03 dezembro 2014

11ª Jornada: Académica - Benfica


A análise à excelente exibição encarnada depois do desaire Europeu em São Petersburgo.

O Benfica passa com distinção em Coimbra!
Resumidamente: o Benfica não deu hipóteses à Académica de Paulo Sérgio, ex-treinador do Sporting. Uma entrada a outra velocidade - diria mesmo a ritmo de "Champions" - fez com que o Benfica tomasse desde o primeiro minuto o controlo do jogo. Praticamente, jogou o mesmo onze que na passada 4ª feira, exceptuando o avançado. Em vez de Lima jogou o também brasileiro Jonas. E, já agora, que jogo - mais um! - do camisola 17! Na baliza, Júlio César foi mais uma vez titular (parece-me que já agarrou o lugar). O quarteto defensivo foi formado por Maxi e André Almeida nas laterais, Luisão e Jardel fazendo dupla no centro da defesa. Samaris foi o médio defensivo e o Enzo o médio centro "box-to-box". Nas alas, os argentinos Salvio e Gaitán. Lá na frente a dupla brasileira formada pelo jovem Talisca e o já referido Jonas.

O duplo pivôt-ofensivo com Talisca e Jonas
Sem um avançado de referência puro, dada a movimentação de Talisca e Jonas que desciam até ao meio-campo, os defesas da Académica passaram praticamente o jogo todo a tentar procurar uma marcação. Ao fazer isso, subiam as linhas de forma desorganizada, criando espaços nas costas, onde os extremos encarnados, em movimentos diagonais, conseguiam chegar e criar problemas ao guardião da briosa. Foi num desses lances, e após enorme assistência de pé esquerdo do "motor" Enzo, que o camisola 10 encarnado faz o primeiro da partida. Neste lance, não sei o que é melhor, se a qualidade do passe que "rasga" por completo a defesa da Académica, se a recepção com a ponta da bota de Gaitán, se a conclusão em corte com o pé esquerdo, numa posição onde se pedia um pé direito. Uma menção para o trabalho de casa de "Jota-Jota". Claramente havia indicações por parte do banco encarnado para os jogadores jogarem dessa forma. Durante a primeira parte, foi ensaiado muitas mais vezes esse tipo de movimentos.

Movimentações tipo com duplo pivot ofensivo, ou seja, com duplo 9,5 ou dupla de falsos 9.
Talisca e Jonas são os jogadores encarnados que melhor interpretam este modelo.

Mas, não era apenas este tipo de movimentos que a equipa encarnada efectuava. Como Talisca e Jonas funcionavam como uma espécie de dupla de falsos 9, conseguiam muitas vezes fazer combinações com o meio-campo, libertando depois para espaços nas alas onde os extremos pudessem explorar. Nota: gostei de ver esta dupla a jogar pela primeira vez, e sobretudo com as funções que jogaram, pois demonstraram em campo uma ideia que já tinha defendido aqui no blogue. Numa transição rápida pelo lado esquerdo, o Jonas poderia ter chegado ao golo, após cabeceamento como manda as regras - de cima para baixo - tendo levado a bola à trave. Teria sido um grande golo a coroar uma grande jogada. O Benfica criava situações, mas faltava qualquer coisa no último terço do terreno. Ora era uma decisão no momento certo - por exemplo, um passe no momento certo - ora era por pura infelicidade - ou falta de qualidade - no momento de finalização.

O golo de Luisão ao cair do pano da 1ª parte foi fundamental para a gestão da partida
Uns momentos antes do intervalo, após falta sobre o Gaitán (novamente ele!), Enzo cruza com o pé direito para a grande área, numa zona fora do alcance do guarda-redes da Académica, onde Luisão consegue ganhar nas alturas a todos os jogadores. Inclusive, ao pouco brioso guarda-redes adversário, que sai de forma imprudente. Estava feito o 0 a 2 e era tempo de descanso.

O Benfica soube gerir com a bola nos pés na 2ª parte, para gerir esforço física, mas precisa ainda de trabalhar muito a reacção à perda de bola
Na segunda parte, o Benfica entra a um ritmo diferente, mais controlador. Gostei de ver os períodos em que conseguimos trocar a bola pacientemente no meio-campo adversário. Isto é algo que o Benfica deve saber fazer. Por outro lado, não gostei que a equipa descesse tanto quando perdia a bola. Talvez por ser adepto da pressão alta e da reacção forte à perda de bola, que não goste de ver a equipa encarnada jogar da forma como jogou. No entanto, também tenho de contextualizar esse tema com o facto da equipa ter feito um importante jogo na Rússia a meio da semana e porque boa parte dos jogadores da frente, não estão habituados a esse tipo de jogo - por exemplo, o Talisca.

Desta vez o Talisca não petiscou
Por falar no brasileiro, embora com um ou outro pormenor, e sem um avançado ponta-de-lança que fixasse mais os centrais, sentiu muito a pressão nas costas dos defesas adversários. O Talisca tem de se habituar a esse tipo de jogo, pois só o tornará melhor jogador. Um futebolista com o perfil físico de 1,90m tem de saber usar o seu corpo nos confrontos físicos, sobretudo se quer ser uma referência mundial como atacante. Mesmo que se pretenda converter o internacional canarinho num médio "box-to-box", este problema mantém-se. Outro factor que ele tem de evoluir o seu jogo é na rapidez de decisão. Penso que isso virá com a capacidade que ele tiver em focar-se no encontro, pois para ser rápido é preciso acima de tudo antever as situações. Por exemplo, quando uma bola é passada por um colega para si, ele tem de saber já o que vai fazer com a bola e não decidir isso quando tiver nos seus pés. É esse o segredo dos grandes jogadores. Vide o espanhol Fabregàs ou Xabi Alonso?! Ambos jogam quase sempre ao primeiro toque, porque antes da bola vir, já sabem para onde ela vai. Isto por si só faz acelerar logo o seu jogo e por conseguinte o jogo de toda a equipa. Por outro lado, também dou um desconto ao miúdo: penso que foi dos jogadores que mais acusou o jogo a meio da semana.


Talvez por causa disso, tenha sido dos primeiros a sair. Para o seu lugar, em vez de entrar o Derley, entrou o Ola John, com consequente passagem do Nico para a posição "10". Já agora, e antes de continuar, de referir que o Jesus ainda durante alguns momentos da partida, fez algumas trocas posicionais entre o camisola 10 e o camisola 30. Gostei dessa dinâmica, pois acabou por baralhar o adversário e acabou por criar casas tácticas onde os jogadores poderiam ganhar mais fôlego. Voltando ao holandês, penso que teve uma excelente entrada em jogo. Soube acelerar e desacelerar o jogo, consoante o número de jogadores que iam consigo para o ataque. Pena, que quando desacelerava e passava para trás, Samaris, Enzo e companhia nem sempre faziam a variação do centro de jogo, ou tinham a paciência para circular a bola entre jogadores. De qualquer maneira, penso que tenha sido o jogo onde o Benfica mais circulação fez. O camisola 15 fez vários passes para assistência de golo na segunda parte. Jonas, Salvio e até o próprio Gaitán tiveram perto do terceiro, mas quem foi o verdadeiro perdulário da noite, foi o brasileiro Derley, que substituiu o congénere Jonas.

Deus perdoa... Derley também!
Derley teve à vontade umas duas a três oportunidades em 15 minutos que esteve em campo. Duas delas, golo cantado. Se ele quer realmente ser visto como titular, tem de começar a meter estas bolas lá dentro. Caso contrário, Lima que já está sobreaviso, poderá voltar à boa forma ainda antes do camisola 9 fazer o gosto ao pé... Por falar no camisola 11, entrou para que o N1c0 recebesse as palmas bem merecidas. O argentino está num momento de forma brutal e eu gostei imenso de vê-lo a "10", ao lado do avançado. Acho que esta dinâmica poderá trazer outra consistência ao meio-campo encarnado, especialmente frente a adversários mais fortes - será esta a receita para o Porto? Aliás, a equipa encarnada que a certa altura na segunda parte estava em campo, parece-me um onze com potencial para determinados jogos mais complicados, conforme já tive oportunidade de fazer referência.

Que bem te fica N1c0
O que é que eu gostei e não gostei? Gostei do N1c0 a "10", conforme já referi. Gostei do jogão do Enzo e em parte do Samaris, pois vi grande progressão do grego nos últimos jogos. Gostei também da segurança de Júlio César (aquele lance do atraso de bola de Jardel, foi muito bem resolvido), de Luisão (imperial na defesa) e de André Almeida (acho que ninguém passou por ele a noite toda). Não gostei do Talisca, pois estava à espera de mais e preocupa-me que ele se canse rapidamente (nos últimos encontros é sempre substituído). Não gostei do perdulário Derley, se quer ser tomado a sério precisa de mostrar mais trabalho, i.e., mais golos!

Enormíssimo jogo do astro argentino. É talvez o nosso actual melhor jogador. Foi certamente
o MVP em Coimbra, estando presente em todos os lances de que deram origem a golo e
oportunidades claras.



P.S. 1: Nota final = 16

P.S. 2: O resumo do jogo por Jesus:
«O Benfica não está habituado a perder e, quando isso acontece, normalmente tem bom comportamento a seguir, como foi o caso. A equipa entrou bem no jogo e chegou ao 2x0. Tivemos muita qualidade na primeira meia hora. A Académica praticamente não teve uma oportunidade de golo, o Benfica fez dois e poderia ter feito mais. Fizemos um jogo de uma equipa experiente, tranquila e confiante.»

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