19 janeiro 2012

A "pechincha" do ano

Num período conturbado da economia mundial, em especial no nosso país, e numa sociedade que pensa que tudo o que é muito bom tem de custar muito dinheiro, tem de ser de "marca", o futebol ainda vai-nos dando umas lições de que a garra, o talento, a disponibilidade e a inteligência são valores que se podem encontrar de... borla!

Se houvesse prémio para a "pechincha" do ano, no futebol nacional, decerto que não iria para nenhum chinês (lamento Futre). Iria sim para um espanhol, ex-Barcelona B: Nolito!

Hoje, e depois do embate contra o Santa-Clara, podemos quase afirmar que este Benfica é Nolito e mais 10, tal a sua preponderância no desempenho futebolístico do onze encarnado.


Fintas e assistências...

Nolito, o padrinho de Nélson Oliveira.
Só de o vermos jogar ficamos logo com a vista cansada, tal as movimentações que efectua. Ora salta para cima dos adversários com a bola colada no seu pé direito, ora vem atrás deles para lhes retirar a bola. Em drible, deve ser dos jogadores mais dificeis de retirar a bola.
Outrora criticado por alguns excessos de individualidade, o jogo desta noite foi peremptório em como ele já está entrosado com o restante grupo: duas assistências e um apadrinhamento no baptismo de golo do jovem formando benfiquista, o avançado internacional sub21 português, Nélson Oliveira. E tudo isto em cerca de 25 minutos... 


Golito é sinónimo de Nolito...

Frente ao Setúbal teve esta finalização espectacular. Ao alcance de poucos...
Mas, não são só as assistências que ele gosta de fazer. Esta temporada já contabiliza 8 golos na 1ª Liga Zon Sagres. Nada mal, tendo em conta que os principais avançados das equipas rivais têm inferior número de golos (Hulk e Wolfswinkel contabilizam 7 golos) e o espanhol nem sequer é o ponta-de-lança da equipa...


Coloca toda a gente a jogar... e a cantar!

E não é que o Nolito já tem música na rádio?! ;D
Não obstante, para além da dinâmica da equipa ser outra, bem mais fluida com ele em campo, Nolito é daqueles jogadores que fazem os companheiros parecerem jogar o dobro com ele, do que sem ele em campo. Foi notório hoje com o conterrâneo Capdevilla, mas também tem-o sido com o brasileiro Emerson, que ultimamente tem rubricado boas exibições.

Que mais poderemos pedir de um jogador que nos custou €0? Acho que nem mesmo nos saldos encontramos pechinchas com esta!

Remato este texto com o seguinte: Nolito demonstra que nem todos os jogadores que vêm de borla são considerados bagatelas, mas que podem tornar-se em autênticas pechinchas. É preciso ter olho e saber, para encontrar estes reais valores escondidos.

Será que algum de vós consegue descobrir outra "pechincha"?



PS: Agradecimentos aos autores dos gifs, em especial ao "Nortada" do forúm serbenfiquista.com.

17 janeiro 2012

"Fait divers" à Benfica

No que toca a gerador de receitas para os meios de comunicação social desportivos, em Portugal, não há outra palavra que bata a do Benfica. Realmente, pouco ou nada interessa falar bem ou mal. O que, verdadeiramente, interessa é falar do Glorioso. E é nessa óptica que ano após ano, mês após mês, semana após semana, dia após dia,... os "fait divers" à volta do Benfica é sempre o mesmo.

"Onde há fumo, há fogo" é o que muita gente costuma dizer, e de facto, em defesa dos media, muitas vezes é isso que acontece. A meu ver, tendo em conta a dimensão do gigante encarnado, no panorama desportivo nacional, este "buzz" é normal. Não podemos esquecer que aliada à muita "dor-de-cotovelo" por parte dos nossos adversários, também existe muitas visões diferenciadas e inúmeros interesses próprios dentro de portas, para ajudar a compor o ramalhete.

É, talvez por ter essa consciência, que sempre que existe alguma notícia acerca dos encarnados, tento manter um certo distanciamento que me permita ser mais objectivo na sua análise. E disso não foge à regra o mais recente "fait diver" encarnado: os casos de Ruben Amorim e de Enzo Pérez.

Poderia começar a ter um raciocínio especulativo, força motriz destas autênticas "novelas", e de muitas opiniões que tenho lido e ouvido acerca deste tema. No entanto, o que realmente interessa está a ser deixado de fora. Isto pura e simplesmente não deveria ter acontecido!

Ruben Amorim é um grande jogador.
Tem como é óbvio lugar no Benfica.
Embora desenrrasca a lateral direito,
deve ter também oportunidades reais
como médio centro ou interior direito.

Na óptica de adepto encarnado, que olha para o Benfica como o expoente de profissionalismo inerente à actividade desportiva, esta situação é um pouco inconcebível. Na "futebolística" trindade formada por jogadores, equipa técnica e direcção (director desportivo), estes dois assuntos deveriam ter sido resolvidos.

Não quero acreditar, que o Ruben Amorim, com os seus 26 anos de idade e com uma carreira construída pelo trabalho que desempenhou no relvado, venha agora fazer uma birra porque apenas e só não joga. Está-me a parecer que houve um extremar de posições porque não foi devidamente ouvido ou não lhe deram importância nenhuma.

Enzo Pérez foi reforço para esta
temporada. Teve o infortúnio da grave
lesão, mas deve ter bem presente que
foi um pedido expresso do seu treinador.

Da mesma forma, não quero acreditar que após a lesão de recuperação demorosa do argentino Enzo Pérez, ninguém acompanhou-o de mais perto? Ninguém tentou incentivá-lo? Ninguém  procurou saber se lhe faltava algo? Enfim, não foram medindo o grau de motivação do jovem?
 
Esta temporada, houve um forte investimento nos três vértices do triângulo futebolístico encarnado. A começar pelos atletas, no qual o crescendo de qualidade veio aumentar a competitividade interna, pelo que os jogadores têm de ter outro estofo para triunfar, não é verdade Ruben e Enzo? Rui Costa e António Carraça são duas pessoas para tratar das competências de um director desportivo. No entanto, aparentemente, não tiveram "mão" para lidar a tempo e horas com estes problemas, não é verdade Rui e António? E por fim, a equipa técnica também foi reforçada com o professor Manuel Sérgio, para criar o departamento de inteligência competitiva. Não obstante com o acréscimo intelectual, esqueceram-se do "be-a-ba" da construção de uma equipa, ou seja, respeitar os seus atletas e fazer com que eles se tornem parte do todo e da solução, não é verdade Jorge?

A meu ver saiem todos muito mal vistos destes casos e inadmissível numa estrutura profissionalíssima como a do Benfica. E Pluribus Unum não é nenhum slogan, é sim um lema! Lema essa que todos os envolvidos do futebol encarnado deveriam assimilar muito bem. Caberá a nós, sempre fiéis adeptos encarnados, estarmos atentos, críticos, exigentes e sempre dispostos a levar até eles o nosso:

E Pluribus Unum


PS: Entretanto, o caso Enzo ficou resolvido hoje com a reintegração do atleta no plantel. Na minha opinião, o caso Ruben deveria igualmente ter ficado resolvido hoje e com idêntica resolução.

16 janeiro 2012

Entrar em 2012 com "poker face"

Nolito simboliza hoje o "poker face" encarnado deste início de ano novo. Com ele em campo, a equipa para além de ganhar, goleia! E só de pensar que foi uma bagatela...

Já à muito que não escrevia no blog... motivo? Natal e Passagem de Ano por um lado, e muitos outros afazeres, por outro. Tenho inúmeros assuntos relacionados com o desporto rei por comentar, algo que tentarei fazer nos próximos tempos. Até lá, o que dizer dos constantes "pokers" que a equipa encarnada tem dado aos seus adversários neste início de ano? Para mim tem um só rosto: NOLITO! (ou será melhor dizer Golito?)

Realmente, fazendo uma pequena retrospectiva às últimas semanas, no futebol nacional:
  • o agora ex-presidente da liga, não contente com o "tacho" que tinha, tratou de acauletar o seu futuro como presidente na federação Portuguesa de futebol. Convém saber quais as consequências benéficas trará para o futebol nacional...
  • quem foi eleito presidente da liga de clubes profissionais, foi um antigo advogado do Porto, que não era conhecido da praça e que entrou já a lançar ideias populistas para os clubes pequenos, como o aumento do número de clubes na 1ª Liga. Será importante perceber se isso é ou não positivo para o futebol nacional... 
  • os três estudos encomendados para o futebol português, por parte do estado na sua pessoa, o ministro dos assuntos parlamentares, Miguel Relvas, que muito frinsom causou nestes primeiros dias de janeiro. Porque se queixam tanto as habituais entidades futebolísticas nacionais?
  • os "fait-divers" de início do novo ano, no Benfica, já é costume. De quem é a culpa? Dos media? Da direcção? Da equipa técnica? Dos jogadores? O que é certo é que o adepto sofre com isso, mas...
  • ... valerá as novas caras, as novas contratações (pelo menos para alguns adeptos, escrevo eu...) Muitas destas aquisições, estão endereçadas "para a equipa B", o que é certo é que a brincar a brincar, o Benfica já desembolsou uns quantos milhões neste tipo de jogadores, que em tempos de crise, não são propriamente baratinhos...
  • ... e por falar disto... o que dizer da bagatela chamada Nolito?! O que sabemos é que com ele em campo, em 3 jogos desde o início do ano, o Benfica apresentou o seu "poker face". Será que o rolo compressor está de volta?
Estes pontos e outros, como uma análise mais precisa do actual plantel encarnado, à luz desta primeira metade do campeonato, são temas que deverei abordar nos próximos artigos.



PS: Porque recordar também é viver, o seguinte fazia eu na rua quando era bem mais puto...

Quantos de nós é que já não fizeram o mesmo que o Maxi e o Witsel nas futeboladas de rua?

10 dezembro 2011

A Luz de El Clásico!


Para os fans do futebol o jogo desta noite da La Liga, que vai opor as duas principais referências do futebol mundial actual, é um verdadeiro presente de Natal antecipado. Quais as espectativas deste encontro? Da minha parte que seja um hino ao futebol!

Embora sejam rivais, eu gosto de ambas as equipas. Cada uma apresenta uma filosofia e um saber estar no futebol distinto e bem vincado. Mas, o mais engraçado é verificar que ambos os estilos conseguem coabitar no mesmo tempo e espaço. Funcionam quase como uma espécie de Yin e Yang no mundo futebolístico. O Real Madrid é a imagem do seu treinador: o futebol competitivo. O Barcelona representa hoje uma filosofia futebolística quase ímpar no mundo.

Neste momento, talvez nutre uma preferência pelos Los Blancos, pois penso que está mais do que na hora de alguém começar a ameaçar a hegemonia futebolística dos Culés. É importante para o espectáculo. Também o facto de no Real Madrid actuarem jogadores nacionais e ex-jogadores do Benfica, faz-me com que tenha este preferencionalismo.

Na época passada, José Mourinho acabado de chegar ao Real Madrid, com inúmeros jogadores novos, estava mal preparado para o combate com a "equipa acabada" do Barcelona. Passado uma temporada, o cenário já é diferente. As vedetas do Real Madrid já jogam ao primeiro e ao segundo toque, com movimentações constantes no ataque. Por outro lado, vemos hoje espírito guerreiro a jogadores como Benzema, Öezil, Kaká, Di Maria e até mesmo CR7, algo que não acontecia no passado. Ganhou claramente um espírito de grupo apreciável.

É por isso que hoje estou espectante com a resposta à seguinte questão: será que o Mourinho irá jogar mais defensivamente ou irá encarar olhos nos olhos o jogo contra Pep Guardiola?

Estrategicamente falando, eu estou a contar com um Barça igual a ele próprio, i.e., dominador na posse de bola e na ocupação do espaço no terreno do adversário. Devido à diferença pontual que existe neste momento, e também devido à aceleração e velocidade do ataque madrilista, Mourinho poderá pensar em jogar numa toada mais espectante. Ele já tentou executar esta estratégia noutros tantos jogos contra o Barcelona e com o resultado que todos nós conhecemos...

Contudo, face à forma confiante como o Real tem jogado, penso que se o Mourinho quer mandar uma mensagem clara que quer destronar o Barça, será jogar de forma idêntica ao do Barça. Isto provocará uma autêntica luta titânica naquele meio-campo de Santiago Bernabéu. Isto fará com que o Barça jogue fora do seu envelope de conforto. Isto fará com que os jogadores blaugrana ao invés de jogarem a 50 metros, têm de jogar em 100. Isto provocará maior desgaste físico neles... isto poderá beneficiar jogadores fisicamente mais robustos como são os do Real Madrid.

Outra curiosidade será ver o que Pep nos reservará, pois também tem os seus trunfos...

Alguém arrisca um prognóstico?


05 dezembro 2011

Ruben Amorim poderá vir a ser um lateral direito?


Em vésperas de um importante encontro para a Liga dos Campeões e com a impossibilidade de Maxi jogar, devido a castigo por acumulação de 2 cartões amarelos, uma das questões que JJ tem de resolver é saber quem jogará a lateral direito. É aqui que faz todo o sentido interrogar e fazer uma análise dos prós e contras do internacional A nacional à direita da defesa encarnada.

Ruben demonstra muitas vezes,
dentro de campo,
 o seu descontentamento
 com as suas próprias exibições.
Tendo em conta o desaire nos Barreiros, na última 6ª-feira, a opção de Ruben Amorim à direita é de todas a menos consensual para os adeptos encarnados. A razão é simples: Ruben teve uma má exibição.

Contudo, devemos recordar que o camisola 5 do Benfica, já teve exibições muito convincentes naquela posição, nomeadamente, na última temporada em que nos sagrámos campeões nacionais. Sendo assim, porquê este "8 a 80" a nível exibicional?
 
Sabemos, que o português tem reinvindicado um lugar no seu posto de origem, i.e., como médio-centro/interior direito. No entanto, prefere jogar em qualquer lado do que amuar e ficar sentado no banco, pelo que, não será por aí que encontremos respostas às suas recentes prestações.
  
Nesta equipa do Benfica,
só lhe falta mesmo jogar a guarda-redes,
 mas até isso ele tem treinado.

Penso que a verdadeira razão, prende-se com a forma de jogar da equipa que foi mudando ao longo destas temporadas, muito por causa dos jogadores que sairam terem estilos de jogo distintos dos actuais e o técnico encarnado ainda estar de volta na resolução desses problemas.

Em 2009-2010, a defesa encarnada jogava praticamente com a sua linha defensiva a 10 metros do meio-campo. Na prática, os nossos laterais partiam quase sempre da linha meio-campo para a frente. Hoje, não é isso que verificamos. Logo aqui, esta diferença implica um desgaste físico superior nos atletas. Talvez seja por isso, que Maxi Pereira, o habitual lateral direito titular, tem sentido esta temporada grandes oscilações na performance desportiva.
 
A sua inteligência em campo,
a capacidade de trabalho e o
 espírito de equipa são qualidades
que fazem dele um jogador
muito versátil.

Depois, o facto de se jogar mais à frente, faz com que o espaço entre os jogadores seja menor. Ou seja, os jogadores estão sempre muito próximos uns dos outros. Defensivamente, isto beneficia toda a equipa, pois a defesa é sempre feita com dois jogadores ao adversário que possui a bola, evitando situações de um-contra-um. Também tem outra vantagem: recuperação da bola no meio-campo adversário.

Em termos atacantes, para um médio de origem, jogar a lateral ofensivo com uma defesa subida, é "quase" o mesmo que jogar na sua posição original. Só tem de ser mais consciente da qualidade de passe, dar a profundidade atacante pela faixa, ao invés de procurar movimentos interiores e saber gerir muito bem o esforço físico.


Resumindo:

É preciso saber  adaptar a equipa
 às suas características para ele
 poder render a lateral direito.

Ruben Amorim é uma boa solução a lateral direito se forem-lhe dadas as seguintes condições:
  • Equipa jogar com a defesa subida.
  • Equipa jogar de forma compacta.
  • Existir compensações tanto do central descaído para a direita, como também do médio direito da equipa ou do médio defensivo.
  • Possibilidade de haver progressão com bola ou em tabela com os companheiros de faixa, por exemplo, o médio direito e um dos avançados.

Veredicto:
Eu penso que o Ruben Amorim, como lateral direito será sempre uma solução de bolso e não uma solução definitiva. O que se ganha com Ruben a lateral não compensa o que se perde com ele na sua posição de origem. O mais engraçado, e para lamento meu, o treinador encarnado não vê o Ruben como primeira alternativa ou titular no meio-campo.
Para o jogo da Liga dos Campeões, será preferível a outra solução, como por exemplo a de Miguel Vítor, uma vez que Amorim é um jogador mais experiente e mais atacante que o jovem "canterado" encarnado.