá lá que Luisinho e agora o Ola John, têm sido uma bênção nesse capítulo, pois são mais práticos nesse capítulo. É fundamental que melhoremos esse capítulo, pois até estamos a criar algumas situações, mas depois não aproveitamos por causa desses maus gestos técnicos. Por exemplo, ontem aquele cruzamento do Melga depois da tal abertura espectacular do Carlos Martins... minha nossa! É de deixar qualquer um de cabelos em pé!

10.
A irregularidade exibicional e melhorias nas bolas paradas.
Em termos de jogo jogado, estas 10 jornadas mostraram um Benfica muito irregular a nível exibicional. Tão rapidamente em 45 minutos marca 3 golos, como nos restantes 45 minutos joga a passo, desligado de sectores e ainda consegue ver um dos seus expulsos, quando deveria saber controlar o jogo e manter a posse de bola. Os encarnados necessitam de saber gerir melhor a posse de bola, ter paciência e maior qualidade das movimentações no último terço do terreno, nomeadamente na nossa linha avançada. Este último encontro frente ao Olhanense, gostei imenso da forma como soubemos encurtar sempre os espaços entre o nosso ataque e linha defensiva. Comparando com o início da época, em que recuávamos quase sempre para a nossa grande área quando perdíamos a bola, penso que já melhorámos nas transições defensivas.
Também melhorámos imenso nas últimas semanas nas bolas paradas, sobretudo nas ofensivas. São dois jogos consecutivos que dois centrais entram na lista de marcadores e sempre através deste tipo de lances de laboratório. Está visto que a preparação para o forte jogo de bolas paradas do Celtic acabou por surtir bons efeitos que espero que continuem. É que já custava ver a forma leviana como não aproveitávamos a quantidade enorme de cantos e livres indirectos que tínhamos à nossa disposição. Contudo, falta melhorar nos livres directos (onde andam os famosos livres do Cardozo?!).

Onze titular do Benfica que jogou contra o Olhanenses para a
10ª jornada da 1ª Liga Portuguesa. Resultado Final:
Benfica 2 - 0 Olhanense.


PS 1: São três as diferenças entre os onzes titulares da 1ª e da 10ª jornada. Se contabilizarmos as diferenças entre o último onze titular da época passada e o actual, dará-nos uma ideia das quantas mudanças a equipa do Benfica já sofreu... Por aqui poderá explicar muitas das fraquezas que a equipa ainda possui. Por aqui poderá explicar muito do trabalho que Jorge Jesus tem feito para reconstruir a equipa.

PS 2: Se fizermos uma análise a todos os onzes titulares do Benfica nestas 10 jornadas, verificamos que houve muito rotação de jogadores na equipa, o que também é um dos méritos de Jorge Jesus, neste início de temporada.

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