04 dezembro 2011

Os 7 pecados de Jesus


O jogo do Barreiros, que ditou a nossa eliminação foi a gota de água do que até então parecia tolerável, para conjectura de resultados obtidos. A verdade é que JJ tem cometido alguns pecados. A maioria deles com impacto negativo sobre a performance da equipa que de certa maneira tem sido camuflado pelo virtuosismo de alguns dos nossos atletas.

Embora uma invencibilidade de mais de 20 jogos em competições oficiais, seja um feito muito bom para Jorge Jesus, a verdade é que o Benfica desta temporada ainda não deslumbrou do ponto de vista exibicional e, podemos escrever sem cometer imprecisões, de que houve muitos jogos em que tivémos uma pontinha de sorte.

Mas, afinal quais têm sido os pecados de Jesus?
  1. Desconhecimento dos atletas que tem à sua disposição.A meu ver, JJ não tem sabido avaliar bem as virtudes e defeitos dos seus jogadores. O exemplo mais flagrante, prende-se com o Emerson. O brasileiro tem claras limitações técnicas e tácticas, que o condicionam nos movimentos ofensivos e que o treinador encarnado parece pouco sensível a tal. O argentino Saviola é outro dos que tem sido mais fustigado com estas faltas de leituras do técnico encarnado. Desde que David Luiz saiu da Luz, a defesa do Benfica deixou de jogar tão subida no terreno, prejudicando jogadores como Saviola (e também o Cardozo...), que agora se desgastam em movimentações, na qual não têm perfil físico para desempenharem. Cabe ao treinador saber adaptar a equipa face aos jogadores que tem à disposição.
  2. Colocação de alguns jogadores em posições em que não rendem.Isto também poderá ser uma consequência do ponto anterior, na medida, que ele julga que determinadas características dos jogadores fazem-nos render em determinadas posições, mas que na prática não resultam. Um bom exemplo disto, é a colocação de Ruben Amorim em campo, tanto como lateral direito, como médio-ala direito e até mesmo esquerdo. A exibição do internacional A português, na proclamada batalha naval, na Figueira da Foz, deveria ser conclusiva, onde o rapaz deve jogar... mais até do que o aviso que o jogador já transmitiu.
  3. Incoerências tácticas e falta de qualidade de treino.Para muitos é o "mestre das tácticas", mas a realidade dos jogos tem-se verificado que não é bem assim. Frente ao Marítimo, foi clara a falta de trabalho de casa realizada pela nossa equipa técnica. Em termos tácticos, jogar contra um dos melhores trios de meio-campistas do campeonato com apenas dois jogadores, sendo que um deles tem jogado de vez em quanto, é um erro crasso. Em termos de movimentações da equipa, tanto defensivamente, como ofensivamente, foi um caos e sem fio de jogo algum, revelando falta de treino e preparação. Tal não é admissível dado o tempo de preparação que houve para este encontro e o grau de importância da eliminatória. Contudo, já isso tinha sido visível noutros encontros desta temporada.
  4. Incorrecto desenvolvimento de jogadores.Este pecado vai de encontro com o que eu penso que o JJ está a fazer ao Axel Witsel. O belga só tem brilhado em alguns jogos. Deveria ser questionado o porquê de só ter brilhado no início da temporada e agora frente a grandes equipas, como o Manchester United. A melhor resposta que encontro é a motivação. Mas, e os outros encontros? Aí eu penso que vem ao de cima ele estar a jogar numa posição que não-lhe está no seu dna. Para quem o não conhecia, ele era um "10", daqueles que apareciam no último terço do terreno, tanto para assistir colegas, como também para finalizar. Vejam aonde ele joga no Benfica. Talvez seja por isso, que muitas vezes vemos o meio-campo a ficar desconectado... Talvez seja por isso que acho que o JJ está a insistir numa coisa que dificilmente resultará em pleno... Talvez seja por isso que tenho receio que o Witsel seja mais um "Anderson" do futebol mundial.
  5. Demasiadas ideias estereotipadas.Vejo isso, quando leio e oiço comentários acerca da exigência e preferência de centrais com mais 1.90m, facto que faz relegar um talento nacional como o Miguel Vítor para 4ª opção no eixo defensivo, quando tem sido dos melhores sempre que é chamado a cumprir a sua missão. Poderia aqui recordar jogadores como Beckenbauer, Baresi, Cannavaro, Puyol, Ayala, entre outros, que foram e são grandes centrais e que tinham e têm em comum, alturas inferiores a 1.85m.
  6. Não incentivar uma cultura de mérito exibicional.Tenho reparado que após uma grande exibição de jogadores que há primeira vista não serão titulares, por factores que me transcendem um pouco, esses mesmos jogadores não merecem oportunidade nos jogos seguintes. Já aconteceu isso, com o Nolito (em deterimento de Bruno César), com o Ruben Amorim (em deterimento de Witsel) e, recentemente, com o Miguel Vítor (em deterimento de Jardel).
  7. Preconceito e falta de oportunidades a diversos jogadores, mas protecção a outros.Eu penso que este pecado poderá vir a se tornar num enorme problema, caso o Benfica entre num ciclo negativo de exibições e resultados, uma vez que cria rupturas dentro do balneário.
    Os seguintes jogadores são os que têm sido vítimas de algum preconceito e falta de oportunidades: Capdevilla (ainda não entendi porque é que ele não dá a oportunidade para o experiente campeão europeu e mundial ganhar forma jogando mais vezes, nem que seja como suplente... será da idade?), David Simão (não seria possível este jogar mais vezes, nem que fosse como suplente, pelo menos para testar se com ele o meio-campo funcionaria melhor?), Nélson Oliveira (só joga praticamente uma vez por mês... isto um medalha de prata de sub20 mundial... não será um desperdício? não poderia estar aqui para além de um avançado um extremo direito que tanto precisamos?).
    Os jogadores mais protegidos pelo Jorge Jesus esta temporada têm sido: Jardel (o central não é tão mal quanto parece, mas ao contrário de Miguel Vítor que precisa de fazer exibições imaculadas e mesmo assim sem garantia, o brasileiro goza de algum proteccionismo, mesmo quando as coisas não lhe correm tão bem!), Witsel (apesar das recentes grandes exibições, já houve jogos em que deveria ter sido substituido, mas parece que o JJ não prescinde dele...), Bruno César (veio rotulado de médio-ofensivo, mas facilmente percebe-se que ainda não tem a estaleca necessária para ser o "10" que o Benfica precisa, daí que Jesus o tenha colocado numa faixa... acontece que aí, não tem tido muito sucesso, mas JJ prefere utilizá-lo do que o Nolito, mesmo depois daquela entrada do espanhol no campeonato... porque será?).
Eu penso que o plantel encarnado não é assim tão mal quanto parece ser. Não tenho visto falta de empenho dos jogadores, mesmo quando as exibições são pouco mais que satisfatórias. Basta ver o semblante dos jogadores encarnados após o término da partida frente ao Sporting, para perceber o grau de compromisso que eles estão a ter com o jogo. Daí que a eles não aponto nada, neste momento...

Duma coisa é certa, está nas "mãos" de Jorge Jesus inverter todas estas críticas, facto que torço para que aconteça.

1 comentário:

  1. Absolutamente correcta a analise que subscrevo por inteiro.

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