27 fevereiro 2012

Como jogar contra equipas fechadas, nos últimos minutos?

Este artigo de opinião tem o propósito de perceber qual a melhor forma que a actual equipa do Benfica, com os recursos que dispõe, poderá fazer face a equipas muito fechadas e, sobretudo, em jogos em que se chega ao último quarto de hora com um resultado negativo para a equipa encarnada.


Relativamente ao último encontro que o Benfica disputou para o campeonato, frente à Académica de Coimbra, penso que regra geral as opções técnicas de início da partida, mas também durante o desenrolar do jogo tiveram a sua lógica e teoricamente estavam correctas. Já agora, desta vez não poderemos culpabilizar o técnico encarnado por ter mexido tão tarde no encontro, uma vez que neste capítulo esteve muito bem.

Contudo, podemos questionar se JJ não arriscou em demasia ter colocado em campo jogadores que ora estão a integrar-se na lógica futebolística europeia (caso do Bruno César), ora estão a ganhar ritmo competitivo (caso do Djaló), quando tinha outras opções no banco (Saviola, por exemplo). É certo que o técnico encarnado é quem trabalha com os atletas diariamente e, por isso, saberá melhor do que ninguém quem estará em condições para jogar e dar o que a equipa necessita nos jogos. Mas, o resultado e a exibição da táctica do "chuveirinho" são factos implacáveis e que reflectem que algo tem de ser feito e corrigido para que futuramente, se tenha sucesso neste tipo de abordagem.

Como jogou o Benfica nos últimos minutos do encontro?
Estratégia que o Benfica utilizou frente à Briosa para os
últimos minutos de jogo.
A meu ver, o "chuveirinho" do Benfica nos últimos minutos, ficou apenas por uma intenção e viu-se claramente que as coisas foram mal ensaiadas, um pouco à imagem do que tem sido os lances de bola parada encarnados, nos últimos tempos... "Jota-Jota", em momento algum desfez a sua linha de quatro defesas. Percebo porque o tenha feito, uma vez que do mal o menos, que venha o empate e não a derrota. No entanto, penso que nos últimos minutos de jogo, isso poderia ser alterado, uma vez que a intenção principal do adversário seria a de manter linhas e mandar a bola para fora do campo, para perder tempo. É que acho que uma defesa com jogadores como Jardel e Emerson, é uma defesa demasiado atrás, para um assalto final que se pretenda pressionante e com qualidade no passe, por parte dos encarnados. Uma nota sobre o comportamento dos laterais nos últimos minutos: Maxi e Emerson, jogaram mais abertos e adiantados no terreno, quase como médios-ala, uma vez que o Witsel descia para o meio dos centrais, um pouco como faz Busquets no Barcelona. No entanto, se Maxi, até consegue desempenhar bem a sua função como lateral/médio-ala atacante, o mesmo já não poderemos dizer de Emerson. E foi por aqui que o plano de Jesus começou a não ter sucesso.

No meio-campo, para os últimos minutos, Jesus investiu numa dupla entre Witsel e Bruno César, com o belga a descer para perto dos centrais quando o Benfica defendia ou saía com a bola para o ataque e o Bruno a orbitrar na linha de meio-campo ofensiva. Se o Witsel tem-se adaptado bem ao que Jesus lhe pede em campo, quanto ao brasileiro, ainda não está em condições de ter a batuta da equipa. Precisa de formatar a sua forma de jogar, o campeonato português não é nem de perto nem de longe o brasileirão.

No ataque, a entrada de Nélson Oliveira foi quanto a mim a escolha mais acertada de Jesus em todo o encontro. Nolito, foi também uma boa opção para ver se sacudia a defesa da Briosa. Quanto a Djaló, repito que a ideia era boa, mas não é com um jogador sem ritmo de jogo, sem entrosamento com outros colegas de equipa e ainda por cima a adaptar-se a uma nova posição que não desempenhava anteriormente, que se pode exigir que vá mudar o jogo. O factor surpresa resulta se for contra o adversário, mas não se for contra a própria equipa...

Como deveria ter jogado o Benfica nos últimos minutos, em Coimbra?
Substituição ao minuto 45: Sai Jardel, entra
Nélson Oliveira. Matic vai para o centro da defesa.
Substituição dos 45'': Penso que Matic não deveria ter saído, aquando da substituição de Nélson Oliveira, mas sim Jardel. Embora o brasileiro fez uma exibição segura, se era para controlar o jogo e tentar dominá-lo, é importante ter em campo jogadores que saibam tratar bem a bola, que ofereçam opções dentro de campo para ir-se alterando. Matic, quer gostem ou não, é um jogador de enorme potencial nesses aspectos. Pelo que vi da Académica, duvido muito que com ele a recuar para central teríamos problemas defensivos. Ganharíamos capacidade de passe longo e capacidade de sair com a bola a jogar da defesa através desses dois centrais: Matic e Garay. Por outro lado, a defesa jogaria mais avançada, jogando os jogadores defensivos mais rápidos que temos (exceptuando os laterais).

Substituição ao minuto 60: Entra o espanhol Nolito
e sai o lateral-esquerdo brasileiro, Emerson.
Nico fará o corredor esquerdo.
Substituição dos 60'': A entrada de Nolito era necessária. Mas, não iria retirar o Nico, que embora um pouco desaparecido do encontro, nunca demonstrou fadiga. Ao invés, teria retirado Emerson. Porquê? Porque pura e simplesmente, o lateral esquerdo brasileiro funciona mais como equilíbrio defensivo da equipa do que como desiquilíbrio ofensivo. Ora, baixando o Witsel para meio dos centrais e fazer os laterais avançarem e terem liberdade para atacar, pelos seus corredores, não requer a necessidade de um Emerson que em termos ofensivos demonstra muito pouco para uma equipa com a responsabilidade do Benfica. Para além disso, recordo-vos que o Nico já fez uma grande exibição frente ao Porto, quando foi chamado a fechar o lado esquerdo, após expulsão do Coentrão. Em termos atacantes, não tenho dúvidas que com Nolito a chamar a atenção, o Nico a fazer o corredor, aproveitaria melhor as bolas que o espanhol daria em combinações.

Substituição ao minuto 70: Entra o argentino
  Saviola para a saída do brasileiro Bruno César.    
Substituição dos 70'': Ao invés de entrar Djaló colocaria o Saviola em jogo. Ao invés de tirar de campo o Aimar, retirava o Bruno César. Porquê? Por vários factores. Primeiro, porque é um pouco injusto exigir a Bruno César, e muito mais a Djaló, que façam grandes exibições quando estão ainda em processos de adaptação à equipa e, num deles, até ao tipo de futebol europeu. Segundo, porque acho que o Aimar não estava cansado. Estava sim perdido em campo, porque via as suas linha defensiva e ofensiva muito afastadas dele. Com as substituições anteriores, decerto que o camisola 10 encarnado, não sentiria assim. Terceiro, porque Saviola é dos poucos avançados que temos que sabe descer e vir procurar construir jogo com os colegas de meio-campo. Isto é essencial fazer-se, mesmo nos últimos minutos, pois só assim é possível abanar a defesa adversária e evitar o "chuveirinho" sem pés nem cabeça. Assim, Nélson Oliveira, iria deslocar-se mais para o lado direito do ataque, procurando dar profundidade por essa ala, quando solicitado, mas também, aparecer na grande área para finalizar.

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