11 janeiro 2019

Ganhámos um treinador e...


... mas, ainda falta mais para reconquistar os adeptos.


Surpresa - para mim positiva - no onze titular encarnado: 4-4-2 sem Salvio e Cervi. Precisamente, os dois extremos mais utilizados nas últimas épocas. Para os seus lugares, o novo técnico encarnado escolhei Pizzi e Zivkovic, respectivamente. Isto levou a que alguém tivesse de entrar para o lugar que o Pizzi tinha deixado em aberto no centro do meio-campo. A escolha do novo companheiro de Fejsa nessa zona do terreno recaiu no brasileiro Gabriel. Depois de durante o dia, a comunicação social ter feito pressão, com uma história de que o número 8 encarnado estaria na lista de saída da Luz já no próximo defeso de verão, a verdade é que esse mau olhar saiu frustrado. O sr. 8M€ foi o melhor parceiro que o camisola 5 encarnado poderia ter ao seu lado. De tal forma que permitiu ao médio sérvio deixar de ser totalmente um médio-defensivo para passar também ele a ser um médio box-to-box. Basta recordarem o lance que antecede o canto que dá origem ao segundo golo encarnado do jogo. Claramente, uma dupla a manter a titularidade nos próximos jogos, mas dando oportunidades para o Gedson e Krovinovic jogarem.


Gostei muito do discurso do Bruno Lage no final da partida. Mais concretamente, quando ele diz que: «Não demos os primeiros 20 minutos [como aconteceu frente ao Rio Ave], mas demos os últimos 20, fizemos 70 minutos de enorme qualidade, com várias oportunidades. A partir de determinado momento podíamos ter mais controlo de jogo, não tivemos, e a equipa tem de melhorar esse aspeto.» Não só ele faz a leitura nua e crua dos acontecimentos, como também deixa a nota de exigência que se pretende. Aliás, em termos de comunicação foi perfeito, porque não entrou a matar sobre os aspectos negativos. Valorizou primeiro a vitória e a reconquista dos adeptos encarnados, quando disse: «Fizemos um bom jogo e este é o caminho para reconquistar este público. São apenas dois jogos, mas esse é o grande objectivo, de reconquistar este público, e a maneira como fomos recebidos aqui nos Açores leva-nos a isso.» Só depois é que faz as críticas mas sempre de forma construtiva e unida. Este discurso tranquiliza, porque entendemos que o treinador está consciente do que não foi tão bom e de que isso requer que se trabalhe, porque o fundamental é reconquistar os adeptos. E, isso faz-se não apenas com vitórias, mas com boas exibições.


Como tal, deixo aqui algumas notas sobre o que acho que esteve menos bem. Em primeiro lugar, volto a bater a tecla na defesa. Tanto o Rúben Dias como o Jardel não aguentam estar concentrados durante os 90 minutos. Muitas vezes desligam-se, esquecem-se de acompanhar a linha de meio-campo quando esta sobe para pressionar o adversário. Isso faz com que se crie os espaços nas costas da nossa linha de meio-campo - as famosas entre-linhas - onde os jogadores ofensivos adversários facilmente transformam um 3 para 4, num 3 para 2 local. Será uma questão física do Rúben e do Jardel? Penso que sim. Porque uma coisa é defender em bloco baixo, pois está-se a defender um espaço curto. Outra bem diferente é defender em bloco alto, onde os centrais são obrigados a cobrir a profundidade toda e como estão constantemente mais próximos do adversário, precisam de estar ainda mais concentrados no jogo para reagirem mais rapidamente. É um desgaste brutal, fisicamente para um veterano com o histórico clínico do Jardel e, mentalmente, para um miúdo como o Rúben Dias, ainda a ajustar-se ao ritmo de primeira liga e à exigência de um clube como o Benfica. Não é fácil para eles. Por esse motivo, convém pensar-se em ter opções. Por isso, no lugar do Bruno talvez teria testado Samaris na segunda parte, até porque o Rúben com o amarelo que recebeu na primeira parte estaria mais condicionado, não irá jogar a próxima partida e estávamos em vantagem numérica.


Do sector defensivo, quem esteve em evidência foi o André Almeida. Não é um jogador espectacular, mas é seguro e fiável. O Grimaldo foi o jogador do sector defensivo que mais me chateia. Tem qualidade a potes e como tal está sempre a arriscar. Não sabe avaliar o risco. Na segunda parte, a crítica do Bruno Lage acerca dos paupérrimos 20 minutos finais foi também para o comportamento do lateral espanhol. Em dois lances consecutivos conseguiu colocar a equipa completamente desequilibrada: primeiro, após um pontapé-de-canto a nosso favor e para parar um contra-ataque do Santa Clara, tenta sobre a meia-direita sair a jogar, quando a nossa equipa estava descompensada; segundo, logo a seguir a essa perda de bola, os seus colegas conseguem recuperar a posse e acabam por lhe entregar, mas o que ele faz? Exactamente o mesmo! É de levar as mãos à cabeça!!! São estas perdas imaturas que acabam por desgastar a nossa equipa, incluindo os nossos centrais, porque estão constantemente em transições. Isto parte o jogo! Isto desequilibra-nos e não desequilibra o adversário.


Algo semelhante passa-se com a nossa passagem da 2ª para a 3ª fase de construção. Sobretudo, quando jogamos com Pizzi, Zivkovic, Grimaldo e João Félix, porque são tudo jogadores que gostam de bola no pé. Mas, têm enormes dificuldades em identificar espaços livres que possam atacar com movimentações/desmarcações e também têm dificuldades em criar espaços para outros colegas. Como tal, depois tendem a abusar no jogo de circulação, ou seja, realizam vários passes sucessivos, mas sem progressão. Não há nenhum que tenda a ter a iniciativa de explorar o espaço, arrastando marcações. Desta forma transformam um ataque posicional numa espécie de rodriguinhos sem balizas. Está a faltar claramente treino que trabalhe o princípio do 3º homem.


Mas, mesmo sem esse treino dedicado, há duas formas do Bruno Lage obter esse tipo de movimentos de forma mais natural na sua equipa. A primeira através de uma combinação de jogadores que gostem de jogar bola no pé com outros mais explosivos e que gostem de jogar no espaço. Ou seja, Pizzi, João Teixeira e Zivkovic são três jogadores bola no pé para alimentar um único potente Seferovic que desta forma desgasta-se muito para o tipo de joguinho que os três fazem. Se considerarmos a ala esquerda com Grimaldo, Zivkovic e o João Félix a aparecer, percebemos o porquê de muitas das nossas perdas de bola surgirem nessa zona do terreno, quando o Benfica tenta passar da 2ª para a 3ª fase de construção. Para evitar isso o ideal seria equiparar o número de jogadores com tendência para a bola no pé com os jogadores que sentem-se mais à vontade com o espaço. Por exemplo, utilizando um Cervi colado ao flanco esquerdo. Desta forma, o Grimaldo e João Félix poderiam combinar e teriam o 3º homem, o Cervi, que correria explorando a atracção defensiva que os dois primeiros ofereciam. O próprio Seferovic ganharia mais um colega que explorasse a profundidade atacante e com isso alguém que depois poderia servir-lhe de bandeja. 



A segunda através de um reposicionamento que permita desde logo outras movimentações mais naturais dos atletas que gostem de ter bola no pé, i.e., a utilização de jogadores nas alas com o pé trocado. Neste caso, seria o Zivkovic jogando na direita e o Pizzi na esquerda. Isto daria resultado por causa das recepções destes atletas dos passes dos colegas, pois ficariam orientados para o centro do terreno, ao invés de ficarem colados à linha se jogassem como extremos puros. Ao ficarem virados para o centro do terreno, libertam logo o corredor lateral para o lateral ofensivo subir, ou o espaço na ala para o avançado explorar em diagonal. Engraçado verificar que enquanto na primeira hipótese está subjacente a aplicação do ataque posicional como forma de atrair o adversário e libertar rapidamente para o 3º homem, nesta segunda hipótese é o jogador com bola que vai provocar a atracção da marcação defensiva do adversário, criando o espaço e libertando para o colega livre. Duas formas de resolver o problema (mas, há outras), que aproveitam as características intrínsecas dos atletas.



Por fim, uma nota para o João Félix. Neste momento, não é jogador para 90 minutos e tem muito, mas mesmo muito para aprender sobre posicionamento e forma de jogar sem bola. Ele tem de ser o nosso primeiro defesa. Hoje em dia, perante equipas de 1ª Liga que por menor qualidade que tenham os seus jogadores, são muito bem orientadas, já não podemos deixar um jogador a descansar quando a equipa está a defender. Aliás, nos grandes campeonatos poucas ou nenhumas são as equipas de sucesso que permitem ter esse luxo. Como tal, é preciso trabalhar mais o miúdo de ouro. Acredito, que com a recuperação do Jonas isso possa ser feito uma boa gestão com os dois a jogarem todos os jogos à vez.






P.S. 1: Hoje entrou o Castillo para o lugar do Félix, mas quem deveria ter entrado a meu ver teria sido o Krovinovic. Da mesma maneira, para o lugar do Gedson deveria ter entrado o Cervi, transformando desta maneira o 4-4-2 num 4-2-3-1.

P.S. 2: E, já estamos em 2º lugar...

16 comentários:

  1. Eu não te disse a semana passada que o BL tinha subido o Fejsa e atribuído ao sérvio um papel diferente, já não de trinco puro, mas também de médio de construção, partindo já do segundo espaço? Afinal parece que não estava a exagerar...;-)

    Cada vez gosto mais de Bruno Lage, temos treinador. Ao segundo jogo senta Dom Salvio e Dom Cervi, dá a titularidade ao melhor ala do plantel (Ziv), mantém a dupla Félix e Seferovic na frente, tira Pizzi do meio e põe Gabriel, mantendo Pizzi mas na ala! É de homem! O outro precisava de anos para fazer certas mudanças e mesmo assim não as fazia, precisava sempre de mais tempo...

    Os alas com os pés trocados, sabes que também o defendo. Mas noutras ocasiões argumentaste que, com um segundo avançado como JF ou Jonas que exploram tão bem o corredor central entre-linhas, alas 'falsos' podiam redundar em afunilamento do jogo. Podes explicar porque ontem isso não teria acontecido, se Ziv tivesse jogado na direita e Pizzi na esquerda.

    Percebo muito bem o teu conceito teórico de misturar jogadores de bola no pé com jogadores de ruptura e ataque à profundidade, e acho-o pertinente. Mas a verdade é que ontem de profundidade e ruptura só o Seferovic e correu muito bem, até aos 70 minutos. Se juntar vários jogadores criativos e talentosos de bola no pé desse necessariamente em "rodriguinhos sem balizas", ontem não tínhamos falhado uma goleada! Não teríamos criado tantas oportunidades de golo como criámos!

    Aliás, ontem aconteceu uma coisa que sempre foi o Benfica, mas não sei porquê nos últimos três anos e meio não acontecia: jogarmos com equipas pequenas do nosso campeonato e dominarmos o jogo a nosso bel prazer, chegando a falhar goleadas por os jogadores quererem adornar os lances e dar espectáculo, por sentirem o jogo e os três pontos na mão! Isto é o Benfica, meu caro. O Benfica que o outro desmantelava meticulosamente...

    Merecidos elogios teus ao BL e à sua comunicação na CI. A questão da exigência, meu Deus, outra diferença abismal! O outro branqueava tudo, até derrotas claras e banhos de bola contra Moreirenses e Tondelas, goleadas humilhantes de Basileias, tudo branqueadinho até à última gota de mentira e falta de noção...

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    1. O Fejsa sempre participou na 1ª fase de construção. Agora estar envolvido na 2ª e até mesmo na 3ª como naquela jogada em que antecede o golo do Jardel, não.

      O Zivko ser o melhor ala do plantel? Então estamos tramados. Teve péssimo e não aproveitou o jogo. Dúvido muito que seja titular no próximo jogo.

      O Vitória preferiu resolver o problema a meio-campo com a adopção do 4-3-3.

      Verdade sobre o que dizes do afunilamento. Mas, sabes porque dei essa hipótese dos alas de pé trocado, porque o Félix tem outra vitalidade e mobilidade que o Jonas já não tem. Dessa forma obrigaria-o a procurar espaços. Convem o miúdo não ficar formatado para um tipo de jogo, porque assim vai perder-se. Depois jogar os alas devem sempre ficar bem abertos, para esticarem sempre o quarteto defensivo adversário. Só quando tiverem bola é que poderão fugir para dentro e dessa forma as diagonais que os avançados irão fazer serão mais curtas.

      Sobre a questão da exigência do BL, ele na conferência de imprensa até parecia que tinha lido o meu artigo do Obrigado Rui Vitória... A explicação que ele dá sobre saber informar bem os adeptos encarnados sobre o jogo é de louvar.

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    2. Exacto. O Fejsa participava na primeira fase de construção, claro, porque descia para o primeiro espaço na saída a trés. Agora parte já do segundo espaço, subiu uns metros e participa activamente na segunda fase de construção e até, como dizes, na terceira - embora no lance em que falas eu ache que nem se aplica pois foi uma recuperação alta do Fejsa, tínhamos acabado de perder a bola e ele matou logo ali a saída deles. Mas estava ali, à entrada da grande área, quando perdemos a bola em organização ofensiva!...

      Péssimo, o Zivkovic ontem?? Podes concretizar?? Apesar de continuar a achar que rende muito mais na direita, acho que foi dos melhores ontem, a par de Gabriel, Pizzi e os dois avançados. Se reparares, em todas aquelas grandes jogadas que fizemos no início da segunda parte, está a leitura de jogo, a decisão e a execução técnica do nosso 17. Por exemplo, o passe para dentro que descobre um João Félix solto no terceiro espaço e no meio, só com a linha defensiva pela frente; o passe para dentro da área quando todos esperavam cruzamento, precedido ou não de finta; o simples respeitar das tabelas em progressão, em vez de se enfiar num buraco junto à linha tipo Salvio ou Cervi; os cruzamentos com conta, peso e medida quando o contexto é favorável a eles (e já reparaste como já abusa menos dos cruzamentos sem nexo/sem condições boas de sucesso, com apenas uma semana de treinos?),...

      Bem explicado o aparente paradoxo do afunilamento ou não. Obrigado. Claro que concordo - já concordava antes que falsos extremos não implica necessariamente afunilamento, mesmo com Jonas como segundo avançado, precisamente pelo que falas no artigo - os laterais assumirem o corredor e as diagonais do ponta de lança. Agora com essa nuance da maior mobilidade do JF, ainda concordo mais! Aliás, pelo que se viu ontem, só podemos continuar a querer ter cada vez mais posse e mais opções de passe naquele espaço mais promissor de todos - o corredor central, nas costas dos médios adversários. Com a mobilidade de JF e a inteligência, criatividade e qualidade técnica na execução de todos eles, o caldo adversário só pode entornar, como ontem entornou generosamente :-) ontem com Pizzi na direita e Ziv na esquerda, um dia, quem sabe, com Ziv na direita e Krovinovic na esquerda...;-)

      Exactamente, parecia que estava a marcar a diferença descomunal para o RV com base nesse teu post! Neste caso - e só neste! lol - não porque tu sejas um génio, mas porque toda a gente via o que escreveste naquele post! Para perceber quão miserável era o nosso jogo com RV, era preciso perceber um mínimo de futebol - e como muitos que seguem o futebol não percebem o mínimo, só o começaram a criticar quando os resultados começaram a ser maus. Mas para perceber quão miseráveis, e desrespeitadoras da História, da grandeza e da identidade do Benfica, eram as conferências de imprensa de RV, nem o mínimo de futebol era preciso perceber. Bastava, conhecendo minimamente o que é o Benfica, ter olhos para ver e ouvidos para ouvir...

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    3. Não é assim tão "fotográfico" o processo de construção. Quero com isto dizer, que o Fejsa não participa na 1ª fase de construção, porque depois vai participar na 2ª. Há mais dinamismo. Tanto o Gabriel como o Fejsa podem começar a 1ª fase e podem até envolverem-se na 2ª e se conseguirem na 3ª (nomeadamente, em situações de contra-pressão, por exemplo - caso que antecede o canto do golo do Jardel).

      Ontem durante o jogo já tinha visto que o Zivko não estava bem. Os números que apresentei no artigo ali em cima, do GoalPoint, acabaram por confirmar o que tinha visto. Muitas perdas de bola, muito pouco acções defensivas. Esteve claramente limitado. Não sendo um jogador explosivo, acaba por ficar muito fixo à posição e não sabe aproveitar os espaços que são criados, tanto pela penetração do Grimaldo como pelo recuo do João Félix. Nesse momento, o Zivkovic deveria confiar nos seus colegas e abrir completamente.

      Verdade é que isso até aconteceu, mas depois nunca foi expedito no momento de recepção e cruzamento. Demorou quase sempre mais um milésimo de segundo a mais que era o tempo para o adversário ficar colado a ele (o Patrick Vieira) e cortar-lhe o cruzamento. Tem de ser mais rápido e eficaz. Sobre o que escreveste, algumas coisas foram boas, mas tens de ver o que ele desperdiça. Outras, não achei que fossem assim tão boas.

      O Jonas ainda tem mobilidade, porque ele é inteligente e percebe o que a equipa precisa. Agora, se não tivermos uma defesa que ainda ontem demonstrou não conseguir jogar compacta com o meio-campo e se tivermos alas a desperdiçar jogo, vamos ter uma situação incómoda para o Jonas, pois vai estar ali feito tonto a desmarcar-se e a correr, mas sem ter bola. Se já com bola ele a partir dos 70 minutos de jogo quebra fisicamente, dessa maneira não dura 45 minutos! O mesmo acontece com o miúdo, que apesar de jovem e cheio de genica tem dificuldades de aguentar os 90 minutos (segundo jogo em que o Félix chega aos 70 minutos e já acabou).

      Olha, sobre o Rui Vitória, custa-me ouvir-vos a falar tão mal dele. Não lhe dão o devido mérito. O 4-3-3 foi uma forma que ele teve de resolver todos estes problemas, que falei agora mesmo (profundidade da nossa defesa, incapacidade construtiva dos nossos extremos, menor fulgor físico do Jonas). E de facto conseguiu resolver praticando o melhor futebol de todas as equipas da época passada. Teve alguns azares em termos de resultados que depois permitiria com mais calma alicerçar as suas ideias. Agora, também atirou vários tiros aos pés... Mas, o que interessa é retirar o positivo. Aprende com o Bruno Lage na forma como comunica. É um discurso sempre positivo e mesmo assim consegue ser assertivo quando erramos.

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    4. Eh pá, as estatísticas só por si, para analisar um jogo tão complexo e dinâmico como o futebol, valem o que valem. Muito pouco, na minha opinião. O Zivkovic teve papel crucial em todas as melhores jogadas que fizemos, ora estando na origem do desequilíbrio original do lance, com uma decisão sua, ora contribuindo para a progressão do lance no melhor sentido, ora preparando a finalização com últimos passes certeiros. Não teve muitas acções defensivas, se calhar, porque não foi preciso: o Benfica dominou o jogo como quis, do início ao fim! Eu sei que a última vez já tinha sido há muito tempo - é natural que não te lembres :-P só no final da segunda parte, sentindo (demasiado) tudo já na mão, perdemos um bocadinho o controle e foram necessárias algumas acções defensivas. Mas aí o Ziv já não estava em campo...

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    5. O RV teve foi muitíssima sorte em muitíssimos jogos, nas suas duas primeiras épocas, em muitíssimos jogos decisivos...sem ela, aliás, não tínhamos ganho nem o tri nem o tetra!...

      Sobrava-lhe em sorte o que lhe faltava em talento, conhecimento do jogo actual e ganas de trabalhar.

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    6. Não é as estatísticas só por si, é saber analisar bem. O jogo é complexo sim senhor, mas o Zivkovic não pode ser visto do pedestal. Tem de ser visto como ele é, com as suas virtudes e defeitos, porque as tem.

      As minhas críticas ao Zivko são construtivas (aliás, a todos eles). Claramente tem valor e potencial, mas para efectivá-lo é preciso corrigir certos comportamentos. Ele tem de perceber que no jogo terá que desempenhar vários papeis. Não pode somente ser o assistente, ou o pivô numa combinação. Muitas vezes tem de ser o maluco que desata a correr a pressionar o adversário, outras vezes aquele que faz o movimento para abrir espaço, outras tem de desmarcar-se para receber em profundidade, e por aí fora. Caso contrário vai estagnar o seu jogo. Olha para o Bernardo Silva. Olha para o Shakiri. Vê o quanto eles agora jogam com e sem bola.

      Por fim, o Benfica não dominou o jogo como quis. Basta vermos os 20 minutos finais...

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    7. Essa tua imagem do Vitória não vou conseguir desfazê-la. Talvez como outra maturidade sobre o jogo, sobre o conhecimento do treino e de liderança de homens, tu um dia poderás entender muito do bom que foi feito pelo Rui.

      A questão que dou de borla, é que ele não soube reinventar-se em termos de comunicação e exigência para certos jogadores. Mas, também te digo, ele demonstrou que muitas vezes o melhor é intervir pouco em termos de discurso.

      Quanto ao Lage, mais do que os processos de jogo, eu tenho gostado do seu discurso. Neste momento, está a procurar conhecer que tipo de homens tem lá dentro do balneário. Estes também estão a querer mostrarem-se ao novo treinador. Voltamos a falar sobre isto daqui a 10 jornadas.

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    8. A mim abisma-me que tu não vejas diferenças nos processos de jogo! Não são assim tão menos marcadas que as diferenças no discurso! É da noite para o dia em tudo: sistema táctico, modelo de jogo (e aqui, com mais umas semanas com BL, até tu vais ter que começar a admitir), escolhas para o onze, leitura de jogo e substituições, discurso, tudo tudo muito diferente. Para melhor.

      Em tempos que já lá vão, disse aqui que o Benfica tinha em Bruno Lage e Renato Paiva treinadores com muito mais conhecimento do jogo actual do que o então treinador da equipa principal, RV. Pelos vistos, não andava longe da verdade...

      PS. E o tal jantar com o representante de Paulo Fonseca?!?...tu queres ver?...se o Vieira o trouxer, sou gajo para reconsiderar a minha decisão de não voltar a votar nele!...

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    9. Estás a ver coisas a mais. O sistema táctico do 4-4-2 já tinha sido utilizado anteriormente. Claro que há cunho pessoal, mas ainda é muito cedo para veres todas essas diferenças. Muitas delas acontecem até por uma questão de atitude dos jogadores que se querem mostrar ao novo treinador.

      Eles são muito bons, mas vão cometer erros. Temos é de saber apoiá-los, porque a tarefa não é nada fácil.

      Não entendo o teu PS, pois tens agora o Bruno Lage. Porque carga de água iríamos apostar no Paulo Fonseca?

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    10. Epa, interessante conversa, mas não deixo que toquem no meu menino Zivkovic!
      É um craque. É titular todos os dias. Não fez um jogo de encher o olho, nem nunca o verás por todo o lado tipo Brahimi, mas é um jogador de equipa. Faz o jogo parecer fácil. Anteontem, ainda deu duas ou 3 bolas para golo.

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    11. PP, o PS é a pressupôr que o Bruno Lage continua a ser um treinador transitório, até ao final desta época, e que o Benfica continua à procura dum treinador mais experiente para a próxima época. Reafirmo que, por mim, o Bruno Lage fica até ao fim desta época - está a fazer por merecê-lo.

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    12. É isso, jorgen80. É um jogador muito inteligente que põe essa inteligência ao serviço da equipa. Em cada decisão, bem executada porque também tem muita técnica, aproxima a equipa do sucesso.

      Já podia ser o novo Gaitán se não tivesse chegado com o Mister Fezadas no nosso banco...

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    13. O Gaitán tinha explosão. O Zivkovic é ainda mais cerebral que o argentino.

      Se é para o Bruno Lage ficar só até ao final da época então mais vale ir buscar já o novo treinador.

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    14. Explosão tinha o Di Maria, como tem o Rafa. O Gaitán era mesmo um cérebro puro, um 10 disfarçado de ala.

      Por isso digo, há tanto tempo, que tivessem apanhado outro treinador, já tínhamos novo Di Maria e novo Gaitán.

      Percebo o que dizes de o Gaitán ter, ainda assim, mais explosão que o Zivkovic. Talvez sim, talvez não. Não sei se o Zivkovic é assim tão desprovido de explosão ou se o Gaitán a tinha por aí além...

      Quanto ao treinador, isso era se pudesses garantir agora os mesmos treinadores que no final de época...mas não me parece que seja o caso, imagino que os mais consagrados tenham resistência em pegar no Benfica a meio da época, a 5 pontos do primeiro lugar, com um plantel que não escolheram e um calendário apertadíssimo, incluindo decisões, nos próximos tempos...no fim da época, começando do zero no plantel e na classificação, se calhar já consegues outro tipo de treinadores. Eu parto do princípio que treinadores como o Paulo Fonseca já são muito dificilmente acessíveis ao campeonato português - e por inerência, ao Benfica - mesmo começando do zero numa nova época, quanto mais agora...

      Além disso, o Bruno Lage já mereceu amplamente ficar até final da época, pelo menos. E quem sabe assumir-se como 'candidato interno' no processo de recrutamento do final desta época?...;-)

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    15. O Gaitán acelerava BP. Nesse aspecto era como o Cervi. Este, é que parece sempre muito nervoso com a bola nos pés. Quer fazer tudo rápido.

      Mas, sim o Zivkovic não é desprovido de explosão. O principal problema dele é que precisa de ser trabalhado como já referi no artigo, ou seja, no princípio do terceiro homem. E, não é apenas ele. O Pizzi também.

      Quanto ao treinador, não se pode colocar em pausa as evoluções dos miúdos. A nossa política desportiva é baseada neles. Estas saídas podem colocar em causa a sua evolução, porque o trabalho com eles demora tempo e se durante esse tempo houver mudanças eles nunca atingirão o potencial que se pretendem atingir.

      Eu apostaria no Bruno Lage até que este demonstrasse o contrário.

      ;)

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