04 dezembro 2011

Os 7 pecados de Jesus


O jogo do Barreiros, que ditou a nossa eliminação foi a gota de água do que até então parecia tolerável, para conjectura de resultados obtidos. A verdade é que JJ tem cometido alguns pecados. A maioria deles com impacto negativo sobre a performance da equipa que de certa maneira tem sido camuflado pelo virtuosismo de alguns dos nossos atletas.

Embora uma invencibilidade de mais de 20 jogos em competições oficiais, seja um feito muito bom para Jorge Jesus, a verdade é que o Benfica desta temporada ainda não deslumbrou do ponto de vista exibicional e, podemos escrever sem cometer imprecisões, de que houve muitos jogos em que tivémos uma pontinha de sorte.

Mas, afinal quais têm sido os pecados de Jesus?
  1. Desconhecimento dos atletas que tem à sua disposição.A meu ver, JJ não tem sabido avaliar bem as virtudes e defeitos dos seus jogadores. O exemplo mais flagrante, prende-se com o Emerson. O brasileiro tem claras limitações técnicas e tácticas, que o condicionam nos movimentos ofensivos e que o treinador encarnado parece pouco sensível a tal. O argentino Saviola é outro dos que tem sido mais fustigado com estas faltas de leituras do técnico encarnado. Desde que David Luiz saiu da Luz, a defesa do Benfica deixou de jogar tão subida no terreno, prejudicando jogadores como Saviola (e também o Cardozo...), que agora se desgastam em movimentações, na qual não têm perfil físico para desempenharem. Cabe ao treinador saber adaptar a equipa face aos jogadores que tem à disposição.
  2. Colocação de alguns jogadores em posições em que não rendem.Isto também poderá ser uma consequência do ponto anterior, na medida, que ele julga que determinadas características dos jogadores fazem-nos render em determinadas posições, mas que na prática não resultam. Um bom exemplo disto, é a colocação de Ruben Amorim em campo, tanto como lateral direito, como médio-ala direito e até mesmo esquerdo. A exibição do internacional A português, na proclamada batalha naval, na Figueira da Foz, deveria ser conclusiva, onde o rapaz deve jogar... mais até do que o aviso que o jogador já transmitiu.
  3. Incoerências tácticas e falta de qualidade de treino.Para muitos é o "mestre das tácticas", mas a realidade dos jogos tem-se verificado que não é bem assim. Frente ao Marítimo, foi clara a falta de trabalho de casa realizada pela nossa equipa técnica. Em termos tácticos, jogar contra um dos melhores trios de meio-campistas do campeonato com apenas dois jogadores, sendo que um deles tem jogado de vez em quanto, é um erro crasso. Em termos de movimentações da equipa, tanto defensivamente, como ofensivamente, foi um caos e sem fio de jogo algum, revelando falta de treino e preparação. Tal não é admissível dado o tempo de preparação que houve para este encontro e o grau de importância da eliminatória. Contudo, já isso tinha sido visível noutros encontros desta temporada.
  4. Incorrecto desenvolvimento de jogadores.Este pecado vai de encontro com o que eu penso que o JJ está a fazer ao Axel Witsel. O belga só tem brilhado em alguns jogos. Deveria ser questionado o porquê de só ter brilhado no início da temporada e agora frente a grandes equipas, como o Manchester United. A melhor resposta que encontro é a motivação. Mas, e os outros encontros? Aí eu penso que vem ao de cima ele estar a jogar numa posição que não-lhe está no seu dna. Para quem o não conhecia, ele era um "10", daqueles que apareciam no último terço do terreno, tanto para assistir colegas, como também para finalizar. Vejam aonde ele joga no Benfica. Talvez seja por isso, que muitas vezes vemos o meio-campo a ficar desconectado... Talvez seja por isso que acho que o JJ está a insistir numa coisa que dificilmente resultará em pleno... Talvez seja por isso que tenho receio que o Witsel seja mais um "Anderson" do futebol mundial.
  5. Demasiadas ideias estereotipadas.Vejo isso, quando leio e oiço comentários acerca da exigência e preferência de centrais com mais 1.90m, facto que faz relegar um talento nacional como o Miguel Vítor para 4ª opção no eixo defensivo, quando tem sido dos melhores sempre que é chamado a cumprir a sua missão. Poderia aqui recordar jogadores como Beckenbauer, Baresi, Cannavaro, Puyol, Ayala, entre outros, que foram e são grandes centrais e que tinham e têm em comum, alturas inferiores a 1.85m.
  6. Não incentivar uma cultura de mérito exibicional.Tenho reparado que após uma grande exibição de jogadores que há primeira vista não serão titulares, por factores que me transcendem um pouco, esses mesmos jogadores não merecem oportunidade nos jogos seguintes. Já aconteceu isso, com o Nolito (em deterimento de Bruno César), com o Ruben Amorim (em deterimento de Witsel) e, recentemente, com o Miguel Vítor (em deterimento de Jardel).
  7. Preconceito e falta de oportunidades a diversos jogadores, mas protecção a outros.Eu penso que este pecado poderá vir a se tornar num enorme problema, caso o Benfica entre num ciclo negativo de exibições e resultados, uma vez que cria rupturas dentro do balneário.
    Os seguintes jogadores são os que têm sido vítimas de algum preconceito e falta de oportunidades: Capdevilla (ainda não entendi porque é que ele não dá a oportunidade para o experiente campeão europeu e mundial ganhar forma jogando mais vezes, nem que seja como suplente... será da idade?), David Simão (não seria possível este jogar mais vezes, nem que fosse como suplente, pelo menos para testar se com ele o meio-campo funcionaria melhor?), Nélson Oliveira (só joga praticamente uma vez por mês... isto um medalha de prata de sub20 mundial... não será um desperdício? não poderia estar aqui para além de um avançado um extremo direito que tanto precisamos?).
    Os jogadores mais protegidos pelo Jorge Jesus esta temporada têm sido: Jardel (o central não é tão mal quanto parece, mas ao contrário de Miguel Vítor que precisa de fazer exibições imaculadas e mesmo assim sem garantia, o brasileiro goza de algum proteccionismo, mesmo quando as coisas não lhe correm tão bem!), Witsel (apesar das recentes grandes exibições, já houve jogos em que deveria ter sido substituido, mas parece que o JJ não prescinde dele...), Bruno César (veio rotulado de médio-ofensivo, mas facilmente percebe-se que ainda não tem a estaleca necessária para ser o "10" que o Benfica precisa, daí que Jesus o tenha colocado numa faixa... acontece que aí, não tem tido muito sucesso, mas JJ prefere utilizá-lo do que o Nolito, mesmo depois daquela entrada do espanhol no campeonato... porque será?).
Eu penso que o plantel encarnado não é assim tão mal quanto parece ser. Não tenho visto falta de empenho dos jogadores, mesmo quando as exibições são pouco mais que satisfatórias. Basta ver o semblante dos jogadores encarnados após o término da partida frente ao Sporting, para perceber o grau de compromisso que eles estão a ter com o jogo. Daí que a eles não aponto nada, neste momento...

Duma coisa é certa, está nas "mãos" de Jorge Jesus inverter todas estas críticas, facto que torço para que aconteça.

01 dezembro 2011

Que Benfica para dançar o bailinho da Madeira?

Face a uma semana de enorme desgaste físico e com tão bons resultados obtidos para o conjunto encarnado, será curioso ver como o treinador Jorge Jesus irá gerir o seu grupo não só em termos físicos, mas também em termos anímicos, nomeadamente possível excessos de confiança. Em jogo está nada mais nada menos que o acesso aos quartos-de-final da Taça de Portugal.

Esta 6ª feira, joga-se no estádio dos Barreiros, na Madeira um jogo dos oitavos de final para a taça de Portugal, que opõe o Benfica com o Marítimo. É talvez o jogo mais difícil dos encarnados nesta caminhada a taça. A culpa deve-se ao excelente trabalho de Pedro Martins ao serviço da equipa maritimista, por muitos apelidada de equipa sensação, devido ao 4º lugar no campeonato nacional.

O Marítimo:
Pedro Martins montou um atractivo 4-3-3, que utiliza a mobilidade e velocidade dos seus três atacantes como uma das maiores armas esta temporada. É certo que Danilo Dias é um jogador de meio-campo criativo que com Martins aprendeu uma nova posição, a de extremo. Tem sido uma boa aposta do jovem técnico português, uma vez que quando a equipa defende, Danilo faz de quarto homem no meio-campo, mas quando o Marítimo ataca, o brasileiro desmultiplica-se formando o tridente ofensivo com Sami e Baba. Atenção ao Baba, não só pela sua velocidade, como também pelas suas movimentações. Contudo, dado o poder do adversário, Martins poderá optar por reforçar o meio-campo com um jogador mais defensivo. Esta será uma das questões que o treinador do Marítimo poderá reservar-nos amanhã.

Outra questão que se coloca é quem será o lateral esquerdo, isto depois da expulsão do talentoso internacional sub21 português, o madeirense Ruben Ferreira (atenção a este jovem!!!). À partida, o lugar deverá ser entregue ao polivalente Briguel, sendo muito provável que Luis Olim ocupará o lado direito da defesa. Ora, quer se queria quer não, deverá residir aqui uma das fragilidades do Marítimo, pelo que era importante o Benfica saber aproveitar as suas alas...

Possível onze titular do Marítimo para o encontro da taça de Portugal frente ao Benfica.
As setas contínuas amarelas representam as movimentações sem bola dos principais jogadores do Marítimo.
As setas descontínuas amarelas representam as movimentações com bola dos principais jogadores do Marítimo.
Salientar que o estilo de jogo do Marítimo não é o de posse de bola e ataque continuado, mas sim o de contra-ataque, explorando o espaço nas costas dos defesas adversários. Sendo assim, é importante que os centrais do Benfica saibam proteger a sua retaguarda e que tenham o fora-de-jogo bem assimilado...

Para desenvolver o "contra-golpe", o Marítimo costuma fazê-lo preferencialmente pelo lado direito, onde Rafael Miranda (um dos destaques do primeiro terço do campeonato nacional!) e Danilo Dias combinam bem dando profundidade e largura ao lado direito do ataque madeirense. São os dois jogadores que melhor transportam a bola do ataque. No lado esquerdo, a profundidade atacante cabe a Ruben Ferreira, uma vez que Sami tem tendência a procurar espaços interiores para desferir remate com o pé direito. Ora sem o jovem madeirense, o Marítimo poderá ressentir-se em termos atacantes desse lado. Daí que o Benfica possa explorar esse lado para atacar.

O Benfica:
A lista de convocados de JJ para este encontro causou-me alguma surpresa, pois não vi os nomes de Capdevilla (autorizado para ir a um sorteiro do Euro2012?!), David Simão e Rodrigo Mora, jogadores que foram sempre usados nas outras eliminatórias da taça de Portugal. Eis a lista:
  • Guarda-redes: Artur, Eduardo e Mika;
  • Defesas: Miguel Vítor, Maxi Pereira, Garay, Jardel, Emerson e Luís Martins;
  • Médios: Matic, Javi García, Gaitán, Bruno César, Nolito, Witsel, Aimar e Ruben Amorim;
  • Avançados: Saviola, Rodrigo e Nelson Oliveira.
De qualquer maneira, face a esta lista de convocados, gostaria de ver o Benfica jogar com o seguinte onze titular:

Possível onze títular do Benfica frente ao Marítimo para a taça de Portugal.
Táctica: 4-2-3-1.
 Jardel aparece neste onze a titular, mais para satisfazer o raciocínio de JJ na conferência de imprensa que antecedeu a viagem para a Madeira. É também um prémio para o desempenho do brasileiro frente ao Sporting. Contudo, saliento que a minha preferência iria para o Miguel Vítor. Mas, para este reservo lugar a titular no jogo da Liga dos Campeões na próxima semana...

Luís Martins é a surpresa no quarteto defensivo. Optei pelo sub21 português, em deterimento de Emerson, para dar oportunidade e ritmo de jogo a ele. Por seu turno, faz-se descansar Emerson para o jogo da Liga dos Campeões e tem o efeito secundário de mandar a mensagem de que tem de trabalhar mais e melhor, pois as suas exibições tem sido pouco mais que suficientes e satisfatórias.

Maxi Pereira, como não joga a meio da semana, pode jogar aqui sem qualquer problema a nível de gestão do esforço. Garay, este tem sido fundamental na manobra defensiva da equipa, ele e o espanhol Javi Garcia.

No meio-campo, Javi aparece a titular, mas gostaria de poder substituí-lo a meio do jogo pelo Matic. Contudo, neste momento é um jogador em alta e que transmite uma confiança e garra espectacular. Ao seu lado, ao invés do belga Witsel, coloco o "manz" Ruben Amorim. Este é para mim o melhor "8" do plantel encarnado. É uma avaliação que não gera consenso, eu assumo, mas é uma daquelas apostas que se fosse treinador do Benfica teria o prazer de fazê-la.

Outra aposta minha, seria a de dar liberdade a Witsel como "10" da equipa. Penso que a sua capacidade física, técnica e de protecção de bola, poderiam ser um excelente complemento para a velocidade de Rodrigo. Sabendo que deveremos gerir bem a forma física de Aimar, esta seria uma excelente oportunidade para fazer um pequeno teste, frente a um adversário forte e cheio de valor, mas ao alcance do nosso jogo. Até porque, o Witsel parece estar a atravessar um excelente momento...

Nas alas, escolhi o Nico sobre a esquerda e o Nolito sobre a direita, para poderem aproveitar as debilidades que o Marítimo deverá apresentar nas suas laterais. Durante o encontro promoveria a troca constante destes dois jogadores, até porque jogaria com dois laterais rápidos e ofensivos como são Maxi Pereira e Luís Martins.

Quanto à estratégia de jogo, é fundamental que a equipa encarnada jogue em bloco coeso, encurtando distâncias nos nossos jogadores. Contudo, Rodrigo, Nico e Nolito deverão ter maior liberdade para esticar a equipa, sobretudo em contra-golpe. A orquestrar estes movimentos, estará o belga, que também terá liberdade de chegar a zonas de finalização. Defensivamente, deveremos optar por um bloco relativamente baixo, tão ao gosto do estilo de jogo de Jardel e para encurtar o espaço que Bábá e Sami poderão ter nas costas dos centrais encarnados. O fora-de-jogo também será uma arma importante para Garay e Jardel...

Quanto às bolas paradas, Jardel, Garay, Javi e Witsel oferecem estatura importante tanto na defesa como no ataque. Nolito e Nico deverão assumir os cantos e livres da equipa.

Quanto às substituições, estas serão sempre condicionadas ao desenrolar do jogo, mas gostaria de ver, para além de Matic (como "6"), o Nélson Oliveira (tanto a extremo como a avançado) e Bruno César (como "10").

Quanto ao Saviola, reservo-lhe oportunidade no jogo da Liga dos Campeões.

26 novembro 2011

Que Sporting na Luz?

Amanhã, quando forem 20:15, joga-se mais um derbie da cidade de Lisboa, desta feita para a 1ª Liga ZON Sagres, referente à 11ª jornada. Será o 145º jogo disputado entre estas duas equipas para o campeonato e está em jogo o primeiro lugar na classificação, embora seja provisório, dependendo do resultado do jogo entre o Porto e Braga a disputar no domingo.

De parte a parte, qualquer que seja o resultado não será impeditivo de uma recuperação futura. Contudo, como diz o provérbio popular "candeia que vai à frente alumia duas vezes", e isto é particularmente verdade numa liga onde o fosso de qualidade entre os grandes e os pequeninos é cada vez maior. Sendo assim, faz ainda mais sentido um empenho extra neste encontro e uma análise mais profunda ao conjunto leonino.


Possível onze e esquema táctico leonino para o derbie na Luz.
Setas contínuas amarelas, representam as movimentações sem bola dos jogadores.
Setas descontínuas amarelas, representam as moviemntações com bola dos jogadores.

A táctica do Sporting:
O Sporting de Domingos Paciência, é uma equipa apoiada num 4-3-3 tradicional, conforme o esquematizado na figura.
Nela consta um quarteto defensivo, constituído por dois laterais e dois centrais. O meio-campo é formado por um tridente invertido, i.e., um meio-campista mais defensivo e dois médio-centro interiores à sua frente. No ataque, o tridente é formado por dois extremos e um avançado centro. Este é o esquema base do Sporting. O esquema que face ao grupo de jogadores à disposição do treinador mais estabilidade lhe garante a nível exibicional.
Contudo, e tendo em conta que Domingos no Sporting de Braga, apostava mais num 4-2-3-1, poderá facilmente alterar a estrutura táctica da equipa colocando um jogador mais no apoio ao avançado-centro, jogando nas suas costas.

O onze leonino:
Os jogadores que deverão começar o encontro na Luz, não deverão fugir muito dos representados na figura.
  • Na baliza, o internacional A por Portugal, o Rui Patrício, está de pedra e cal no onze. Outrora muito discutido, está hoje um guarda-redes mais constante, daí que seja o habitual titular da nossa selecção. Trata-se pois de um valor seguro.
  • O quarteto defensivo, sofreu uma reforma de 50% nesta temporada. A dupla de centrais é formada por Onyewu sobre a meia-direita e Polga sobre a meia-esquerda. Notar que esta dupla não tem muitos jogos junta, pelo que a comunicação entre eles poderá não ser a melhor. Mais, salienta-se para o pormenor de que Polga estar mais rotinado a jogar como central sobre a meia-direita. Estes dois pontos poderão ser explorados pelo ataque encarnado. Por outro lado, vejo futuro nesta dupla, uma vez que ambos se complementam. Enquanto o americano é um jogador mais agressivo e de marcação, o brasileiro gosta mais de sair com a bola jogável nos pés. Realço para a envergadura física e jogo aéreo do Onyewu, que poderá causar problemas nos lances de bola parada para a defesa encarnada. Os laterais leoninos são muito ofensivos. João Pereira, jogador formado no Benfica é hoje o titular da selecção nacional. Na minha opinião, não está a passar por um grande momento de forma. Contudo, como teve uma semana de descanso e de treino de preparação para este encontro, poderá ter recuperado. O argentino Insua, tem sido uma das agradáveis surpresas deste campeonato. A meu ver, tem sido um dos melhores reforços do Sporting para esta temporada, sendo mesmo um dos jogadores chave que eles possuem, tal a forma como dá profundidade ao corredor esquerdo leonino. No entanto, recordo que ele vem de uma lesão. Veremos se recuperou totalmente ou não. De qualquer das formas, Jorge Jesus deverá dar trabalho a estes dois jogadores, por dois motivos: evitar que eles subam no terreno e explorar algumas debilidades defensivas que possuam.
  • No meio-campo, existe a dúvida sobre quem jogará a médio-defensivo, ou seja, se o habitual (desde a lesão do argentino Rinaudo) André Santos, se o adaptado Daniel Carriço. A dúvida surgiu no último encontro frente ao Sporting de Braga para a Taça de Portugal. A meu ver, Carriço poderá ser opção a titular se o Benfica jogar com dois avançados de raíz, como Cardozo e Rodrigo. Contudo, penso que Domingos deverá optar por André Santos, até porque o português mal ou bem tem cumprido na posição. À sua frente, descaído para a esquerda, encontra-se o médio holandês Schaars. Este jogador pode muitas vezes passar despercebido nos jogos, mas é muito importante para ligar a defesa, o meio-campo e o ataque. Para além disso, é o senhor das bolas paradas, graças à qualidade de passe do seu pé canhoto. Sendo assim, evitar fazer faltas em zonas proibitivas... O lado direito será entregue ao internacional A brasileiro Elias. Este jogador é talvez o melhor jogador leonino neste momento, pois consegue reunir num só jogador, um pulmão para 90 minutos de grande intensidade, uma dimensão física que não se esconde ao choque, um sentido táctico muito apurado que permite estar sempre dentro do jogo e uma técnica brasileira capz de criar espaços. É um jogador já feito e muito completo. É ele quem tem mais liberdade para transportar a bola no pé, conforme pode ser visto na figura pelas setas descontínuas a amarelo. Tem tendência para verticalizar o seu jogo, combinando com o avançado centro ou com o extremo. Muitas vezes é ele que tenta ir à linha de fundo e cruzar... O que pode cria alguns desiquilíbrios defensivos na sua equipa se não houver entreajuda... Um ponto que poderá ser explorado pelo Benfica. Salienta-se que o meio-campo é 2/3 novo, relativamente à época passada, pelo que haverá processos que ainda não estão devidamente bem assimilados pelos jogadores, ainda para mais, quando até à bem pouco tempo, quem fazia a posição "6" se lesionou.
  • No ataque, o holandês Wolfswinkel já conquistou Alvalade com os seus golos. É um avançado interessante e perigoso, mas se a defesa do Benfica conseguir deixá-lo muito longe do resto da sua equipa, ele torna-se tremendamente inofensivo, pois é um avançado que precisa de ser alimentado para marcar golos. Matias Fernandez, regressa ao seu passado chileno ao jogar numa das alas como extremo direito ou esquerdo. Foi assim que surgiu para o futebol. O espanhol Diego Capel, é um extremo esquerdo puro, pelo que as constantes trocas de faixa não lhe beneficiam assim tanto como ao chileno. De qualquer das formas, serão sempre dois jogadores muito perigosos para a defesa encarnada. O chileno sendo mais criativo e não tanto explosivo como o espanhol, procura sempre apoios, tendendo para zonas interiores. Já o espanhol, prefere ganhar a linha de fundo. Ambos, costumam aparecer ao lado do holandês em zonas de finalização, sobretudo ao segundo poste. Saliento para o facto de o Matias ser também um excelente cobrador de livres directos...
Combinações verde-e-brancas:
Este Sporting, embora seja uma equipa nova, já se nota algumas parcerias frutuitas dentro de campo. São elas as seguintes e que deverão merecer muita atenção por parte dos encarnados:
  • Insua & Capel: formam uma ala esquerda de grande profundidade ao Sporting. Combinam muito bem entre eles, pois parecem falar a mesma língua futebolística, i.e., velocidade, verticalidade e explosão.
  • Elias & Matias Fernandez: a técnica da força e a força da técnica, é a melhor forma de descrever esta pequena sociedade, capaz de criar espaços no meio-campo e ala direita do ataque leonino. Quando o Fernandez sai para zonas interiores, é Elias que tenta passar pelas suas costas, dando profundidade a ala direita. Quando Matias vai até à linha, é Elias quem tenta ficar em zonas de remate à entrada da grande área.
  • Schaars & Wolfswinkel/Onyewu: é uma aliança muito comum nos lances de bola parada, como cantos e livres em zonas laterais. O meio-campista holandês tem um pé esquerdo capaz de colocar a bola onde quer. Wolfswinkel e Onyewu são os seus alvos preferidos e eles agradecem.
Possiveis substituições de Domingos:
Dependendo da forma como o jogo poderá estar a correr para o Sporting, existem pelo menos dois jogadores que me parece que estão desde já nas cogitações de Domingos Paciência: o central Daniel Carriço e o peruano Carrillo.
Antevejo que em caso de necessidade de reforçar a defesa, a primeira opção será Daniel Carriço. Por seu turno, para aumentar o caudal atacante, a solução poderá ser através da substitução de um médio (a meu ver o médio mais defensivo) colocando o Carrillo sobre a direita, movendo o chileno Matias para uma posição atrás do ponta-de-lança.


20 novembro 2011

Quais os actores principais no "teatro dos sonhos"?

O Glorioso joga esta terça-feira, mais um jogo da fase de grupos da Liga dos Campeões Europeus, desta vez no importante palco inglês, chamado Old Trafford.

Os últimos jogos do Benfica antes da paragem para as competições das selecções nacionais, tiveram melhores resultados do que exibições (estrelinha de campeão?!), pelo que foi notório que algumas das peças do onze titular não estavam a render o que deveriam render. Existe concerteza responsabilidade de jogadores e equipa técnica. De qualquer das formas, os jogos amigáveis e da taça de Portugal, funcionaram como um abrir de olhos para o treinador Jorge Jesus e adeptos, que existe soluções do banco, basta haver confiança para serem apostas.

Tendo em conta que o Benfica deverá manter-se fiel à sua táctica preferida nesta temporada, um 4-2-3-1, que muitas vezes se desdobra numa espécie de 4-4-2, e que jogaremos com dois alas, quais os titulares frente ao "Naite":

Maxi Pereira ou Miguel Vítor?
"Super Maxi" tem sido ao longo das últimas temporadas o jogador "à Benfica" por excelência. Liga uma resistência física e uma inteligência competitiva muito acima da média, com uma técnica q.b. para chegar à linha de fundo e cruzar. Contudo, nos últimos jogos pelo Benfica não tem aparecido no seu melhor momento. Se atendermos que teve uma semana desgastante não só pelo jogo da selecção, mas também pelas viagens, é algo para questionar.
Para dificultar as contas, o "canterado" Miguel Vítor, defesa central de raíz, mas cada vez mais um polivalente defensivo, foi uma das agradáveis surpresas desta semana e meia. Fisicamente, parece estar a um nível execpcional. Técnicamente, sem ser um prodígio, tem estado confiante, daí que já consegue dar toques de calcanhar (frente ao Galatasaray) e até consegue levar a bola até a linha de fundo e centrar para a grande área (frente à Naval). Se existe palco onde os centrais adaptados a laterais fizeram sempre carreira, foi em Manchester. Que Miguel pergunte a Phil Jones, Micah Richards, entre outros... Será que deve ser ele a aposta, ou deveremos confiar na experiência internacional de Maxi Pereira?

Axel Witsel ou Ruben Amorim?
O belga começou por ser um autêntico chocalate para todos nós, adeptos encarnados e do bom futebol. Tem nele o potencial todo. Fisicamente é um atleta robusto. Tecnicamente, tem uns pés de "veludo", tal o trato de bola. Contudo, falta dominar as seguintes componentes, para ser um "8" de referência: posicionamento táctico e rapidez de decisão e execução. É certo, que ele no Standard de Liége, era o "10" e por isso tinha mais hipóteses de poder errar. No entanto, a jogar a "8", ele tem de funcionar de forma mais simples e ser capaz de decidir quando acelerar e desacelerar o jogo encarnado. Algo que não o fez nos últimos encontros. Para além disso, veio da sua selecção meio doente...
Por conseguinte, o português Ruben Amorim, depois do seu grito de Ipiranga na selecção nacional, mais do que o tradicional fadismo "tuga", arregaçou as mangas e jogou o melhor que soube, sobretudo quando teve a oportunidade de jogar na sua posição preferida. Quando teve essa oportunidade, foi o momento em que a armada encarnada teve um verdadeiro almirante a comandar o seu futebol, na batalha naval da Figueira da Foz. Quem deverá ficar com a posição de médio de transição?


Cardozo ou Rodrigo?
Matador ou aprendiz? A função de ambos em campo é a mesma: marcar golos! Contudo, a forma de jogar de cada um deles implica que a equipa jogue de maneira diferente. Frente a centrais como Vidic e Ferdinand, se calhar seria interessante jogar com algum peso, de forma a que os jogadores vindos do meio-campo ofensivo, podessem aproveitar as segundas bolas que provavelmente iriam sobrar desses duelos. Por outro lado, velocidade, desmarcações, condução de bola no pé, poderão levar os centrais ingleses a um estilo de jogo que não estão habituados e que poderão sentir enormes dificuldades. Duma coisa é certa, penso que ambos jogarão neste encontro... falta é saber quem é que começa o jogo primeiro?

Notar que o raciocínio feito, foi para a equipa tipo do Benfica esta temporada: Artur na baliza; quarteto defensivo constitúido por Maxi, Luisão, Garay e Emerson; meio-campo formado por Javi Garcia e Witsel; tridente ofensivo com Nico e Nolito nas alas e Aimar como "10"; Cardozo a ponta-de-lança.

Questão táctica:
Será que deveremos jogar com dois alas, como o Nico Gaitán e o Nolito, ou apenas só com um, havendo reforço do meio-campo, tal como o Jorge Jesus fez com a colocação de Ruben Amorim, no jogo frente aos ingleses na Luz?

02 setembro 2011

Capdevilla fora da Liga dos Campeões?!


Mas o que é que é isto, ó Jesus?! Como é possível deixares de fora o único campeão do mundo e da europa em título a jogar em Portugal?

Se existe critério para elaborar uma lista de jogadores para uma competição de nível de dificuldade máximo, este deve ser baseado em:
- melhores jogadores;
- jogadores experientes;
- jogadores já adaptados ao ritmo de futebol europeu;
- jogadores que permitam uma postura mais conservadora (em certos momentos diria mesmo defensiva) nos jogos.

Neste contexto, não entendo a opção de deixar de fora o único campeão mundial e europeu em título a actuar em Portugal. Notar, que apenas e só Pablo Aimar, Javier Saviola, o recente reforço Garay, e o "Cap" têm experiência de jogar em meias-finais da Liga dos Campeões.

Trata-se pois, de deixar de fora talvez o defesa mais experiente que temos no plantel. E quantas vezes já assistimos que num encontro de duas equipas equivalentes é aquela mais "anjinha" (leia-se inexperiente) a que "paga caro" a derrota com "erros infantis", muitas vezes dos seus "jovens defesas"?

É por isso que estou de certa forma indignado com esta opção de JJ para com o Joan Capdevilla.

É certo que o JJ pode argumentar que da lista de jogadores formados localmente em Portugal, que tem de ser no mínimo 8, para se poder inscrever 25 atletas (17 "livres", leia-se "estrangeiros") , pelo menos 4 têm de ser formados no Benfica, sendo que desses 8 tem-se um César Peixoto e um Luís Martins que podem fazer o mesmo lugar que o Capdevilla.

Assim deverá ter pensado o JJ, mas a meu ver mal. Será que o Luís Martins tem um décimo da experiência que o Capdevilla possui? Será que o César Peixoto tem a mesma motivação que o Capdevilla possui em terminar a sua carreira de selecção no europeu do próximo verão? Quero com isto dizer que estamos a desprezar um activo que nos confere qualidade, experiência, sentido táctico e segurança ao sector defensivo, para colocar um miúdo e um desmotivado? E já agora, se me permitem, quantos de vocês acham que em caso de necessidade que o JJ irá apostar no César Peixoto ou no Luís Martins? Mais facilmente aposta no Jardel para a esquerda... e este, será que é uma solução credível nesta posição?

É por isso, que mesmo com o condicionalismo do número de jogadores "made in Portugal" (atenção que podem ser estrangeiros, mas têm de ser formados em Portugal...), o Capdevilla deveria ter um lugar assegurado. Mas, sendo assim, quem é que deveria sair?

- Jardel?
Eu penso que Jardel não deveria sair, pois faz parte da estrutura defensiva, tendo inclusivé pelo menos mais 6 meses de rotinas com os restantes colegas da defesa. Isso é importante, pois o Benfica vai jogar um mini-campeonato, onde defender bem normalmente traduz-se em passagens às eliminatórias.

- Emerson?
Eu penso que seria injusto para o brasileiro que tão bem tem dado conta do recado neste início de temporada.

- Matic?
O sérvio, embora não tenha um grupo de fans assim tão grande quanto isso, é um elemento que poderá ser útil, caso haja indisponibilidade de Javi Garcia, ou até mesmo poder ser seu companheiro de onze em muitos encontros. Qualidade não lhe falta e parece-me dos reforços desta temporada, daqueles que mais ambientados está.

- Bruno César?
Se no início do mês, poderiamos questionar a presença de Bruno César em deterimento de jogadores como o Urreta, para a lista da eliminatória da Liga dos Campeões, hoje, após dois excelentes golos e excelentes apontamentos de que a sua adaptação ao futebol europeu prossegue a bom ritmo, mas também devido à sua enorme polivalência do meio-campo para a frente, não seria questionado.

- Rodrigo?
As recentes exibições nas elecções jovens espanholas, mais a experiência adquirida na EPL na época passada, levam a admitir que está na altura de se apostar neste jovem avançado. Decerto que haverá encontros que o Cardozo agradecerá que este miúdo entre para o seu lugar.

- Enzo Pérez?
Guardei este para o fim, pois a meu ver é o reforço que menos tem dado nas vistas. Ainda está em fase de adaptação e penso que levará o mesmo tempo que no ano passado levou o Sálvio, i.e., só lá para Novembro/Dezembro, teremos o "nosso" Enzo "Ferrari". Para mais, como actua numa posição na qual prevejo que o nosso bola de prata sub20, Nélson Oliveira, possa ter alguma notoridade, penso que o seu lugar deveria ser preenchido pelo espanhol, ficando resolvido este problema.

O que acham desta ideia?

De qualquer das formas, este caso do Capdevilla simboliza e muito a forma pouco pensada como se contrata no Benfica. Existe um excesso de estrangeiros (19 para um máximo de 17 possíveis para as listas da UEFA) e Portugueses ou Estrangeiros com formação nacional temos um número escasso, dos 9 inscritos como pertencentes ao plantel profissional, 5 são jovens da cantera e apenas 1 deles tem mais de duas épocas de experiência em 1ªs Ligas (Miguel Vítor). Isto tem de ser pensado...