13 novembro 2017

E assim cai...


... mito!


«Jonas não é avançado para jogar sozinho lá na frente», quantas vezes ouvimos os comentadores e outros ditos entendidos dizerem isto nas últimas temporadas? Imagino como aquelas cabecinhas estarão neste momento... A verdade é que o "Pistolas" é um ET do caraças para a nossa realidade. É o jogador mais inteligente e dotado tecnicamente a jogar em Portugal. A única pecha que possui no seu futebol é talvez a sua pouca resistência física para aguentar 3 jogos por semana a um nível muito intenso. Mas, mesmo isso pode ser gerido, tal como foi muito bem gerida a sua incorporação no onze de Rui Vitória em Guimarães.



O craque brasileiro foi o tal "9.5" que o 4-3-3 moderno tanto necessita para ganhar uma dimensão ainda maior. E, neste contexto, temos que dar os parabéns ao trabalho efectuado por esta equipa técnica. Já anos antes o Jonas tinha sido testado como único avançado, ainda estava cá o agora treinador do Sporting, mas sem os mesmos resultados. De facto, ao ver jogar o Jonas neste modelo fez lembrar-me várias vezes em Messi e em Ronaldo. Fez-me recordar o argentino pela forma como participou em inúmeras jogadas de ataque, muitas vezes a jogar como pivô ofensivo, de costas para o adversário, outras fazendo recepções com rotação e drible, tal como faz o pequeno génio do Barcelona. Quanto à semelhança com o capitão da selecção nacional, aquele pique para ganhar a frente ao central e a finalização, dissipam quaisquer dúvidas que possamos ter com o genial avançado português.



Tendo em conta o equilíbrio encontrado pela equipa de Rui Vitória na cidade berço, estou convicto que a manutenção deste sistema de jogo será uma realidade nos próximos tempos, até porque o jogo no dragão é já em dezembro e convém este sistema ficar bem rotinado. Contudo, esta aposta leva a algumas questões. A começar porque aparentemente ficamos com um excedente de avançados. Digo aparentemente, porque acredito que tirando o Seferovic, tanto o Raúl como o Gabigol poderão jogar como falsos extremos - aliás, o termo técnico é avançado interior - algo que tanto o mexicano como o brasileiro já estão habituados a jogar e com algum (muito) sucesso. Isto por sua vez significa que os extremos encarnados como Salvio, Cervi, Zivkovic, Rafa e, agora, o Diogo Gonçalves irão ter muita concorrência, para apenas duas posições. Mas, tal também não significa que seja algo mau, pois poderá ser a oportunidade de testar outras posições e funções a alguns destes extremos (isto será abordado num futuro artigo).



Resta-me apenas dizer que o camisola 10 encarnado está a 1 golo de chegar à centena de golos com o manto sagrado. Não tenho dúvidas que ele conseguirá não só atingir essa marca como também ultrapassá-la. Que seja já no próximo encontro!




P.S.: Já viram a entrevista do Jonas? Então vejam aqui...


8 comentários:

  1. Folgo em ver tão drástica mudança em tão pouco tempo: de defender o banco de suplentes para Jonas, no 4x4x2, até defender que Jonas é o 9,5 perfeito para o 4x3x3!...;) é o devir permanente do nosso PP :)

    Agora concordo contigo!

    Quanto ao Plano A táctico ser agora o 4x3x3, também me cheira que vai ser o caso, pelo menos até ao clássico. E concordo que até esse jogo se consolide este novo sistema. Mas e depois desse jogo? Será o sistema mais adequado para 80% dos nossos jogos no campeonato? Tenho sérias dúvidas que o seja. Claro que há sempre a hipótese de, em jogos caseiros com equipas mais fracas, mudarmos para o 4x4x2 aos incontornáveis 60 minutos, mas...parece-me que em quase todos os jogos na Luz e em muitos jogos fora, o 4x4x2 pode ser mais indicado - desde que sejamos competentes na reacção à perda e transição defensiva, sobretudo.

    Lembro-me de tu também defenderes o 4x4x2 até bem recentemente - até nos jogos mais difíceis em que eu sempre defendi o 4x3x3. Gostava genuinamente de saber qual é a tua posição actual e porquê.

    Finalmente, congratular-te pela pertinentíssima questão que levantas no fim do texto. Para quem, como eu, sofre tanto com a falta de aposta consistente em craques como Zivkovic e Rafa, nas posições em que rendem mais, custa perceber que o 4x3x3 ainda vem dificultar mais essa aposta, como muito bem apontas...

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    1. BP, acho que não entendeste as minhas críticas ao Jonas e o 4-4-2.

      O problema do Jonas no 4-4-2 actual é o mesmo que ele tinha no 4-3-3 antigamente. Tem tudo a ver com o enquadramento dele e da restante equipa.

      No actual sistema, o meio-campo está muito mais equilibrado e isso faz com que o Jonas jogando a 9.5 não se desgasta tanto como sendo um 2°avançado/3°médio/ponta de lança no 4-4-2.

      Para mim o Jonas é forte com bola nos pés. Portanto, tem de jogar sempre num sistema e posição que lhe permita isso e evite ter que jogar muito sem bola.

      O 4-4-2 resulta com o Jonas quando o adversário é fraco, pois o meio-campo é a defesa chegam para as encomendas. Mas se o adversário é forte, esses sectores precisam de mais um homem que seja forte sem bola, algo que o Jonas não é.

      Da mesma forma, se o RV utilizar o Jonas como o Jesus chegou a usar em Leverkusen com bolas lá para a frente e para a cabeça dele, é óbvio que ele não vai render (e já muito fazia ele).

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    2. Ok percebido em relação ao Jonas.

      A tua posição sobre o sistema para os jogos mais 'fáceis' do campeonato é que ainda não percebi? Tenho curiosidade porque percebes mais disto do que eu e o meu coração vermelhão anda a balançar entre o 4x4x2 (que 'teoricamente' prefiro) e o 4x3x3 (em que estamos a jogar futebol, finalmente).

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    3. BP, como se diz noutro lado, não tem nada a ver com 433, 442, 324 ou outra coisa, tem a ver com comportamentos.

      No o 433 do último jogo não tem nada a ver com o 433 contra o United. Num o Jonas rende, no outro é quase que indiferente quem lá está (apesar de se preferir alguém com maior capacidade de choque).

      No meio disto tudo ainda fica a pergunta de se RV consegue (ou quer) reabilitar jogadores que nos novos comportamentos da equipa podem dar mto. Falo claro de Ziv e Rafa. A ideia de dispensar Ziv para "subir" Heriberto causa-me calafrios. Mais calafrios do que pensar que Ziv não joga para o Sálvio Pass ter lugar cativo.

      E ainda falta resolver a lateral direita...

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    4. RB, é evidente que, mais que o sistema táctico, importa o modelo de jogo, as dinâmicas e os comportamentos.

      Também me parece evidente que o próprio sistema táctico com o MU foi diferente do de Guimarães pois foi mesmo um 4x1x4x1, com 5 médios.

      Agora, a questão é que nesta época só vi comportamentos e dinâmicas decentes com este 4x3x3 de Guimarães, com Pizzi e Krovinovic interiores...não achas sequer possível que a disposição táctica das peças também tenha ajudado a que surgissem os comportamentos? Foi 'só' a escolha de jogadores?

      De resto, quanto aos calafrios e à lateral direita, completíssimamente de acordo!

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  2. Pois é, PP, tenho que admitir que sou um dos que sempre achou que o Jonas a ponta-de-lança não rende nem metade do que rende a segundo-avançado. O jogo de Guimarães mostrou que também pode funcionar, e bem, como homem mais avançado no 4-3-3.

    Mas acho que neste jogo o Jonas acabou por fazer o mesmo tipo de movimentos e acções que faz quando joga atrás dum 9. Ou seja, sempre a baixar e a cair nas alas. Foi um modelo muito diferente do 4-1-4-1 dos jogos com o Manchester. Aí, continuo a achar que o Jonas não seria a solução indicada.

    Se tivermos muita posse de bola e muita mobilidade dos extremos e médios, este novo 4-3-3 pode resultar muito bem. Duvido que seja o mais indicado para a maioria dos jogos, como o próximo com o Vitória de Setúbal, por ex., onde acho que temos mais a ganhar com dois homens no eixo central, mas pelo menos ganhámos mais uma opção. E criámos a dúvida nos treinadores adversários!

    Miguel Costa

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    1. Miguel, eu gostava de ver o Jonas neste modelo (mais entrosado do que está neste momento) frente a grandes equipas europeias... Até mesmo para aferir das reais capacidades do brasileiro.

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    2. Outra das coisas onde não consigo concordar contigo: "aferir as reais capacidades do brasileiro". Se o Brasileiro de que falas fosse o Douglas, se fosse o Gabicoiso, se fosse o Filipe Augusto eu até compreendia a necessidade de "aferir as reais capacidades". Jonas deve ser o Brasileiro do plantel que menos precisamos de aferir capacidades. Caramba, precisamos mais de aferir as reais capacidades de RV do que de Jonas!

      Isto não quer dizer que Jonas é Messi. Mas é capaz de ter um desempenho acima da média do restante plantel em 3/4 funções, assim os comportamentos da equipa estejam acertados. Diz-me outro jogador do plantel que seja tão versátil.

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