16 setembro 2012

Pré-época encarnada e jogos amigáveis: Parte 1

O prometido é devido e como tal aqui está a primeira parte do artigo que visa dar uma opinião sobre a pré-época encarnada e também dos jogos amigáveis deste início de temporada.


Neste primeira parte do artigo, pretendo dar uma perspectiva global da pré-temporada encarnada, no que se refere ao programa de jogos, mas também no que toca às mudanças de caras assistidas durante a pré-temporada e respectivas implicações no futebol praticado pela equipa.

O programa
Fazendo uma retrospectiva da pré-época do Benfica, que começou a 2 de Julho de 2012, data em que o futebol Benfica oficialmente começou a trabalhar com vista a actual temporada, o programa consistia, em:
  • Estágio de uma semana, de 9 a 17 de Julho, em Evian, França que incluía 3 jogos particulares:
    • Contra o Marselha em Sion a 13 de Julho, no Estádio Tourbillon (Sion, Suíça)
    • Contra o RM Hamm Benfica a 15 de Julho, no Estádio Hesperange (Luxemburgo)
    • Contra o Lille a 16 de Julho, no Estádio Saint Symphorien (Metz, França)
  • Jogo "Um gesto contra a fome", a 18 de Julho, entre a equipa do Benfica (mais alguns notáveis) e a Selecção "Luís Figo & Resto do Mundo", numa organização conjunta da Fundação Benfica, Fundação Luís Figo e o ACNUR, no Estádio da Luz (Portugal)
  • Participação no Torneio de Masters de Wroclaw, de 21 a 22 de Julho, com a participação das equipas do Atlético de Bilbau, do PSV e do Slask Wroclaw, para além do Benfica:
    • Contra o Slask Wroclaw a 21 de Julho, no estádio Miejski (Polónia)
    • Contra o PSV (final do torneio) a 22 de Julho, no Estádio Miejski (Polónia)
  • Jogo da Eusébio Cup, a 27 de Julho, que opôs o Benfica ao Real Madrid, no Estádio da Luz (Portugal)
  • Jogo particular, no dia 28 de Julho, frente ao Gil Vicente, no Estádio Cidade de Barcelos (Portugal)
  • Jogo particular, no dia 1 de Agosto, frente à Juventus, no Stade de Geneve (Genebra, Suíça)
  • Jogo particular, no dia 11 de Agosto, frente ao Fortuna Düsseldorf, no Estádio Esprit Arena (Düsseldorf, Alemanha)
Não podemos dizer que o jogo frente à fundação Luís Figo, possa ser um
verdadeiro teste de pré-época para o Benfica, mas deu para descomprimir
um pouco da digressão em terras gaulesas, assim como passar uma
mensagem forte e institucional numa luta tão nobre como contra a fome.
Mais recentemente e aproveitando a paragem dos campeonatos para os compromissos com as selecções, nas primeiras semanas de Setembro, o Benfica fez um jogo particular frente ao Real Bétis de Sevilha, no dia 12 de Setembro, no Estádio Municipal de Portimão (Portugal).
Só não entendo porque é que o Benfica tem de ir jogar frente ao Gil Vicente um dia depois de ter defrontado o campeão espanhol na Eusébio Cup, e também, porque é que regressamos à Suíça no início do mês de Agosto, quando 15 dias antes estivemos por lá?

O marketing de charme
Mais do que um rosto, Mantorras
representa um laço a outros povos
e que devemos saber aproveitar.
Olhando para todo este programa de estágios, salta a vista uma certa preocupação dos dirigentes encarnados em querer levar o Benfica junto das nossas comunidades emigrantes, numa acção de marketing charmoso. Considero isso de muito positivo e de ser repetido no futuro, em muitas mais comunidades lusófonas.
Para quando uma pré-época, em jeito de digressão, que una quase todas as comunidades portuguesas, como por exemplo Angola, Moçambique, Brasil, Macau, Timor,...?

O entra e sai no plantel
Agora, olhando rapidamente para os planteis com que começámos esta pré-época e para o actual verificamos inúmeras, diria mesmo demasiadas, alterações, que considero não serem sãs para uma equipa de futebol profissional com o nível de responsabilidade desportiva do Benfica. Senão vejamos:
  • Plantel provisório encarnado no início de Julho, com 29/30 jogadores:
    • Guarda-redes: Artur, Paulo Lopes, Mika
    • Defesas: Maxi (chegou mais tarde), Miguel Vítor, Luisão, Jardel, Garay e Luisinho
    • Médios: Ola John, Yannick Djaló (utilizado também a lateral direito), NolitoEnzo Pérez,  WitselCarlos MartinsJavi Garcia, Aimar, Matic, Bruno César, Nico Gaitán, Yartey e Melgarejo (adaptado a lateral esquerdo) 
    • Avançados: Hugo Vieira, Mora, Kardec, Saviola, Cardozo, Michel, Rodrigo (mais tarde saiu para participar nos jogos olímpicos) e Nélson Oliveira (chegou mais tarde)
  • Plantel a 12 de Setembro, já com os mercados fechados e com 24/26 jogadores:
    • Guarda-redes: Artur, Paulo Lopes, Mika
    • Defesas: Maxi, João Cancelo (?), Miguel Vítor, Luisão, Jardel, Garay, Sidnei, Luisinho e Melgarejo
    • Médios: Ola John, Salvio, Enzo Pérez, Carlos Martins, André Almeida (ou Leandro Pimenta ou André Gomes ou Miguel Rosa) (?), Aimar, Matic, Bruno César, Nico Gaitán e Nolito
    • Avançados: Lima, Kardec, Cardozo e Rodrigo
Yartey e Hugo Vieira
dois jogadores que não

tiveram hipóteses na Luz.
O único sector que não sofreram alterações profundas durante a pré-época foi o dos guarda-redes, com o trio a permanecer durante a pré-época até o início do campeonato. Agora, desde a defesa até o ataque, houve muitas mudanças. Ao todo contabilizo 15 alterações (9 saídas): saídas por empréstimo de Yannick Djaló, Hugo Vieira, Mora, Michel e Nélson Oliveira, saídas por venda/cessação de contrato de Javi Garcia, Witsel, Yartey e Saviola, reposicionamento de Melgarejo, o reaproveitamento do Sidnei, mais a provável utilização de dois jogadores da equipa B, como João Cancelo para lateral direito e André Almeida (ou Leandro Pimenta, ou André Gomes ou Miguel Rosa), para o meio-campo e as contratações de Salvio e de Lima.
Realço o cúmulo das saídas de Hugo Vieira e de Michel que nem sequer ficaram mais de dois meses no Benfica!? Como é isto possível? Como é que poderemos exigir aos jogadores que sintam a camisola se muitos deles nem sequer a conseguem vestir?

A "limpeza de balneário"
Ola era mesmo necessário, quando
temos o talentoso Urreta?
São imensas alterações para um clube de topo europeu... faz-me recordar a utilização da expressão "limpeza de balneário" tão sobejamente conhecida do léxico encarnado, em particular no período de Artur Jorge, em pleno anos 90's. Reparem que até não foi contabilizado as entradas e saídas antes de 2 de Julho, porque aí o número torna-se bem superior (Eduardo, Franco Jara, Ola John,...). E só de pensar que tudo isto é feito num ano de crise financeira...

Será que o Jara não poderia fazer o
mesmo que o vai fazer esta época?
Eu até posso entender as vendas de Javi Garcia e de Witsel, assim como a compra de um jogador com a qualidade do Salvio, mas agora, tantas alterações nos jogadores que muito provavelmente terão papel secundários neste plantel é que não! E isto para não falar no não aproveitamento de vários jogadores que temos sob contrato e que evitariam tantos gastos supérfluos em novos jogadores. Dois exemplos: Ola John por €9M, quando temos Urreta e Lima por €4M, quando temos um Franco Jara (ou um Nélson Oliveira, ou um Rodrigo Mora,... enfim, é só escolherem).
Porquê este entra e sai? Como é possível pensarem que os jogadores poderão render nestas condições? Como é que os jogadores têm tempo para se adaptarem ao clube? 

As implicações nas performances desportivas
Será que o Jesus não poderia meter
um travão nestas mudanças todas?
É que se formos a ver bem, este será
o primeiro a ser crucificado...
Mais preocupante ainda, é que todas estas mudanças não beneficiam em nada as performances desportivas, sobretudo, numa pré-época, onde os processos de jogo de toda uma temporada devem ser assimilados. Ou seja, chegamos ao fim da pré-época e verificamos que desperdiçámos cerca de dois meses de trabalho. Não é à toa que o jogo do Bétis serviu para o Jesus fazer algumas experiências no onze. Pudera, com tantas alterações no plantel!?
Será que as pré-temporadas agora só servem para recuperar fisicamente os jogadores? Então e o trabalho táctico que serve de base para toda a temporada?

O amadorismo
Os três "estarolas" responsáveis máximos pelo departamento
de futebol "profissional" do Benfica. Por onde andam eles?
Há pois um claro amadorismo que faz com que um comum adepto encarnado fique a pensar se haverá alguma diferença mesmo entre uma pré-época de um clube de topo ou os treinos de captação do clube do bairro. Apenas finalizo esta parte do artigo com a seguinte questão:
Como poderá ambicionar o Benfica a uma hegemonia nacional e também internacional com este tipo de decisões?





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