03 abril 2012

O Bola 8

Bruno César, o Bola 8

O "robusto" e "baixinho" internacional A canarinho, Bruno César, é o mais recente jogador da jornada do campeonato nacional, com aquele golo "ao cantinho", no último minuto dos descontos(!) A pergunta que se coloca, neste momento, é até onde poderá o nosso "Bola 8" chegar?


Paços de Ferreira - Benfica
Livre directo "em jeito" que deu o triunfo do
Benfica frente ao Paços de Ferreira.
Conhecido por "chuta-chuta" nos relvados brasileiros, o golo frente aos minhotos espanta por ser um brasileiro a rematar com uma frieza germânica na execução, apenas só comparável à precisão suíça do seu remate. Não obstante, a curvatura da trajectória para o golo, essa é toda digna de artista do "escrete canarinho". Aliás, já frente ao Paços de Ferreira num livre em "banana" (ou em "folha seca", como preferirem), tinha demonstrado toda a sua habilidade sul-americana.

Contudo, nem tudo tem sido rosas para o Bruno César, pois embora seja um jogador talentoso, traz consigo  alguns defeitos do futebol brasileiro:
  • A começar pela intensidade do seu jogo. O camisola 8 encarnado, tirando um ou outro rasgo individual, quase como um grito de Iparenga dentro das quatro linhas, lá conseguiu combater a espaços esse problema de intensidade. Isso foi notório em vários jogos, tanto para o campeonato, como para a Liga dos Campeões onde muitas vezes perdia muito tempo com a bola nos pés e era lento a decidir. 
  • Isso leva-nos para outro grande vício de brasileirão: a decisão das jogadas. No Brasil, dá tempo para fintar, parar, voltar a trás, pedalar e fintar o defesa novamente. Aqui em Portugal, e no futebol europeu, em geral, já não! Decidir as jogadas tem também muito haver com o tempo, ritmo e intensidade com que se joga futebol, pois quanto mais rápido um jogador for capaz de "ler" o posicionamento e as movimentações, tanto dos seus colegas de equipa, como dos adversários, mais rápido ele decide e executa o que deve executar. Vindo rotulado de "10" no Brasil, chegar a Portugal e sentir essas dificuldades todas, ainda por cima tendo sido das contratações mais caras da temporada para a equipa encarnada, foi uma desilusão para muitos benfiquistas que esperavam (e esperam) mais do Bruno.
  • Por fim, tal como quase todos os jogadores criativos do futebol "zuca", também o Bruno carecia de rigor e inteligência táctica. Quando chegou, revelou dificuldades em entender que o ritmo europeu exige que todos os jogadores saibam interpretar os momentos defensivos da equipa, devendo recuar para uma posição que permita defender melhor em conjunto, como equipa. Por seu turno, também nos movimentos ofensivos, facilmente se desposicionava, criando pequenas anarquias posicionais, que poderiam mediante determinadas situações originar situações de perigo contra a nossa equipa.

Benfica - Braga
Remate "em jeito" que deu o triunfo do
Benfica frente ao Sporting de Braga.
No entanto, com muito trabalho e humildade, o Bruno César chega a este final de temporada com números e fundamentalmente, futebol, para dar e vender. É certo, que em momentos-chave, teve nitidamente o apoio do seu treinador, que desde o dia um acreditou nele, muito embora, teve que certamente de utilizá-lo noutra posição que não estaria à espera. Mas, mesmo nessa nova (será que era assim tão nova?) posição, até acabou por servir de formação para o brasileiro poder trabalhar os tais três defeitos que tinha do futebol sul-americano. Desses três, penso mesmo que só lhe faltará trabalhar mais a decisão das jogadas, mesmo correndo o risco de ser aqui criticado, quando ele define daquela maneira no último minuto de jogo, frente ao arsenal bracarense. O jogo frente ao Braga e mesmo o jogo frente ao Paços de Ferreira, revelou-nos um Bruno César já preparado para jogos de nível de intensidade superior. Talvez a experiência nos jogos que fez na fase de grupos da Liga dos Campeões tenha-o ajudado nessa evolução. O mesmo poderei escrever do rigor e inteligência táctica com que ele já se move em campo, apoiando muitas vezes o Javi Garcia e o Witsel, no centro do terreno. Isto jamais era possível com o Bruno César de início de temporada e por isso elogio-o pelo merecido esforço e dedicação que teve em querer evoluir para vingar no futebol europeu. Mas, não é só a capacidade de trabalho e a atitude humilde de reconhecer as falhas e querer melhorá-las que admiro no internacional canarinho. Também admiro a sua mentalidade competitiva e de arriscar invariavelmente no remate, o que lhe já concedeu números engraçados para uma primeira temporada no futebol europeu, isto para não falar do seu registo na Liga dos Campeões...

Até onde poderá chegar o nosso "Bola 8"?
Leiria - Benfica
Jogando como falso médio-ala/extremo direito.
Bem, isso vai depender dele, mas também do sistema da equipa. Actualmente, eu penso que ele deverá prosseguir o resto da temporada como falso médio-ala/extremo. Jogando na ala direita, deverá tentar fazer movimentos interiores. Estes movimentos podem permitir rupturas nas costas da defesa para um avançado rápido aproveitar numa diagonal, um dos seus passes, tal como aconteceu com o movimento do Nélson Oliveira que depois serviu o Nico Gaitán para o primeiro golo encarnado nesse encontro. Ou então, este tipo de movimentações, pode permitir que o lateral direito possa subir nas suas costas e aproveitar esse espaço, que poderá ser solicitado pelo Bruno ou outro colega através de um passe em profundidade para o lateral. Ou ainda, com as desmarcações dos seus colegas a puxarem as respectivas marcações, num movimento interior, o Bruno poderá ter espaço para utilizar uma das suas principais armas: o remate!

Basel - Benfica
Jogando como médio interior/ala esquerdo de raiz
pode também aparecer lá à frente para concluir.
Embora não sendo um driblador natural, denoto que em alguns jogos e para certos adversários e condicionantes da equipa, como por exemplo lesões e castigos de colegas, penso que poderá jogar hoje em dia na posição de médio interior/ala esquerdo de melhor forma que há uns meses atrás. Será nesse contexto um jogador  não tanto de desequilíbrio, procurando o drible ou o espaço nas costas do adversário, mas sim mais pendular, dando qualidade de passe a meio-campo e meia distância, mas também maior entreajuda defensiva aos colegas com funções mais defensivas. Jogando como médio interior, permitiria que o Bruno desenvolvesse a sua capacidade de decisão de jogadas.

Otelul - Benfica
Jogando como segundo avançado,
aparecendo em zonas de finalização.
Na próxima temporada, gostava de vê-lo também nas posições de "10" e de segundo avançado, para ver o que ele conseguiria oferecer num momento em que muito provavelmente já se sentiria totalmente adaptado ao futebol europeu e aqueles três pontos anteriores teriam sido ultrapassados. Com a sua capacidade de luta e espírito guerreiro, quiçá se a "torcida" do Corinthians não tinha razão e o Bruno César é sim o Tévez brasileiro?



Será que quarta-feira este pé esquerdo dará nova alegria? Porque não?

1 comentário:

  1. Bom artigo sobre o Bruno.
    Abraço
    Redady

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